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Sexta-feira, Novembro 06, 2009

HYUNDAI HEAVY INDUSTRIES CLASSE SEJONG. O Controle do Mar Amarelo


DESCRIÇÃO

A Coréia do Sul tem sua defesa intimamente ligada influencia militar e industrial dos Estados Unidos. Todos os meios de combate, das três forças principais de defesa da Coréia do Sul são fabricados sob licença ou tem importante participação da industria norte americana.

O navio de guerra foco deste artigo é um exemplo claro. O destróier KDX III ou, classe Sejong, como também é conhecido, é o mais poderoso navio de guerra no mar amarelo e mar do Japão, onde, pode-se dizer que esse status é dividido com o destróier japonês da classe Atago, já descrito nesse blog.

O Sejong começou a ser idealizado no ano 2000 e depois de escolhido o projeto, o navio foi construído durante os anos seguintes vindo a ser lançado em maio de 2007 pela Hyundai Heavy Industries. Seu desenho é baseado no destróier norte-americano classe Arleigh Burke, na sua versão mais recente, conhecida como Flight II A, cujo principal diferencial é a existência de um hangar para operar dois helicópteros de tamanho médio. O Sejong, porém, é 10 metros mais comprido, chegando aos 165,9 metros além e tem uma boca de 21,4 m, cerca de 3 metros maior que a do Arleigh Burke.

Acima: O Sejong no dique seco, antes de ser lançado ao mar em maio de 2007.

Sua propulsão é a mesma do navio norte-americano, no sistema cogag (Combinação gás com gás), contando com 4 turbinas General Eléctric LM-2500 que produzem 25000 Hp cada. Mesmo sendo pouco maior e conseqüentemente, mais pesado que seu irmão norte-americano, sua velocidade máxima é a mesma, ou seja, 30 nós (56km/h). Sua autonomia é de 10100 km, o que lhe dá capacidade de escoltar grupos de batalha por qualquer lugar do mundo.

Sendo um navio com forte ênfase na guerra antiaérea, sua capacidade de detecção e controle do espaço aéreo é dada pelo mais capaz sistema de radar atual, o sistema AEGIS dos Estados Unidos baseado no moderno radar SPY-1D (V). Este radar composto por 4 antenas cuja disposição cobrem 360º em volta do navio permanentemente, permite rastrear mais de 100 alvos a 450 Km de distancia de forma ininterrupta, além de ser muito mais resistente a contramedidas eletrônicas impostas pelos sistemas de guerra eletrônica do inimigos.

O radar de controle de fogo para alvos aéreos é o AN/SPG-62 que faz a iluminação dos alvos aéreos detectados pelo radar SPY-1D, para que os mísseis SM-2 atinjam seu alvo. Desta forma, pode-se ver que os sistemas operam de forma integrada otimizando a capacidade de resposta do navio a ameaças aéreas.

Para guerra anti-submarina, o Sejong faz uso de um sonar de casco DSQS-21 fornecido pela Atlas Elektronik e de um sonar rebocado MteQ.

A suíte de guerra eletrônica foi privilegiada também com o sistema SLQ-200(V) 1K conhecido, também como “Sonata”.

Acima: O sonar de casco DSQS-21 trabalha em media frequencia e possui um alcance maximo de 32 km.

O armamento da Sejong é mais pesado do que a média dos navios de guerra de sua categoria. Mesmo sendo um destróier, suas capacidades se igualam ao do cruzador classe Ticonderoga, da marinha dos Estados Unidos.

A capacidade antiaérea é garantida por 2 lançadores verticais MK-41 para mísseis Raytheon SM-2 Block III B. Um dos lançadores tem 48 células e o outro tem 32 células. O míssil SM-2 Block III possui um alcance máximo de 74 km e e seu sistema de guiagem é do tipo dual, ou seja, usa dois tipos distintos de guiagem, sendo uma por radar semi ativo e a fase terminal usa um sensor infravermelho. A grande vantagem desse sistema de guiagem é a capacidade de superar eventuais contramedidas evasivas tentadas pelo alvo. Esta versão é particularmente eficaz contra alvos em vôo baixo e com RCS pequeno (alvos furtivos).

