DESCRIÇÃO
O noticiários especializados em assuntos militares e de defesa foram “recheados” com informações a respeito da aquisição pela Rússia de 4 porta-helicópteros de projeto francês da classe Mistral, sendo este uma das grandes surpresas do mundo e um marco na nova fase, pós guerra fria, para o cenário militar internacional. Não é segredo que a industria naval russa passa por uma recuperação de uma grave crise econômica que assolou o país após a queda do regime soviético e por isso, seus projetos navais são considerados uma geração atrás em relação aos navios de guerra ocidentais. Assim, o governo russo considerou que a aquisição de um navio e a construção sob licença de mais 3 unidades da classe Mistral servirão para modernizar a marinha russa, assim como sua industria naval. O porta-helicópteros da classe Mistral começou a ser construído em junho de 2001 e foi comissionado na marinha da França em fevereiro de 2006. Dos 3 navios planejados, dois já estão prontos, o Mistral e o Tonnerre e o terceiro, chamado de Dixmude, está em fase avançada de construção e deverá ser entregue até o final de 2010.
Acima: O Mistral e seu irmão mais novo, o Tonnerre, navegando lado a lado. O Mistral possui um deck de vôo relativamente pequeno quando comprado com a maioria dos navios do seu tipo.
O Mistral tem capacidade de transportar até 16 helicópteros multimissão NH-90 ou o modelo de ataque Eurocopter Tiger. Já, a capacidade de transporte anfíbio é maior, sendo que podem ser transportados 450 soldados, 40 carros de combate pesados leclerc, ou uma combinação de veículos menores e mais soldados. O deslocamento do Mistral chega a 21300 toneladas quando completamente carregado. Com esse deslocamento e com sua inovadora propulsão totalmente elétrica, composta por dois motores Mermaid, que são alimentados por três alternadores 16V32 de 6,2 MW cada e mais um alternador 18V200 com 3 MW, o Mistral consegue uma velocidade máxima de 18 nós (33 km/h), o que é insuficiente para acompanhar um grupo de batalha, porém esse não é o objetivo deste navio e por isso essa característica não pode ser considerada como uma deficiência.
Acima: A aquisição de 4 unidades do Mistral pela marinha Russa é um marco na história entre as relações entre Russia e Ocidente. Esses navios representarão uma significativa mudança na forma de como atua a marinha russa e, ainda, trarão um ganho no conhecimento de engenharia naval.
O armamento é direcionado, exclusivamente, para autodefesa, sendo que, em caso de guerra, o Mistral precisaria estar escoltado por outros navios de guerra para apoio na sua proteção. O armamento é composto por dois lançadores duplos SIMBAD para mísseis antiaéreo Mistral (exatamente isso. É o mesmo nome do navio). O míssil Mistral é do tipo guiado por calor e possui um curto alcance, que chega 5 km. Além dos mísseis, há dois canhões Breda-Mauser, de 30 mm capaz de uma cadencia de tiro de 800 disparos por minuto. Para finalizar, há 4 metralhadoras M-2HB calibre .50 (12,7 mm) usada contra alvos a curta distancia.
Acima: O sistema de mísseis antiaéreos Simbad de curto alcance, representa uma das poucas soluções de auto-proteção do Mistral. O fraco armamento defensivo obriga ao Mistral levar escoltas quando estiver em missão de combate.
O Mistral pode ser usado como navio de comando e por isso possui um sistema de gerenciamento de informações táticas SENIT-9 que recebe dados de diversos sensores e sistemas de intercambio de dados, como o link 16, padrão da OTAN. Outros sistemas de intercâmbios de dados, também, estão disponíveis no Mistral, como o link-11 e link-22. Certamente que os exemplares do Mistral que forem fornecidos a marinha russa deverão ter esses sistemas substituídos por algum compatível com a rede russa. O principal sensor usado no Mistral é o moderno radar tridimensional multimissão MRR 3D-NG, desenvolvido pela Thales, capaz de detectar alvos aéreos de grande porte (10m2) a uma distancia máxima de 180 km e alvos de superfície, como uma fragata, podem ser detectados a 80 km. O sistema de comunicação é via satélite, usando os satélites de comunicação Syracuse III.
