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Sexta-feira, Setembro 01, 2006

FRAGATA CLASSE HORIZON. Novos horizontes na cooperação naval européia



DESCRIÇÃO
O projeto da fragata de guerra antiaérea da classe Horizon era um programa multinacional com a participação da Inglaterra, França e Itália que teve início em 1992. Porém, a Royal Navy (Marinha da Inglaterra) tinha a necessidade de um navio com armamento um pouco mais pesado, capaz de proteger sua frota em ambientes hostis. Por isso, em 1999 a Inglaterra se retirou do programa seguindo com um desenvolvimento próprio de um navio mais pesado, o destróier Type 45, já descrita neste blog. Assim, a França e a Itália seguiram sozinhas no desenvolvimento deste programa, sendo que cada país encomendou duas unidades da Horizon. Essas fragatas estão sendo construídas pela Horizon SAS, uma joint venture entre a Armaris (Thales e DCN) da França e a Orrizonte Sistemi Navali (Fincantieri e Finmeccanica) da Itália. O primeiro navio, desta classe, o Forbin, começou a ser construído em 2002 e será entregue no final de 2006 para a marinha da França. A missão principal das fragatas da classe Horizon é a defesa antiaérea contra ataques de saturação com mísseis antinavio. Mesmo o projeto tendo este objetivo, ainda sim, a Horizon tem uma poderosa capacidade anti-submarina. A Horizon está configurada para ser enviada rapidamente e a longas distâncias e tem quantidade de combustível e suprimentos para 45 dias no mar.
Acima: Este modelo da Horizon feito no computador nos dá uma boa perspectiva de como será este navio depois de pronto. notem o domo do sonar de cascoTML 4110 CL a frente do navio.
O sistema de comando e controle está sendo desenvolvido pela Eurosysnav, que é uma joint venture entre a Armaris e a Finmeccanica e será baseadoas no sistema de dados de combate Senit 8. O sistema de transferência de a dados (DTS) é fornecido pela Selex Sistemi Integrati. Já o sistema de comunicação totalmente integrado está sendo desenvolvido pela NICCO Comunications SAS, uma joint venture entre a Thales Commnications e a Marconi Móbile SpA. A suíte de comunicação inclui 2 link 11 e 1 link 13 para compartilhamento de dados no padrão OTAN. O sistema de navegação integrado é fornecido pela Sagem e pela Selex. O controle de fogo dos canhões de 76 mm é Selex NA-25. está instalado, ainda, o sistema de busca e rastreio infravermelho SAGEM Vampire MB (IRST).
O armamento instalado nos navios da classe Horizon é, primariamente, voltado para a guerra antiaérea. Por isso o principal armamento do navio é o sistema é o sistema PAAMS lançados verticalmente pelo lançador Sylver A-50 da DCN, francesa, para mísseis antiaéreos Áster 15, com 30 km de alcance e Áster 30 com 100 km de alcance. O número de células de lançamento é de 48 mísseis, o que garante um alto poder de fogo contra ataques de saturação para a Horizon. Esse lançador está montado a frente dos canhões de fogo rápido de 76 mm da OTO Melara que atinge uma cadência de 120 tiros por minuto e um alcance de 8 km, quando usando munição de alto explosivo (HE). Existem mais 2 canhões leves da OTO Melara Mod 503 de 25 mm montados no navio. Para atacar outros navios, a Horizon pode ser armada com 2 lançadores quádruplos para mísseis MBDA Tesseo (Otomat) MK-3, guiado a radar, com um alcance de 55 km, ou mesmo número de mísseis MM-40 Exocet. Há também 2 lançadores duplos de torpedos leves Eurotporp MU-90 cujo alcance é de 12 km.
A Horizon opera um helicóptero médio da classe do NH-90 ou EH 101 Merlin.
Acima: Neste desenho da Horizon, pode-se ver bem o lançador vertical Sylver A-50 para mísseis Aster 15/ 30 , logo a frente dos canhões de 76 mm. esses mísseis são muito ageis e podem manobrar a 62 Gs.
O sensor principal da Horizon é o radar Thales/ Selex S-1850 M, de busca de superfície e aérea, com um alcance de 400 km, que trabalha de forma integrada com o radar de abertura sintética multifunção Selex EMPAR com capacidade de detectar alvos e rastrear 69 deles a um alcance de 180 km contra alvos de 10m2 ou 50 km contra um alvo de 0,1m2 (furtivo). O radar S-1850 M passa a informação sobre os alvos que se mostrem suspeito ou ameaçadores para o radar EMPAR, para que este faça a mira e controle de fogo para o sistema de mísseis antiaéreo Áster. Para busca de superfície, é usado o radar Selex RASS que opera na banda E e F, (de 2 GHz até 4 GHz) e para navegação é usado um radar Selex SPN 753 (v)4 que trabalha na banda I (de 8 GHz a 10 GHz). Para detecção submarina está instalado um sonar de casco TML 4110CL de longo alcance.