Ainda, para defesa antiaérea, há um pequeno lançador de mísseis RIM-116 RAM, com 21 mísseis. Estes pequenos mísseis são usados para defesa aproximada contra mísseis antinavio, e projeteis guiados que penetrem na defesa externa do navio, fornecida pelos mísseis SM-2.

Acima: Na proa do Sejong fica o lançador MK-41 com 48 mísseis SM-2 Standard Block III B. estes mísseis podem abater um avião invasor a 74 km de distancia.

Um sistema de lançamento vertical para mísseis projetado na própria Coréia do Sul foi instalado e está equipado com 16 células para mísseis anti-submarino K-ASROC Red Shark. Este míssil tem um alcance de 22 km e quando lançado, o míssil lança um torpedo MK-46 na água que inicia o ataque ao submarino detectado previamente pelos sistemas de sonares do navio. O alcance do torpedo MK-46 é de 7500 metros. Para completar a capacidade de ataque anti-submarino há dois lançadores triplos de torpedos K-745 Blue Shark, cujo desempenho é similar ao MK-46 dos Estados Unidos.

Acima: Embora o desenho do Sejong seja muito mais que "apenas parecido" com o destróier norte-americano Arleigh Burke, a principal diferença entre as duas classes reside nos dois hangares do Sejong para operar helicópteros anti-submarino Super Lynx MK-99.

Para guerra antinavio, o Sejong está armado com 4 lançadores quádruplos para mísseis SSM-700K Hae Sung, cujo alcance é de 150 km e guiagem por INS/GPS com radar ativo na fase terminal. Este míssil é capaz de manobras evasivas caso ele seja atacado por alguma defesa antimíssil e ainda é capaz de executar curvas de mais de 90º graus para procurar seu alvo.

O destróier Sejong possui um lançador vertical para 32 mísseis de ataque terrestre Hyummoo III C similar ao Tomahawk norte-americano. Este poderoso míssil de cruzeiro é guiado por GPS e possui um alcance de 1500 km, sendo, portanto, capaz de infringir sérios danos contra alvos estratégicos inimigos bem dentro de seu território.

O armamento de tubo é composto por um canhão norte americano MK-45 Mod-4 de 127 mm instalado a frente do navio e pode ser usado tanto contra alvos de superfície, como contra alvos antiaéreos e seu alcance é de 24 Km. Um sistema antiaéreo tipo CIWS Goalkeeper, contendo com um canhão em calibre 30 mm é usado para defesa antiaérea de ponto. O canhão usado no sistema é o poderoso GAU-8 da General Electric, famoso por ser usado no avião de combate A-10 Thunderbolt II contra veículos blindados. Sua cadencia é de 4200 tiros por minuto e seu alcance efetivo é de 2000 metros.

Acima: O Sejong poderá receber um upgrade, futuramente, para poder interceptar mísseis balísticos que sejam lançados contra alvos na Coréia do Sul.

O destróier Sejong opera dois helicópteros anti-submarino Agusta/ Westland Super Linx MK-99, porém pode-se operar outros modelos de dimensões similares.

Os dados apresentados aqui deixam claro que a classe Sejong representa um dos mais poderosos destróieres em serviço no mundo, hoje. É certo que a estratégia de defesa da Coréia do Sul sofre influencia pesada do governo dos Estados Unidos e muito provavelmente os norte americanos até tem poder de decisão sobre o que vai ou não ser adquirido pelas forças armadas sul coreanas. Por isso, é interessante observar que o Sejong é mais bem armado que os navios da classe Arleigh Burke da marinha dos Estados Unidos e isso evidencia a importância que a capacidade antiaérea e de ataque contra alvos terrestres tem na estratégia atual da marinha sul-coreana.

