PESQUISA DE EQUIPAMENTOS

Pesquisa personalizada

Terça-feira, Agosto 05, 2008

PROJECT 971 SCHUKA – B “AKULA”. O mais silencioso submarino nuclear de ataque da marinha russa


DESCRIÇÃO
Quando se fala em submarinos russos, existe uma confusão relacionada ao nome “Akula” que é usado para dois submarinos diferentes russos. Na verdade o que temos é que a OTAN tem sua própria nomenclatura para classificar os submarinos russos, uma herança da guerra fria, porém com a abertura russa os nomes verdadeiros “originais” estão disponíveis para qualquer um que pesquise sobre o assunto. O nome “Akula” é usado pela OTAN quando se referir submarino nuclear de ataque (SSN) Project 971 Shuka – B a marinha russa. Porém, a marinha russa usou o nome “Akula” para batizar um dos seus mais formidáveis submarinos, o “Typhoon” cuja nomenclatura é usado pela OTAN. O Typhoon já foi descrito neste blog é trata-se de um supersubmarino lançador de mísseis balísticos. Na verdade é o maior submarino já construído.
Acima: O formato sinuoso e o sonar em forma de "gota" atras do submarino, são as caracteristicas mais marcantes para o rapido reconhecimento da classe.
O melhor submarino nuclear de ataque na frota russa nos dias de hoje, o famoso submarino classe Project 971 Schuka-B “Akula” pela nomenclatura da OTAN é um importante elemento de dissuasão para a marinha russa.
Dos 12 submarinos dessa classe que foram construídos a partir de 1982 permanecem em uso, hoje, 9 embarcações. O Akula chama a atenção por suas capacidades avançadas. Certamente é o submarino de ataque russo mais respeitado, dado a sua capacidade de manter uma operação silenciosa por tempo indeterminado. Na verdade o submarino da classe Akula é o mais silencioso submarino movido a energia atômica em serviço da marinha russa atualmente. Com uma velocidade máxima de 35 nós (68 km/h) quando submerso e 10 nós (19 km/h) em superfície, o Akula pode ser considerado um dos mais rápidos submarinos do mundo. Sua propulsão é composta por um reator nuclear OK-650B que produz 190 Mw de energia que trabalha integrado a uma turbina a vapor OK-7 que desenvolve mais 35 Mw de energia e 43000 Hp de potencia. Esse sistema também possui dois motores OK-2 auxiliares a diesel que produzem 750 Hp cada. O Akula tem uma única hélice com 7 pás e seu casco duplo reforçado permite um mergulho de profundidade máxima de 650 metros.
Acima: O sonar MGK-540 aparece em primeiro plano nesta fotografia. Depois da queda do regime sovietico a qualidade das fotografias de seus sistemas de armas melhorou dramaticamente.
O armamento do Akula é composto por 8 tubos de torpedos, sendo 4 de 533 mm e 4 de 650 mm. Entre os torpedos de 533 mm que podem ser usados está o UGST que desenvolve cerca de 50 nós (92 km/h) consegue um alcance próximo de 40 km. A carga explosiva deste torpedo é de 200 kg. O torpedo de alta velocidade Shkval, cuja velocidade atinge incriveis 200 nós (370 km/h) também pode ser usado pelo tubos de 533 mm do Akula. O alcance destes torpedos em suas versões iniciais é de 7000 metros, porém as atuais versões podem atingir um alvo a 15000 metros.
O ponto forte do armamento do Akula são os 12 mísseis de cruzeiro SS-N-21 Sampson que são lançados dos 4 tubos de torpedos de 533 mm. Este poderoso míssil se equivale ao famoso míssil de cruzeiro norte americano Tomahawk, sendo que seu alcance chega a 2500 km transportando uma ogiva nuclear de 200 Kt. O sistema de guiagem é inercial com um computador de vôo que permite o acompanhamento do terreno em vôo a baixa altitude e uma margem de erro (CEP) de 150 metros. Além do míssil SS-N-21, também são usados os mísseis de cruzeiro antinavio SS-N-15 Starfish, que são lançados dos mesmos tubos de 533 mm e cujo alcance chega a 45 km. Uma característica interessante sobre o míssil Starfish é que ele pode ser equipado com uma ogiva nuclear de 20 Kt (equivalente a que foi usada em Hiroshima na 2º grande guerra), o que lhe possibilita a destruir um porta aviões com apenas um impacto, ou ainda pode ser equipado com um torpedo Type 40, que seria lançado na água próximo do alvo. Há ainda a capacidade de lançar mísseis SS-N-16 Stallion, antinavio, porém com maior alcance (120 km) e ogiva maior que o Starfish. Os mísseis Stallion são lançados dos outros 4 tubos de torpedos, de 650 mm. O Akula é um dos poucos submarinos com um sistema de mísseis antiaéreo. Ele está armado com lançador de mísseis SA-N-8 Strela, que guiado por calor, é capaz de destruir um alvo aéreo de baixo desempenho a um alcance máximo de 5000 metros.
Acima: O missil de cruzeiro SS-N-21 Sampson é um armamento nuclear de uso tatico, capaz de detonar uma ogiva de 200 Kt a uma distancia de até 2500 km. Ao todo 12 destes misseis são transportado no Akula.
No que se refere a os sensores, o Akula é bem equipado. Um radar de busca de superfície Snoop Pair, um equipamento nem sempre presente em submarinos mas que fornece valiosos dados sobre possíveis alvos de superfície, dando maior letalidade e flexibilidade ao submarino. O sonar usado pelo Akula é o MGK-540 que fornece detecção automática do alvo informando distancia e classificação do alvo.O MGK-540 pode operar de forma passiva em busca de sinais de sonares inimigos filtrando os sinais de sonares com os ruídos naturais do fundo do mar e facilitando a classificação e identificação dos alvos. O sistema de sonar do Akula é um dos mais eficientes desenvolvidos pela Rússia e certamente um sério problema para o submarino ou navio que esteja enfrentando o Akula.
O Akula é um dos poucos submarinos nucleares que foi exportado. A India arrendou um Akula II por 10 anos devendo receber o Akula II em 2009. Ao final do contrato há a opção de compra definitiva do submarino. Esse arrendamento dos indianos foi a solução encontrada para o atraso no desenvolvimento do seu proprio submarino nuclear ATV e para que a marinha daquela nação treine em um equipamento do mesmo tipo que estão desenvolvendo. A China, também estuda a compra do modelo.
Acima: Estes dois submarinos Akula, repousam em sua base no mar negro. Esses modernos submarinos foram, durante a guerra fria, uma grande dor de cabeça para os estrategistas do ocidente.
FICHA TÉCNICA
Comprimento: 111,7 m
Largura: 13,5 m
Velocidade máxima: 35 nós (68 Km/h) submerso ou 10 nós (19 km/h) na superfície.
Profundidade: 650 m
Armamento: 4 tubos para torpedos de 533 mm, 4 tubos de torpedos de 650 mm, 12 mísseis de cruzeiro SS-N 21 Sampson, 28 mísseis SS-N-15 Starfish ou SS-N-16 Stallion antinavio. Mísseis SA-N-8 Strela anti aéreo.
Tripulação: 73
Propulsão: Um reator nuclear OK-650B pressurizado a agua que produz 190 MW, Uma turbina a gás OK-7 que produz 43000 Hp de força mais 2 motores auxiliares OK-2 com um rendimento de 750 Hp cada.
Sensores: Sonar MGK-540 e radar de busca de superfície Snoop Pair.
Abaixo: Uma sequancia de fotos em varios angulos de uma maquete de um submarino Akula e um desenho ao final desta sequencia, que pode ser usada para poder reconhecer melhor este excelente submarino de ataque.







