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Quinta-feira, Junho 08, 2006

PORTA AVIÕES CHARLES DE GAULLE. O moderno e caro porta aviões da marinha francesa.


DESCRIÇÃO
Este projeto é interessante pois apresentou algumas características indesejáveis como uma freqüência elevada de defeitos durantes seu teste no mar entre 1999 e 2001, e um elevadíssimo custo operacional. Os Franceses precisavam de um porta aviões novo para substituir os cansados porta aviões da classe Clemenceau, que não tinham o tamanho ideal, nem potencia adequada em suas catapultas para operar o novo caça naval francês, o Rafale. Para isso o governo francês decidiu que deveria construir uma nova classe de porta aviões, que usasse propulsão nuclear para permitir uma autonomia muito maior que a dos porta aviões que seria substituídos por ele. Todavia, diversos problemas ocorreram, desde relacionados com o desenho do navio, até problemas ligados a confiabilidade do reator nuclear que impulsiona o navio. Hoje, depois destes problemas terem sido resolvidos, ainda um permanece. O custo elevado para operar um navio nuclear, levou a marinha da França projetar um novo porta aviões, em conjunto com a Inglaterra, que será conhecido como CVF, por enquanto, e que terá propulsão convencional.
Acima: O Charles De Gaulle, navega ao lado de um navio de reabastecimento. No que diz respeito a seus reatores nucleares, este navio pode ficar 5 anos sem reabastecer. Uma grande vantagem deste tipo de propulsão.
O Charles de Gaulle pode operar mais de 40 aeronaves que hoje são representadas pelo Caça Super Etendard, o novo caça Rafale, 3 aviões de alerta aéreo antecipado (AEW) E-2C Hawkeye, além de helicópteros de apoio AS-565 Panther, e NH-90. Esse equipamento torna o Charles de Gaulle, um dos mais bem equipados porta aviões do mundo, sendo inferior, apenas, aos super porta aviões americanos. As catapultas deste navio podem lançar 2 aviões por minuto, podendo colocar uma força respeitável no ar, em pouco tempo.
Acima: Pode-se perceber que há um bom espaço no convés do Charles de Gaulle. Essa característica facilita as operações dos aviões no convés do navio.
O sistema de gerenciamento de combate Senit consegue rastrear 2000 alvos no campo de batalha, e é apoiado por um sistema de controle de armas Vigy 105 que são direcionadores optronicos fornecidos pela empresa Sagem. Esta mesma empresa fornece o sistema Vampir de busca e rastreio de alvos via infravermelho.Este sistema permite a detecção de alvos numa distancia máxima de 27 km de forma passiva e imune a interferência. Em fevereiro de 2004, a empresa francesa Thales, foi contratada para fornecer um novo sistema de comando e controle chamado SIC-21, e que será incorporado, não só no Charles de Gaulle, como em outros navios de guerra da frota francesa.
Acima: O Charles de Gaulle navegando ao lado de um super porta aviões americano, classe Enterprise. Embora, nesta foto, não pareça, o americano é consideravelmente maior e mais pesado, além de levar o dobro de aviões.
O sistema de radar é composto por um radar tridimensional Thales DRBJ 11B de busca aérea de longo alcance (360 km), radar de busca aérea de médio alcance Thales DRBV 26D Júpiter, e um radar de busca de superfície e aérea Thales DRBV 15C Sea Tiger Mark 2 (100km). O radar de controle de tiro é o Thonson CSF Arabel 3 D que é usado para fornecer informações do alvo para o sistema de mísseis antiaéreo Áster 15.
Acima: A França não recebeu todos os Rafales M, que encomendou, e por isso, o Charles de Gaulle, navega, com caças Super Etendard, junto com alguns dos Rafales já recebidos.
Falando em armas, o Charles de Gaulle, está mais bem armado que a média deste tipo de navio, que normalmente deposita a sua defesa, exclusivamente na sua aviação de combate. No Charles de Gaulle, isso não é bem assim, ele é particularmente bem armado, e usa 2 lançadores com 16 células cada para míssil Áster 15 (a direita) , com um alcance de 30 Km, e com guiagem inercial no inicio, atualização por data link e radar ativo no final do engajamento. Além desse excelente sistema. Estão instalados, 2 lançadores Sadral com 6 mísseis Mistral cada. Este míssil tem um pequeno alcance de 4 km e usa a guiagem por infravermelho.
Estão instalados, também, 8 canhões automáticos de 20 mm da GIAT modelo 20F2, que disparam 720 tiros por minuto, e os projéteis alcançam 8 km.
Acima: Nesta foto, o trilho da catapulta frontal, está bem visivel. Essa pista tem 194 m de comprimento e pode lançar uma aéronave por minuto.
Como dito no início desta matéria, o Charles de Gaulle, é um porta aviões nuclear, e ele usa 2 reatores nucleares PWR type K15, que o permitem, esta embarcação de 38000 toneladas de deslocamento, alcançar 54 km/h de velocidade máxima. A autonomia do sistema, é de 5 anos de operações continuas com o navio à 50 km/h. Um outro item interessante, é o sistema estabilizador Satrap, que promove uma estabilização executada por um computador e que mantêm o navio em uma situação horizontal com variação de 0.5º, permitindo, assim, operar os aviões em situações de mar agitado.
Acima: O Rafale, é o caça que começou a levar a aviação de combate naval francesa para dentro do seculo 21. Sem duvidas um dos melhores caças navais atuais.
FICHA TECNICA
Comprimento: 261,5 m
Calado: 8,45 m
Boca: 31,5 m
Deslocamento: 38000 toneladas
Propulsão: Nuclear, com dois reatores nucleares PWR type 15 com 160000 hp
Velocidade máxima: 54km/h
Autonomia: Reabastecido a cada 5 anos à velocidade de 50 km/h.
Sensores: Radar de busca aérea tridimensional Thales DRBJ 11B com 360 km de alcance; Radar de médio alcance DRBV 26D Júpiter; Radar de controle de fogo Thonson CSF 3D Arabel; Radar de busca de superfície Thales DRBV 15C Sea Tiger MK 2 com 100 Km de alcance.
Armamento: SAM: 2 lançadores Áster 15 de 16 células; 2 lançadores de mísseis SAM de curto alcance Sadral, para mísseis Mistral, com 6 mísseis cada. 8 Canhões GIAT 20F2 de 20 mm.
Aviação: Até 40 aviões, sendo 3 Northrop Grumman E-2C Hawkeye, Helicópteros NH-90, e cerca de 30 caças Rafales.
Acima: Um E-2C Hawkeye, se prepara para ser lançado do Charles de Gaulle. Esse modelo é o responsavel pelo alerta aéreo avançado AEW, da marinha francesa.