Acima: Internamente, o Mistral, tem um generoso espaço para transportar forças de terra. Podem ser transportados até 40 carros de combate pesados Leclerc mais 450 soldados.
O Mistral, especificamente, é um porta-helicópteros e navio de desembarque anfíbio com algumas restrições que poderiam ter sido evitadas na fase de projeto, como a limitação de operações de aeronaves de asas fixas VSTOL, como o Harrier ou o F-35B. Para operar esse tipo de aeronave, seria necessário aumentar a pista e colocar uma rampa tipo “sky jump”, porém, como a França não tinha a idéia de exportar o navio e ainda, não tem intenção de usar aeronaves desse tipo, acabaram projetando um navio cujas características ficaram limitadas a necessidades muito especificas da marinha francesa. O interesse russo nesse navio e a transferência de tecnologia que, certamente, fará parte do pacote contratado, permitirão aos russos, resolver algumas limitações desse projeto e assim melhorar as capacidades de combate desse moderno navio de guerra.
Acima: Aqui temos um interessante infografico com algumas das características do Mistral.
FICHA TECNICA
Tipo: Porta-helicópteros/ navio de desembarque anfíbio.
Comissionamento: Fevereiro de 2006.
Tripulação: 1060 homens.
Comprimento: 199 m.
Boca: 32 m.
Deslocamento: 21300 toneladas (maximo).
Elevadores: 1 na popa e 1 no centro.
Propulsão: Dois motores elétricos Mermaid que recebem energia de 3 alternadores 16V32 e um 18V200 Wartsila.
Velocidade máxima: 18 nós (33 km/h).
Autonomia: 20000 km.
Sensores: radar multifunção tridimensional Thales MRR 3D NG, Sistemas de intercambio de dados Link-16, Link-11 e Link-22. Sistema de comunicação via satélite Syracuse III.
Armamento: 2 lançadores Simbad para mísseis antiaéreos Mistral; 2 canhões CIWS Breda/ Mauser de 30 mm, 4 metralhadoras M-2HB em calibre 12,7 mm.
Aviação: 16 aeronaves podendo ser helicópteros NH-90 ou Eurocopter Tiger.
Acima: O principal vetor aéreo do Mistral é o helicóptero NH-90 que executa missões anti-submarino, busca e salvamento e transporte.
Fontes: Site Military Today, Site Naval Technology, Site Deagel, revista Segurança e Defesa nº 91.
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30 comentários:
Cada dia que recibo a pagina.. vein mas e mais linda.. informaçoes atualizadas.. quien gosta do tema.. tein orgullo de recibir as informaçoes........ obrigado amigo.. obrigado mil.. e adiante sempre.. abraso fraterno na distancioa para vc e todo seu equipo.. e gente querida.... ate.. gloria regis
parabens pela matéria carlos
sabe quanto custa um navio desses e se tem alguma chance de o brasil adquirir um navio desses obrigado
Olá Fabricio. O Mistral custou U$702 milhões de dolares cada navio. O Brasil não tem interesse, no momento, em adquirir um navio desse tipo.
Abraços
Infelizmente o Brasil não tem a mesma mentalidade dos Russos e não fabricar nenhuma arma sob licença aqui.
Provavelmente os Russos querem criar o seu proprio projeto de porta-helicopteros no futuro assim como fizeram na 2ª guerra com os armamentos que foram comprados dos europeus e americanos. Eles compraram 1 e vão construir mais 3 sob licença na Rússia para não só gerar mais empregos como tambem aprender mais sobre os porta-helicopteros.
Hummm imaginem nosso Corpo de Fuzileiros Navais com apenas uma unidade desta nave equipada?
