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Quarta-feira, Abril 08, 2009

DCNS CLASSE BARRACUDA. O futuro caçador da marinha francesa


DESCRIÇÃO
A França está entre as nações com maior poderio bélico do planeta. Em defesa de seus interesses estratégicos a França conta com forças armadas completas com todos os tipos de sistemas de armas, incluindo submarinos de propulsão nuclear desenvolvidos com tecnologia local para manter sua independência nessa área critica.
Atualmente a marinha francesa conta com 4 submarinos nucleares de ataque da classe Rubis e 2 da classe Amethyst, de projeto mais recente, tendo entrado em serviço em entre 1992 e 1993. Essas 2 classes de submarinos serão substituídos por uma única nova classe de submarino batizado de Barracuda.
Vale ressaltar aqui que submarinos de ataque com propulsão nuclear têm como principal missão destruir submarinos inimigos, principalmente os que sejam armados com mísseis balísticos. Assim o Barracuda será, essencialmente, um caçador anti-submarino, porém com capacidade de atacar alvos de superfície, tanto naval como alvos em terra. A entrada em serviço do Barracuda está prevista para o ano de 2017, sendo que seus “irmãos” serão entregues em um ritmo de 2 em dois anos terminando com a entrega do sexto submarino em 2027.
Acima: O Barracuda será 70% mais pesado que os submarinos da classe Amethyste e poderá permamcer por mais tempo em uma missão que os submarinos antecessores
O Barracuda será propulsado por um reator nuclear derivado no modelo K-15 usado no submarino estratégico Lê Triomphant e no porta-aviões Charles de Gaulle. A potência desse novo reator será na casa dos 40000 hp. A hélice usada para impulsionar o submarino será substituída pelo sistema de jato de água que permite uma navegação mais silenciosa. Este sistema já é usado, atualmente, pelo submarino Lê Triomphant e levará o Barracuda a uma velocidade máxima de 25 nós (46 km/h) quando submerso ou 14 nós (26 km/h) na superfície. O combustível nuclear do Barracuda precisa ser reabastecido a cada 10 anos enquanto que o submarino tem comida para a manter a tripulação de 60 homens por 50 dias. A profundidade máxima que o Barracuda poderá descer será de 350 m.
Acima: Neste desenho podemos ver o esquema do Barracuda em corte. Provavelmente alguma tecnologia empregada no casco deste submarino seja usada na construção do submarino nuclear brasileiro uma vez que a França assinou um acordo em que fornecerá apoio tecnico na construção do casco.
O Barracuda será armado com 4 tubos de torpedos pesados de 533 mm preparados para operar o torpedo Black Shark desenvolvido pela DCN e pela WASS italiana. O Black Shark é movido por um motor elétrico que permite uma velocidade máxima de 50 nos (92 km/h) e um alcance maximo de 50 km. O Black Shark é guiado por um avançado sonar ativo/ passivo com capacidade multialvos e com grande resistência a contramedidas torpédicas (iscas). Essas características fazem do Black Shark um dos melhores torpedos ocidentais atualmente. O Barracuda será equipado mísseis convencionais. Uma destes mísseis é o míssil MBDA SM-39 Exocet. Este é a versão lançada de submarino deste que é o mais popular míssil antinavio do mundo, graças a seu sucesso na guerra das Malvinas. O SM-39 tem um alcance de 50 km e usa uma ogiva de 165 Kg que é detonada por aproximação ou por retardo após o impacto, sendo que essas opções são configuráveis na hora do lançamento, que é feito pelos tubos de torpedos do Submarino. O outro míssil que será operado pelo Barracuda é o moderníssimo míssil SCALP N (Naval) desenvolvido pela MBDA. O Scalp N é similar ao famoso míssil norte americano Tomahawk e terá um alcance de 1000 km e usa o sistema Tercom para guiagem. A ogiva do Scalp N será a BROACH capaz de destruir alvos reforçados como bunkers e edificações.
Acima: O missil SCAP N será lançado neste casulo torpédico pelos tubos de torpedos do Barracuda. este missil permitirá destruir alvos 1000 km terra a dentro.
O sistema de sonar do Barracuda será desenvolvido pela Thales Underwater Systems e será composto por um sonar rebocado e por um sonar de casco de grande abertura.
O Barracuda contará, também, com um sistema de gerenciamento de combate chamado SYCOBS desenvolvido pela DCN em parceria com a Thales. Este sistema integra os dados recebidos pelos sonares e outros sistemas de sensores como o periscópio eletrônico, radar ou sensores de outros sistemas externos como aeronaves de patrulha, navios de superfície e de satélites e apresenta esses dados de forma fácil para os operadores do submarino para que se possa tomar as providencias tática necessária para se lidar com o cenário apresentados.
É interessante notar que esse sistema foi instalado no ultimo submarino estratégico da classe Lê Triomphant, o Terrible.
Acima: O desenho usado no Barracuda lembra o do submarino diesel elétrico Scorpene, porém sem a helice.
O Barracuda usa tecnologia desenvolvida nos projetos do Lê Triomphant e no moderno submarino diesel elétrico Scorpene. Seu desenho lembra o de um Scorpene, porém de maiores dimensões. Na verdade o Barracuda desloca 70% mais peso que seu antecessor da classe Amethyste. Outra interessante característica do Barracuda é a capacidade dele transportar, além dos seus 60 tripulantes, mais 15 soldados totalmente equipados para missões de operações especiais e comando.
A França continuará a manter seus investimentos em desenvolvimento de submarinos avançados pois a sua política de defesa estratégica tem nesses sistemas de armas, seu principal elemento dissuasor.
Acima: O Barracuda é um projeto para ser desenvolvido ao longo de pelo menos 8 anos. Muitas itens relacionados a seus sitemas e desempenho ainda não estão completamente definidos.
FICHA TÉCNICA
Comprimento: 85 m
Deslocamento: 5300 toneladas (submerso)
Largura: 8,8 m
Velocidade máxima: 25 nós (46 km/h) submerso e 14 Nós (26 km/h) em superficie
Profundidade: 350 m
Armamento: 4 Tubos para torpedos de 533 mm para torpedos Black Shark, mísseis SM-39 Exocet, mísseis de cruzeiro SCALP N. Ao todo são transportados 20 unidades dos torpedos e mísseis em um mix que variará de acordo com a necessidade da missão.
Tripulação: 60 + 15 soldados para operações especiais.
Propulsão: Um reator nuclear Type K-15 com 40000 Hp. Propulsão auxiliar é feita por 2 motores diesel elétrico SEMT-Pielstick de 480 KW.
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22 comentários:

willian disse...

seria legal saber,o valor do projeto e de cada unidade?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Willian. O custo unitario do Barracuda está em 1 bilhão de euros. Certamente é um pouco caro de mais....
Abraços

Gabriel Coli disse...

Boa noite Carlos, gostei muito do seu Blog, tenho um Blog o Descontinuando, fica o convite para acessar e dar uma olhada, eu posto sobre Curiosidades, noticias e tecnologia, e com certeza gosto de técnologia militar e história, meu ultimo post até o Momento é sobre o Yamato navio Japonês da Segunda guerra mundial, mas estou sempre postando algumas coisas legais, posto mais Sobre aviões Militares, gosto muito. E coloquei o seu Blog como um dos que eu recomendo.

Um bom feriadão Carlos cuide-se.
Abraço.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Gabriel.
Agradeço suas palavras. Mande para mim o endereço de seu blog para eu poder conhecer.
Abraços

Luiz disse...

Olá Carlos,parabens pela excelente matéria!!!
Gostaria de lhe perguntar se potencias como frança e inglaterra que usam submarinos nucleares de ataque,utilizam ou tem necessidade de utilizar submarinos diesel eletricos?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Luiz. Esses países não usam submarinos convencionais, mesmo a França sendo um fabricante desse tipo de submarino. Submmarinos convencionais são mais silenciosos que os nucleares e por isso são considerados uma séria ameaçã a grandes grupos de batalha.
Abraços

falcon disse...