ABAIXO, UM VIDEO COM BELAS IMAGENS DO AKULA EM SUA VERSÃO II.

Algum comentário ou sugestão? Mande um e-mail para: campodebatalha.blogs@gmail.com


20 comentários:

José Maurício disse...

Primeiramente gostaria de parabenizar pelo post. Realmente a marinha russa e sua frota de submarinos ainda impõe respeito na USNavy. Mas gostaria de fazer um questionamento. Sempre ouvi que os submarinos mais silenciosos do mundo são os Classe Seawolf/Virgínia da marina dos EUA.
Também me lembro de ter lido um depoimento de um general russo dizendo que os submarinos russos não são capazes de detectar os americanos, já esses tem facilidade em detectar os russos...
Afinal, qual o mais silencioso submarino nuclear ??? Ohio, Seawolf, Akula, Typhoon, Virígina ??? Sempre ouvi dizer que os americanos ainda tem a melhor tecnologia de construção de submarinos.

Um abraço

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá José Mauricio. Obrigado pelo elogio!. Você está correto com relação ao fato dos submarinos mais recentes dos estados Unidos serem considerados mais silenciosos que o modelo Akula, que na verdade é o mais silencioso entre os subs de ataque (não lançadores de misseis balisticos) da marinha russa
Vou corrigir esta informação no Blog. Obrigado por levantar esta duvida pois na hora de eu pesquisar a resposta para voc~e percebi que meu texto estava errado.
Abraços

Bruno disse...

Oi Carlos.Já que o AKULA foi exportado haveria a possibilidade do Brasil importá-lo.Porque se isso ocorrer creio eu que o programa do nosso SNA(submarino nuclear de ataque)só teria a ganhar principalmente na questão do casco onde a marinha está tendo problemas.Um abraço,Bruno.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Bruno.
Embora concordo com vc que a aquisição de um sub nuclear importado fosse um avanço notavel e rapido em nossa forta, o ministério da defesa já se manifestou que não importará um submarino pronto... e que quer desenvolver aqui, com transferencia de tecnologia de como se constroi o casco, um dos maiores desafios para nossa engenharia.
Abraços

EOK - Elite Order of the King disse...