Dava para por em alvoroço os analistas militares e o Continente Sul Americano...heeheheh
Carlos sabe me informar se o Hyuga tem capacidade de transporte de blindados, tipo ele tem Hangar mais ele pode transportar blindados??
A uma ultima pergunta sobre o Hyuga, o projeto foi 100% japonês ou ele foi xerox de alguma embarcação americana tipo como os sul coreanos fazem??
Quanto a desembarque anfíbio se não em engano o Hyuga não tem...
Não conheço o básico de marinhas^^ se puder responder agradeço
Olá Carlos,gostaria de saber qual é o melhor porta-avião pra substituir o nae são paulo? Obrigado
Ao que tudo indica, a MB está interessada no Cavour como substituto do Opalão A-12. Devemos lembrara que a END prevê o uso por parte da MB de 2 unidades de "navios aeródromos multi-propósito". Mas isso é para a próxima década, quando o "Opalão" for desativado. Quando isso ocorrer, nossa MB deixará de fazer uso dos genuínos NAe, passando à operar navios mais versáteis, tipo o Cavour italiano.
Abraços.
Porêm, devemos tb lembrar que os italianos por demais de interessados em oferecer à MB um amplo pacote de navios que necessitamos. Falasse que seriam algumas unidades da FREDA (Fragata Européia de Defesa Aérea, a versão italiana de defesa aérea da FREMM), em nº estimado de 4 à 6 unidades.
Tb se cogita que no possível pacote esteja incluso um modelo de OPV (Offshore Patrol Vessel), por aqui conhecido como NaPaOc (Navio Patrulha Oceânico), com deslocament de + - 1800 tons. A END prevê o uso de 5 unidades...
Abraços.
Olá Galileu. O Hyuga não transporta forças anfibias. EWmbora seja um porta-helicopteros, sua classificação oficial é de um destroier.
Felipe, penso que o uso de um PA é algo caro e exige um investimento mais sério do governo. Se formos usar um PA, então ele deveria vir com caças supersoinicos, no minimo, da classe do F-18C. No mercado, não há um navio com essas cvaracteriticas, então penso que o Brasil deveria construir uma classe de porta-aviões medios, totalmente nova, o que implicaria em investimentos de mais de 5 bilhões de reais. Abraços
Obrigado pela resposta,Gostaria de saber quais são os 9 paises que possuem porta-aviões?obrigado
Olá Felipe. na verdade, são 10 os países que usam porta-aviões.
São eles, o Brasil, Estados Unidos, Tailandia, India, Inglaterra, França, Russia, Japão, Italia e Espanha.
Abraços
Caro Carlos
Sou também um entusiasta e interessado em assuntos militares e geoestratégicos pelo que tenho seguido os seus blogs de há uns poucos meses para cá.
Tenho que parabenizá-lo pela muito sensata escolha que faz das matérias pois provocam muito interesse, o rigor técnico com que as aborda e a forma calma, cordial e simpática com que dialoga com os leitores.
Achei especialmente interessante o seu artigo sobre os novos porta-helis japoneses (candidatos a porta-aviões).
Infelizmente neste tipo de blogs, os participantes costumam extremar-se nas suas posições, envolvendo as suas tendências políticas da pior forma e resultando em discussões agressivas e malcriadas.
Aqui, mesmo quando há desacordo (o que é salutar) é tudo dentro da cordialidade e respeito mútuo pelo que dá gosto participar.
Quero pois deixar-lhe uma saudação especial a si e aos seus leitores e quando participar farei tudo para estar à altura de ambos.
Cumpts
Manuel Santos
Olá Manuel Santos.
Fico muito agradecido pela sua mensagem de congratulação. A forma cordial usada na comunicação com os leitores do Blog é fundamental para se atingir o objetivo deste trabalho, que é a difusão de conhecimentos de sistemas de armas além de uma promoção da mentalidade de defesa entre as pessoas que tem interesse no assunto, porém carecem de fontes de informações seguras para a formação de opinião.
mais uma vez agradeço sua participação e convido a participar mais vezes do bate papo que ocorre nos comentários destes blogs.