27 comentários:

Blog Master disse...

Carlos, qual seria a vantagem do Brasil dispor de UM porta-aviões leve no cenário atual? Ainda mais se analisarmos os custos de tal meio naval, ainda o fato de o Brasil ser um país pacífico (sem intenção de projessão de força fora do continente) e também por não poder contar com aeronaves mais capazes que os A-4? Acho isso uma nulidade, uma despesa inútil.
Acredito que se, ao contrário, pudesse basear sua força aeronaval em terra seria muito mais eficaz.
Poderia contar com uma aeronave de patrulha de grande capacidade, um turbohélice leve para patrulha de baixa intensidade (e alfandegária) e um caça avançado para ataques navais estratégicos (como o Su-37).
E mais uma quantidade suficiente de baterias de Astros II.
Qual sua opnião sobre esse fato?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Blog Master. Eu sou da opinião de que se não pudermos usar algio melhor que o A-4 então que usemos o dinheiro para equipamentos mais eficazes como submarinos. Sobre a avia~]ao baseada em terra, o caça adequado seria o Su-34 Fullback, pois oSu-37 não passou de prototipo.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Blog Master. Eu sou da opinião de que se não pudermos usar algio melhor que o A-4 então que usemos o dinheiro para equipamentos mais eficazes como submarinos. Sobre a avia~]ao baseada em terra, o caça adequado seria o Su-34 Fullback, pois oSu-37 não passou de prototipo.

Blog Master disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blog Master disse...