Acima: O helicóptero anti-submarino Super Lynx MK-99 representa o principal sistema de guerra anti-submarina dos destróier da classe Sejong.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Destróier.
Tripulação: 350 tripulantes

Data do comissionamento: Dezembro de 2008.
Deslocamento: 10290 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 165,9 mts.
Calado: 6.25 mts.
Boca: 21 mts.
Propulsão: 4 turbinas a gás GE LM 2500 de 25000 Hp cada.
Velocidade máxima: 30 nós (56 km/h)
Alcance: 10100 Km
Sensores: Radar multifuncional SPY-1D (V5) AEGIS, Sistema de controle de fogo AN/SPG-62. Sonar Atlas Elektronik
DSQS-21
Armamento: 2 lançadores verticais MK41 totalizando 90 celulas para mísseis SM2 Block III Standard, 1 Lançador vertical K para 16 mísseis K-Asroc Red Shark; 1 Lançadore vertical K para 32 mísseis
Hyummoo III C, 4 lançadores quádruplos para16 mísseis antinavio SSM-700K Hae Sung; 1 lançador para 21 mísseis antiaéreos RIM-116 RAM; 1 canhão MK-45 Mod 4 de 127 mm; 1 canhão Goalkeeper CIWS de 30 mm; 2 lançadores triplos para torpedos leves K-745 Blue Shark.

Aeronaves: 2 helicópteros Agusta/ Westland Super Linx MK-99


Abaixo: Dois desenhos em ângulos diferentes mostram as semelhanças com o navio classe Arleigh Burke da marinha dos Estados Unidos.


ABAIXO PODEMOS VER UM VIDEO ONDE A SEJONG APARECE NAVEGANDO.

21 comentários:

rodrigo disse...

Eae Carlos td bem?

Muito interessante este navio, já tinha ouvido falar nele mas não tinha noção de quanto ele era "americano". Este navio será o único da classe ou haverá mais deles?

Abração, beleza de blog

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Rodrigo. Obrigado!
Esse navio é o primeiro de 3 que deverão estar operacionais até 2012.
Você é o Rodrigo Klug?
Abraços

Pedro Moura disse...

Olá Carlos!

Verificando as fotos e o vídeo notei que este destroyer ainda possue muita reflexão radar, especialmente logo acima da linha d'água. Também não foi mencionado se o material usado contem algum tipo de polímero ou liga especial que absorva o feixe radar.

Abraço e sucesso cada vez mais no blog.

Bebeto disse...

é sem duvida um dos navios de sua classe mas bem armados do mundo estou impresionado com a capacidade de defesa destes sul coreanos que nos dera ter algo parecido por aqui.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Pedro.
Obrigado pelo apoio. Eu não encontrei informações que afirmava sobre o uso de materiais absorventes de ondas de radar. Mas como você disse, esse navio é relativamente pouco furtivo se comparado com projetos europeus.
Abraços

Probus disse...

SEUL - Embarcações da Coreia do Norte e da Coreia do Sul entraram em combate nesta terça-feira na costa oeste da península, disseram autoridades militares. O conflito teria deixado um barco de patrulha da Coreia do Norte seriamente danificado

Fonte: Estadão Online
10.11.2009 (03:23)

Raphael disse...

Carlos esse destroyer usa o sistema Aegis? Ou os americanos não liberaram para eles. Relamente é um exelente navio aí eu me pergunto se um paisinho menor que a Bahia terá 4 navios como esse porque o nosso país não pode ter? Falta de dinheiro? Nós temos o 10° maior PIB do planeta.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Raphael.
O navio usa o sistema AEGIS sim. Os americanos fornecera isso a eles.
Abraços

Luiz disse...

Olá Carlos,em sua opinião o Sejong supera o Estroyer Type 45?
Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Luiz.
Respondendo de forma objetiva. Não. O Type 45 é melhor (pouco melhor, na verdade). Por que o modelo inglês é melhor???
Ele é melhor porque além de um radar com capacidade similar, seu desenho é mais avançado e com menor RCS. A Type 45 naõ tem, hoje, capacidade de ataque contra alvos terrestres, como a Sejong tem, porém seria fácil instalar essa capacidade.