Acima: O desenho da fragata Horizon tem o objetivo de diminuir a sua assinatura de radar e otimizar o seu espaço de forma a tornala mais eficiente.
O sistema de defesa eletrônica da Horizon é composto de um dos mais avançados radares ESM (medidas eletrônicas de apoio) do mundo e um sistema de ECM (contramedidas eletrônicas). O componente do ESM será caracterizado pela alta sensibilidade e precisão para apontar a direção da fonte de radar que estiver rastreando o navio. Já o ECM terá alta potência de transmissão, agilidade ma reação contra múltiplas ameaças através de memória de freqüência múltipla digital de rádio em banda larga. Os navios franceses estarão equipados com o novo sistema de defesa eletrônica da EADS Dagaie, que consiste em 2 pares de lançadores de iscas infravermelhas, de radar e acústicas para defesa contra torpedos. O navio italiano, por sua vez, será equipado com o sistema de iscas Infravermelhas e de radar da Oto Melara/ Selex SCLAR H. Nas duas versões da Horizon será instalado um sistema de defesa torpédico SLAT do consorcio Euroslat, que com sua alta precisão detecta e classifica o ataque para fornecer uma resposta efetiva para defender o navio.
A propulsão da Horizon é do tipo diesel elétrica (CODOG), com 2 turbinas a gás da General Electric LM2500/ Avio que produzem 53 MW cada e 2 motores a diesel SENT Pieltick que produzem 8 MW cada. Esse arranjo leva a Horizon a uma velocidade máxima de 58 km/h. O alcance da Horizon é de 13000 km quando navegando a uma velocidade econômica de 33 km/h.

Acima: Podemos observar, desse angulo, o heliponto para operação do helicóptero médio. A versão fracesa usará o helicóptero NH-90 e a versão italiana usará o Agusta Westland EH-101 merlin.
FICHA TÉCNICA
Tipo: Fragata de escolta antiaérea.
Tripulação: 230 tripulantes.
Data do comissionamento: 2006.
Deslocamento: 6700 toneladas (totalmente carregado)
Comprimento: 153 mts.
Boca: 20 mts.
Propulsão: 2 turbinas a General Electric LM2500 Avio e dois motores a diesel SENT Pieltick
Alcance: 14000 Km
Sensores: Radar de busca e rastreio Selex EMPAR com 180 km de alcance, radar de busca de longo alcance radar BAE/Thales S1850 com 400 km de alcance, Sonar TML 4110CL.
Armamento: AAW: 1 lançador Sylver A-50 de 48 células para mísseis Áster 15/ 30, ASuW :2 lançadores de 4 mísseis antinavio MBDA Tesseo, 2 canhões Oto Melara de 76 mm, 2 canhões Oto Melara de 25 mm antiaéreos, ASW: 2 tubos duplos de torpedos Eurotorp MU-90
Aéronaves: Um helicóptero Agusta/ Westland EH101 Merlin ou um NH-90 ASW.



13 comentários:

gustavo disse...

Esta fragata seria a melhor escolha para o Brasil?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Gustavo.
Realmente seria ideal um navio tão capaz cmo esse para o Brasil. Porém temos que nos lembrar do sério problema de orçamento da marinha brasileira, dado ao descaso gritante do governo brasileiro. Certamente que esse navio é caro demais para nossas possibilidades atuais.
Abraços

Luiz disse...

Olá Carlos,A fragata horizon tem capacidade de operar em ambientes extremamente hostis? e pq esta fragata naum corresponde as necessidades da marinha britanica??

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Luiz. Certamente que a Horizon pode operar em ambiente hostis. Porém a Inglaterra precisava de um navio um pouco mais bem armado... e por isso produziu um destróier, uma categoria um pouco maior que a uma fragata.
Abraços

eduardofdasilva disse...

Fiz uma viagem de reconhecimento na classe Andrea doria, o navio é exelente o seu CIC é extremamente moderno e seu sistema é totalmente intuitivo, de fácil operação, seria um ótimo navio de patrulha para nossa marinha, já que o projeto não é tão caro, haja vista o que já foi gasto com os demais navios.

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!!!
Excelente a capacidade tem a fragata horizon para defesa antiaerea, porém, com notável letalidade anti-submarina.
Carlos, nossa Presidenta, tem a sua disposição, para gastar como quiser, a quantia de 60 bilhões. Alguma coisa poderia ser feita. Será que estas informações e o site campo de batalha não é do conhecimento dela? Se ela podusse tomar conhecimento e visitar, creio que teria uma visão real das nossas forças armadas e assim mudar a sua percepção e a do congresso que sustentamos.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião.
Tenho a impressão de que a Dilma não respeita os militares... ela apenas os "engole a seco". Por isso eu acredito que ela tem uma forte tendência a não liberar muitos investimentos na forças.
Abraços

Guardião ATM disse...