Fico pensando que a Rússia mantinha uma quantidade considerável de su-17 para ataque naval. Não vamos comparar a Rússia da guerra fria com o Brasil, mas bem que nossos órgãos competentes poderiam modernizar profundamente -se é que isso é possível- os A-4 e passar a baseá-los em terra, junto aos A-1 também capacitados para ataque naval.
Quanto ao Sukhoi, sempre me confundo com as identificações mesmo...
A idéia da comprar de submarinos (armas realmente estratégicas) é realmente interessante. Não havia considerado isso.
Ou seja: hoje um porta-aviões brasileiro é um 'luxo' apenas para o país dizer: '-somos a única nação sulamericana que tem um navio aeródromo'
Para os leigos, pode ser sinal de status, mas para quem entende alguma coisa sobre o assunto, é um meio inútil e cada vez mais obsoleto.
Concorda?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Concordo sim. Porém não gastaria nenhum centavo na repotencialização do A-4. Esse avião é limitadissimo quanto plataforma de combate. realmente deveriamos investir em uma aviação baseada em terra e submarinos.
Abraços

Leandro disse...

Prezado Carlos, qual a capacidade operacional hoje do Nae São Paulo?
Existe algum projeto de modernização dele ou a sua substituição?
Com a entrada do novo F-X2 podemos sonhar com caças RAFALE na Marinha?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Leandro. Realmente o FX-2 da força aérea nada tem a ver com as necessidasde da marinha. O caça naval não está na pauta de prioridades da marinha no momento e o São Paulo não está operando. O navio deve voltar ao mar em breve mas sua capacidade de combate é nula pois menos de 5 A-4 estão em condição de vôo.
Abraços

Milhão disse...

Para o Brasil um NA tem função apenas de mostrar aos vizinhos que o pais tem condiçoes de mover uma guerra com qualquer um deles ultilizando de meios navais e terrestres'poder de dissuasão', como custumam falar, com a modernização de metade da frota dos A-4 e a mini reforma no NA São Paulo o Brasil realmente passa a ter essa condição.

gustavoflabis disse...

Existe um grande entusiasmo em falar de armas russas, até eu mesmo fui grande defensor dessa linha, porém existe muitos fatores que favorecem a compra de materiais franceses.
o Brasil está treinado a anos com softwares e aparelhagem ocidental, o avanço nessa área supera a tecnologia russa, exemplo disso são as funções fly-by-ware inexistente em aviões russos; os russos não são confiáveis e já demonstraram o não cumprimento de acordos principalmente ligados a manutenção e reposição de peças; não a uma confiabilidade nos armamentos da classe mísseis, por não demonstrar na prática aquilo que realmente deveriam ser exemplo disso e a reavaliação das atribuições dos iglas do exercito pela artilharia!
o acordo com a França sairia no final mais em conta pela familiarização e pelas tradições comerciais que o brasil tem em compra de armamento francês.

gustavoflabis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
patriota disse...

Diferentemente dos EUA o Brasil nao precisa de porta-avioes. Precisa sim de navios de superficie e muitos submarinos.

felipe.wmenz disse...

Qual a diferença entre: fragata, destroyer, encouraçado, cruzador e corveta???? obridadooooo.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Antigamente as diferenças entre cada categoria de navio eram realmente importantes para se avaliar a capacidade de cada um. Hoje, porém, a tecnologia eletrônica muito mais avançada, miniaturização dos sistema de armas fazem com que os navios possam executar, mais ou menos, as mesmas funções. Porém a tradicional classificação diz que o cruzador é um navio de maior porte para escolta antiaérea de grupos de batalha; Destróier são navios com ênfase na capacidade antisubmarino, Fragatas são navios de apoio com limitadas capacidades antiaéreas e antisubmarinos; Corvetas são navios com objetivo de patrulhar areas costeiras. Encouraçados são um tipo de navio não mais usado, que tinham a característica de usar muitos canhões e elevada blindagem para impor destruição contra a força de superfície inimiga.
Abraços

Osasco .22 disse...

Eae, blz?
otima materia, pelo preço pago no Opalão(São Paulo), teria sido viavel a aquisição do Clemenceau para termos duas frotas equipadas com dois PA's

Anselmo disse...