Galileu disse...

olá carlos, tenho uma pergunta, sobre o sistema (aip).

Alem do preço alto desse sistema, porque é tão caro a manutenção e logistica desse sistema, até hj não entendi muito sobre o aip, e olha que ja li muito sobre ele na internet, e todos sites falam que é caro a manutenção e logistica......


abraço

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Galileu.
Para o sistema AIP funcionar na maioria dos caos é necessário tanques com oxigênio liquido e isso é muito caro de manter e recarregar. Ele é relativamente complexo, envolvendo muitos componentes e isso encarece o sistema também.
Abraços

gustavo disse...

olá Carlos !! parabens pela materia!!

Carlos,a marinha sul-coreana tem algum projeto do tipo "KDX IV" ou ela vai parar na Sejong mesmo ?

Mais uma vez parabens pelo trabalho e fico feliz em saber o sucesso que os tres Blogs estão fazendo!!

Abraços!!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Gustavo. Obrigado!
Desconheço se a marinha sul coreana tem idéia de uma nova embarcação do porte da Sejong. Se houver, irei pesquisar e publicar um artigo sobre isso.
Abraços

rodrigo disse...

agora q vi q me perguntou se eu era o rodrigo klug....sou sim add vc no orkut...hehehehe.

abraços

Andromeda1016 disse...

Caro Carlos,
Muito obrigado pelo artigo sobre o KDX-III. É bastante informativo.
Quanto à pergunta de Gustavo, a Coreia do Sul está preparando uma nova classe de navios denominado KDX-IIA que será um KDX-II com sistema Aegis.
A marinha coreana liberou uma imagem do possível navio e nela se verifica que a sua frente parece o com o LCS Freedom e na parte traseira parece o KDX-III. Parece que houve bastante preocupação com a furtividade do navio, razão pelo qual a sua frente tem o formato já mencionado.
O motivo desta nova classe parece ser o alto custo operacional do KDX-III estimulando a marinha coreana a buscar um novo navio dotado de sitema Aegis, mas mais barato de operar.
Por fim, segundo um documentário que ví no passado, tanto o KDX-II quanto KDX -III são revestidos de material furtivo, mas não tenho detalhes sobre este material, pois tal informação deve ser secreto.
Falou !!!

Guardião ATM disse...

Saudações, Carlos!!!
Carlos, tanto a Korea quanto o Japão, ambos contam com a atenção e apoio dos americanos. Qual das industrias nvais é mais avançada? No campo bélico, os componentes da sala de comando desses navios, a parte eletronica e toda a sua tecnologia, tem como a mais sofisticada a japonesa ou a coreana? Carlos, quanto a aviões de caça falamos cockpit, avionicos e esses navios de guerra como se refere? Grato a atenção!

Guardião ATM disse...

Saudações, Carlos!!!
Carlos, tanto a Korea quanto o Japão, ambos contam com a atenção e apoio dos americanos. Qual das industrias nvais é mais avançada? No campo bélico, os componentes da sala de comando desses navios, a parte eletronica e toda a sua tecnologia, tem como a mais sofisticada a japonesa ou a coreana? Carlos, quanto a aviões de caça falamos cockpit, avionicos e esses navios de guerra como se refere? Grato a atenção!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião.
A Coréia do Sul tem uma industira bélica um pouco superior aos japoneses. A área de comando de um navio é a sala de controle ou "ponte" se não me engano e os avionicos , num navio, chamamos de sistemas.
Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião.
A Coréia do Sul tem uma industira bélica um pouco superior aos japoneses. A área de comando de um navio é a sala de controle ou "ponte" se não me engano e os avionicos , num navio, chamamos de sistemas.
Abraços

Edimar Caetano da Rocha disse...

Não esta na hora da MB possuir um ou 2 destroier's par almentsar a capacidade de defeza de suas aguas azuis