Saudações, Carlos!!!
Eu sou reservista. Fui de uma arma tradicional e conservadora, digo, não como lamento, mas, no tocante a disciplina rigida. Esta arma a que me refiro é o Exercito. Ela, a Presidenta, como ex-guirrilheira, conhece, também, o que significa a disciplina e a importância de está preparada e aparelhada para qualquer situação. Obviamente, eu não tenho o teu preparo, experiência e a vivência de caserna a sua altura, com todo o respeito a preparação que recebi no ano de 1978 e a arma a que servi com afinco e nacionalismo. Peço,respeitosamente, licença pra expor a minha opinião particular. Creio que o estorvo se faz com os políticos mercenários e corruptos que permeiam o Congresso Nacional. Não cito nomes, embora os conheça um por um. Contudo, ainda percebo, talvez, por gostar de sociologia, filosofia e ciencias políticas e por ser um sonhador, na possibilidade dela fazer alguma coisa. Eu não me curvo a governo e sim a nação. O fato que me fez perceber, nas entrelinhas, a possibilidade dela fazer alguma coisa, foi o fato dela isentar a industria bélica nacional de imposto e outras coisas mais. É ironico o destino. Porém, depois da década de 80, nenhum governo olhou para a nossas augusta Forças Armadas. A década de 90 representa uma desonra governamentalmente falando para a nossa Pátria. O Brasil conseguiu erguer a cabeça depois da década de 90. Carlos, como reservista, peço permissão para falar, como civil e cidadão, externo o que venho observando desde a década de 80 até o presente momento todos os governos que passaram. Eu, não nego, fico surpreso com o governo do PT. Sinceramente, eu esperava o contrário do Governo Lula e hoje, o caos, mas, hoje eu dou os parabéns. Ele levantou a cabeça do Brasil diante dos EUA, apesar de não ter formação acadêmica, de forma elegante e cativante, ganhando o respeito e admiração do do Presidente e cientistas políticos. Enfrentou a Europa, adentrou na Asia e tem mais coisas..., bom, eu paro por aqui e depois a gente continua. Desculpa, Carlos, como Pedagogo e Graduando em Ciências Contábeis, a gente termina aprendendo outras coisas. Grande abraço.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião. Eu não sou ptista (muita gente pensa que eu sou)Eu spu "Lulista" pois embora eu não tenha votado nele na primeiro mandato, ele ganho com força meu respeito e costumo defender o seu governo com unhas e dentes e já me indispus com amigos por isto. Sou criado na classe media alta e hoje, cai de condição social e meus melhores amigos hoje são pessoas que subiram para classe media por conta do extremo bom governo do Lula. Admito que o governo Lula, de longe, foi o melhor para os militares , embora falte muito ainda. Entre os militares , faltam equipamentos, assunto que sempre bato forte nesse blog, mas sei que os salários dos militares não condiz com sua importância para o Brasil. Eu não gosto da Dilma
Não a vejo como uma pessoa confiável. Alias enxergo ela com os mesmo olhos que vejo o José Dirceu. Um FDP que estudou em faculdade para saber roubar sem ser pego.
Eu não baixo as armas e mantenho fogo contra o governo enquanto assuntos como o FX , compra de navios de superficie, e a substituição do FAL não estiverem resolvidos. A questão dos caças, é a que mais me deixa puto, pois além de serem poucos caças, o assunto demorou tanto que já se deve por em duvida a validade dos modelos que concorreram.
Outra coisa... Eu gostava muito do Jobim. E ele saiu porque não se dá com a Dilma.... e entre os dois, eu fico com ele, fácil, fácil.Ele tem muito mais postura e firmeza que ela.
Abraços

johnwolque disse...

caro Carlos,venho acompanhando a algum tempo seu blog e confesso que sempre está entre a primeira ou a segunda opção ao ligar meu pc,apesar de gostar do assunto ,sou leigo por isso me corriga se estiver falando bobagem,sobre esta fragata antiaérea etbm o novo destróier HMS Daring com a msma missão, com o aparecimento de misseis como PJ-10 BrahMos e o cujo o alcance chega a 300 km e velocidade supersônica como fica a situação destes navios perante a esta ameaça?como pode estes navios proverem proteção a um grupo de batalha ? afinal seu principal armamento é o Aster 30 com 100 km de alcance,a meu ver um atacante pode lançar um ataque de uma distancia bastante confortavel

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá John. Sua observação é bastante correta e os estrategistas militares já pediram a industria militar que desenvolvam soluções para este tipo de ameaç]ão que não é, apenas, representada pelo poderoso missil BrhaMos, mas também por uma variedade de outros mísseis como o P-800 russo, Moskit, também russo. O pessoal da Inglaterra já tem uma solução em fase final de testes e que deve estar embarcada nas fragatas Type 23 em 2016 e depois nos outros navios da esquadra. A solução atende pelo nome de sea Ceptor e é uma versão modificada do agil míssil AIM-132 Asraam para lançamento vertical de lançadores silver e MK-41 navais. Este missil entrará no lugar de canhões como o Phalanx e dos misseis Sea Wolf e terá mais que o dobro do alcance e uma alta velocidade (mach 3) para poder lidar com ameaças supersônicas vindo de multiplas direções simultaneamente.

Rob. Jr. disse...

Olá, Carlos, mais uma vez estou aqui para sanar uma dúvida. A potência da propulsão está correta? Pois na conversão de MW para hp o resultado foi de 71000 hp só nos motores GE, e é um número muito superior a outros de sua classe

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Rob. Está correto mesmo. É um navio potentíssimo.
Abraços.