Esse submarino aqui no Brasil seria ótimo, pena que nosso governo só pense nisso no último instante, é o caso do lançamento da "nova" Corveta, para patrulhar o novo campo de sal e que os USA já estão de olho criando estratégias para dominar esse espaço dentro de nosso território.
o mundo já viu grandes vilões, Gengis Khan, Nero, Hitler, Mussolini, ...
e agora o tio Sam quer a sua vez...

"o povo tem que parar de pensar apenas no futebol, cerveja e samba como meta de vida...."

Abs

falcon disse...

Parabens Carlos por mais um artigo exelente.
Parece que a capacidade de mergulho do Akula é muito superior a dos submarinos ocidentais, mesmo os subs ocidentais sendo mais silenciosos ésta capacidade de mergulho superior não coloca o Akula em vantagem? pelas descrições que vc fez acima, considerando a capacidade do sonar e o moderno armamento o Akula parece imbatível.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Falcon. Mais uma vez agradeço seus elogios. O Akula está entre os mais eficazes e mortiferos submarinos já conbstruidos. Vejo que apenas a nova geração de subs dos EUA são capazes de desempenharem a sua função de forma similar ao Akula, embora os navios norte americanos tenham sensores muito mais avançados lhes permitindo executar um maior numero de tarefas.
Abraços

Lelis1274 disse...

e aí, carlos!!!
excelente matéria!! também seria interessante uma matéria sobre a classe alfa (projeto 705 - Lyra), submarinos muito pequenos , com função anti porta-aviôes, incríveis..

b r e n o disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Breno. A China construiu um submarino nuclear com ajuda russa. Mesmo assim, esse submarino era extremamente ruidozo. Não adianta querer pular os degraus necessários para o desenvolvimento tecnologigoco. A RFrança fornecerá apenas o casco. O custo do desenvolvimento do submarino brasileiro está caro por dois motivos, primeiro por ser o primeiro com essa tecnologia e com uma propulsão desenvolvida aqui, segundo que por causa do corte de verbas, o projeto se arrastou por anos, consumindo dinheiro publico, sem que houvesse o investimento certo para finalizar isso.
O primeiro sub nuclear brasileiro não será um super submarino... mas será um primeiro passo, para termos esse tipo de tecnologia e assim desenvolver uma segunda geração, mais eficiente.
Abraços

kleslei_@hotmail.com disse...

ele o mais silencioso submarino russo e o do mundo vc sabe dizer qual e gostaria de ver uma materia sobra a classe OSCAR II se não me engano esse e o mais poderosos submarino da armada russa

Probus disse...

INFOGRAFIA: Severodvinsk (submarino de ataque nuclear)

K-329 Severodvinsk - 4th-generation Project 885 Yasen/Graney class nuclear

http://en.rian.ru/infographics/20100601/159255270.html

Probus disse...

Rússia para transferir seus sub Nerpa nuclear para a Índia no outono de 2010

http://en.rian.ru/mlitary_news/20100602/159262563.html

b r e n o disse...

Olá Carlos, o futuro K-329 Severodvinsk - projeto de quarta geração do Akula, 885°, poderá ser cosiderado melhor que o virginha americano ja que ele é o melhor submarino de sua categoria atualmente.?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Breno. Eu ainda não sei lhe responder pois ainda não estudei sobre este submarino. Mas ele já está na minha lista de futuras matérias e colocarei essa impressão, caso haja, no texto sobre ele, no futuro.
Abraços

Thiago A. disse...

Olá Carlos. Vc ainda irá fazer um artigo sobre o Kursk ?

Sobre ele tenho tenho 3 dúvidas: o que ocasionou aquele acidente? Aliás, foi mesmo um "acidente"?
E a negligência russa no resgate aos tripulantes foi proposital, como forma de eliminar testemunhas de algo incoveniente ?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Thiago. Ainda não decidi se farei um artigo sobre o Kursk., mas soube que, oficialmente, o que causou o acidente, foi o disparo acidental de um torpedo Shkval dentro de um tubo fechado.
Abraços

C. disse...

Ou seja, o urubu de baixo, fez no de cima:?

Anselmo disse...

Carlos naõ me lembro qual o programa de tv,mas um dos responsaveis pelo projeto do reator brasileiro,comentou que nosso cistema de propulsão era mais avançado,que havia pois girava eletromagneticamente assim,não avendo atrito enão avendo atrito consequentemente,não averia ruido que é o maior inimigo de um submarino,pois é ele que o intrega ao inimigo,TU podes me dar informações arespeito disto se for verdade nossos subs ceriam mais cilenciosos que os subs franceses.mais uma vez parabens

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Anselmo.
Desconheço este comentário. Porém sei que temos reatores nucleares que geram energia elétrica para fins civis que dispões dessa tecnologia descrita e que não geravam nem desgaste de peças. Não sei se este sistema está sendo usado no propulsor do nosso submarino, mas vou me informar. Tenho um contato dentro do projeto do sub.
Abraços