Carlos me parece que as dimensões do porta aviões São Paulo,e Charles De Gaulle são praticamente as mesmas na epoca em que o Brasil operou o Minas Gerais saiu uma reportagem na revista T&Defesa em que os americanos visitaram-no e se surpreenderam com a tecnologia embarcada na quela velharia lembrome que os motores foram proibidos de serem visitados porque sera que motores convencionais não poderiam ser vistos sera que esta reforma no São Paulo tambem sera proibida a entrada de reporter nas salas das maquinas pode me dar alguma informasão ha respeito.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Anselmo. É capaz sim de proibirem isso., Mas não acredito que haja nada lá que os americanos e russos n~]ao tenham melhor. O São Paulo é uma lata velha e não pode operar, hoje, aeronaves mais pesadas que um misero A-4. Para operar um F/A-18A Hornet de primeira geração, suas catapultas teriam que ser potencializadas.
Abraços

johnwolque disse...

caro carlos,gostaria de tirar umas duvidas a efeito de curiosidade:
O porta avioês charles de gaulle tem capacidade para operar o f/a 18 e/f super hornet?
um porta aviões classe nimitz poderia em tese operar um avião como o su 34 fullback?desde já obrigado

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Johnwolque. O Su-34 Fullback não foi projetado para operar embarcado. O Charles de Gaulle poderia, sim operar um Super Hornet, mas precisar de recalibrar a catapulta.
Abraços

AJ disse...

Carlos, o São Paulo poderia operar o Rafale naval?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá AJ. O Rafale operou no São Paulo quando este navio se chamava Foch. Porém, devido a limitações de potência da catapulta. Assim, o Rafale não pode decolar com carga de armas máxima devido a seu peso que excede a capacidade de lançamento destas catapultas.

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!
Sempre observo o comentário a respeito do tipo de aviao a ser operado no sao paulo. Será que os caças gripen seria o ferrão ideal da mb a ser operado no são paulo dado o seu tamanho. E assim sendo, podendo levantar voo com todo o armamento que tem condições de comportar. Uma pergunta, o são paulo tem avião embarcado de alerta antecipado? Esses seriam turbo helice?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião.
O Sea Gripen seria um caça naval leve suficiente para operar com toda a sua capacidade da fraca catapulta do São Paulo. Se bem adaptado au aumento de peso inerente ao reprojeto de um caça normal para funções navais, o Sea Gripen seria uma aeronave particularmente eficaz na proteção da frota e na imposição de superioridade aérea.
Existe a idéia de se usar um turbo hélice C-1A Tracer, recém adquiridos dos estoques dos Estados Unidos.
Abraços

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!!
Grato a atenção dispensada a minha pergunta. Até a próxima e um abraços a todos.

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!!!
Uma curiosidade. O Brasil poderia fabricar e equipar porta-avião e porta-helicoptero, sem precisar precisar de parceria. Isto é, exceto, empresas como a elbit sistem S/A e suas similares pra fornecer componentes eletrônico, assim como elas modernizaram os f5? O Brasil ja constroe navios cargueiros gigantes com tecnologia puramente nossa? Creio que haveria um grande ganho no campo tecnologico e talvez a nível regional. Ja pensou Argentina, Chile com essas belonaves? Sou visionario Carlos. Abraços. Ah! Uma sugestão escreva uma materia somente sobre o NAe São Paulo. Boa sugestão, nao???!!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião.
Creio que até daria, mas seria mais trabalhoso. Sou contra o uso de porta aviões pelo Brasil pois entendo que não temos capacidade financeira de operalos de forma adequada. O dinheiros economizado com a ausência de um navio deste poderia ser usado na aquisição e manutenção de modernos submarinos convencionais.
Abraços

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!!!
Compreendo,concordo contigo, mas, vejo um aspecto interessante e promissor,com o devido respeito a te e aos colegas que expressam um conhecimento substancial sobre o assunto. Mas, creio que, guardada as devidas proporções, a MB ganhou um conhecimento ao longo dos anos no que se refere a doutrina, emprego e adestramento, bem como uma vivência significativa, que futuramente, considerando a possibilidade de um crescimento continuo do nosso PIB, puder operar militarmente um belonave desse porte com o devido poderio militar, tanto no aspecto tecnologico como dos recursos belicos avançados que possam ter. E tal conhecimento, mesmo com um porta-avião destituido de avanços tecnologicos e de aeronaves e suas defesas modernas, enfim, de tecnologia bélica, deu uma capacidade a nossa marinha a tal ponto dos chineses convida-la para adestra-los ao uso dos seus. E prova de que MB é capaz, foi o balde de agua fria na cabeça do Brasil para que não desse tal treinamento. Este fato aconteceu no governo Lula. Perdoe alguns deslizes na linguagem em relação ao assunto. O objetivo foi so mostrar, o que presumo, nossa MB tenha, a real capacidade operar, no futuro, com sucesso e cumprir com o seu papel, um moderno Porta-Avião bem equipado para ações ofensivas ou defensivas.