Olá Carlos, mais um exelente artigo. Muito avançado este sub francês, gostaria de saber se os franceses possuem torpedos supercavitantes e qual é mais vantajoso em combate o supercavitante ou o aérotransportado como os da familia Klub S?
Abraços!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Falcon. Obrigado. O torpedo supercavicante é ainda uma exclusividade da engenharia russa. Há problemas com relação a capacidade de manobras desse tipo de torpedo pois a elevada velocidade impõe esse tipo de restrição. Como pode ver, nem tudo é absoluto quando se fala em desempenho de uma arma. Contra um alvo em linha reta, de preferencia parado, esse tipo de torpedo é garantia de morte, mas se o alvo está em movimento e manobra rapido, a conversa muda. Sobre qual é mais vantajoso, a resposta é relativa a cada situação. Contra um alvo submarino, um sistema aerotransportado pode ser mais interessante pois ele aparece do nada para o submarino atacado deixando menos tempo de reação.
Abraços

falcon disse...

Obrigado pela resposta Carlos, sabe que gosto muito deste blog. Se não for pedir muito gostaria de uma matéria exclusiva sobre a família de misseis klub S.
Abraços!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Falcon. Vou anotar sua sugestão.
Abraços

geudice disse...

Vi a reportagem sobre a classe Barracuda. Acho que o que será produzido no Brasil deve ser bastante semelhante. Um submarino nuclear pequeno, e moderno.

geudice disse...

Acho que os Franceses não iriam perder tempo, fazendo um projeto novo se submarino, e exclusivo para o Brasil.

b r e n o disse...

Carlos não seria mais interessante para o Brasil fazer uma parceiria com os fracesses na construção desse SSN Barracuda em vez de dar caminhão a um projeto nosso que ja esta absoleto em tempos atuais, tipo ao do scorpene fraça e espanha, mesmo que elevasse o custo do programa da mb que inclusive ja é bem caro ja que não temos tecnologia para isso.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Breno. Uma "parceria" com a França nesse programa obrigaria a uma transferência de tecnologia relacionado a propulsão nuclear. Isso é problemático e se não me engano, proibido pela legislação francesa.
A França fornecerá, apenas o caso do sub nuclear brasileiro, pois a propulsão é 100% nacional. O Scorpene não é obsoleto. Quem afirma que o Scoerpene é obsoleto são as matérias pagas pela concorrência nos jornais da grande imprensa.
Abraços

azul disse...

Interessante, é o primeiro que vejo sem as aletas na frente. Imagino que vai ser um sub muito silencioso. Mas pelo que soube os reatores do Charles de Gaulle são um tanto problemáticos.

Será que a tecnologia de jato d´agua para propulsão estará no acordo com o Brasil?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Azul. Certamente que não. O acordo só vislumbra o casco do submarino nuclear. Todo o resto será de projeto brasileiro e não temos know-how para uma propulsão tão avançada.
Abraços

b r e n o disse...

Ola Carlos não seria mais interessante para a mb do Brasil se a França disponibilizasse a classe Barracuda numa opção convencional para a mb como era a classe anterior Rubis que tinha nuclear e convencional. assim depois o Brasil nuclearizar elas quando obter tecnologia suficiente ja que o Brasil não pode ser parceiro da França no totalja que o congresso deles proibem a transferencia de tecnologia nuclear.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Breno. O casco do submarino nuclear brasileiro será baseado no modelo Barracuda, pelo que soube.
Abraços

b r e n o disse...

Olá Carlos, tenho uma duvida, é queria tira-la. Em relação aos submarinos nucleares, qual o custo em media do reator e seus sistemas de propulsão em relação ao custo total do submarino?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá breno. Infelizmente desconheço esta informação. A unica coisa a respeito que sei, pois leio com freqüência é que o custo de operação de submarinos nucleares é alto.
Abraços

Guardião ATM disse...

Olá Carlos!!!
A ausencia de hélice e o sistema de propulsão a base de jato de água me faz lembrar um livro sobre a deserção de um sub russo chamado, salvo engano, outubro vermelho. Creio que as semelhanças guardas, nas devidas proporções, será rentável na construção do scorpene. O que nos falta é recurso. Se o congresso brasileiro não tivesse tanta ganancia por dinheiro, estariamos bem avançados nas pesquisas destes vasos de guerra. Grande abraço Carlos.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião.
O Outubro vermelho é esse aqui: http://navalpowercb.blogspot.com/2006/06/submarino-classe-typhoon-tipo-941-o.html
Submarinoi nuclear lançador de misseis balísticos classe Typhoon.
Abraços