Abraços
Em consideração aos atuais cenários bélicos no mundo.
Sem grandes combates entre grandes armadas.
A deficiência do Brasil nesse tipo de navio NDCC (Matoso Maia, Garcia D'avila, Almirante Saboia) dos quais somente um realmente é efetivo e pode-se considerar pronto para navegar, os outros estão seriamente desgatasdos.
Fora os NDD (Ceará e Rio de Janeiro) que são navios que ja deveriam ter se aposentado a anos.
A classe Mistral para o Brasil é muito mais atrativa do que um NAe.
Tem uma gama maior de possibilidades de uso(Como no Haiti por exemplo, não teriamos precisado da ajuda dos italianos.)
Fora que tres unidades supririam os 3 NDCC e os dois NDD que possuimos numa boa, e ainda nos dariam a apacidade de operar helicópteros de ataque, para-sar..., coisa que com os meios de hoje não podemos fazer e ainda tem mais é um navio que possui uma ala médica bem interessante e grande até, fora que seu deck interno, pode ser transformado em enfermaria facilmente em caso de necessidade.
Além de ter um preço extremamente atrativo.
Acredito que o Brasil comprando umas 4 unidades, evitaria ter de comprar 8 a 12 navios no futuro, pois essas 4 unidades de Mistral supririam várias lacunas na nossa MB.
Já ia esquecendo , Grande Carlos parabéns mais uma vez, adorei a atéria, e foi muito oportuna ja que o Mistral esta nos olofotes da mídia internacional.
Continuo aguardando uma matéria sobre a Classe Super Vita. hehehe
Abraços meu camarada.
Olá Paulo. Suas considerações foram bastante coerentes. corretas. Ainda, seria beneficiada pela aliança estratégica que temos com a França.
Obrigado pela congratulação e pode ficar tranqüilo que o Super Vita está na lista de futuras matérias, embora deva demorar um pouco antes de um publicar, pois tenho algumas matérias que considero prioritária antes.
Abraços
Olá Di Santis!
Primeiramente parabéns pelo blog!
Acompanho-te a cerca de, mais ou menos, um ano e meio; quando conheci este teu blog.
Aprecio muito a facilidade de pesquisa, na tua organização, sobre os temas abordados.
Deixa os temas bem convidativos e de fácil localizar.
Também já observei a sua constante boa vontade de explicar certas sutilezas, certos detalhes, sobre os assuntos abordados.
Para todos nós leitores (principalmente aos iniciantes, como eu) isto torna muito mais agradável, enriquecedor e convidativo as matérias.
Parabéns!
Continue seu ótimo trabalho!
Eu aprecio todos os assuntos da defesa no seu blog, leio tudo.
Mas, particularmente, tenho tendência ao que se relaciona aos Helicópteros, Submarinos e Navios. Causam-me verdadeiro fascínio!
Obrigado.
Seu Leitor
Manolo D.
Olá Di Santis!
Primeiramente parabéns pelo blog!
Acompanho-te a cerca de, mais ou menos, um ano e meio; quando conheci este teu blog.
Aprecio muito a facilidade de pesquisa, na tua organização, sobre os temas abordados.
Deixa os temas bem convidativos e de fácil localizar.
Também já observei a sua constante boa vontade de explicar certas sutilezas, certos detalhes, sobre os assuntos abordados.
Para todos nós leitores (principalmente aos iniciantes, como eu) isto torna muito mais agradável, enriquecedor e convidativo as matérias.
Parabéns!
Continue seu ótimo trabalho!
Eu aprecio todos os assuntos da defesa no blog, leio de tudo.
Mas, particularmente, tenho tendência ao que se relaciona aos Helicópteros, Submarinos e Navios. Causam-me fascínio!
Obrigado.
Seu Leitor
Manolo D.
Olbrigado Defourt. Fico feliz que tenha gostado do trabalho apresentado nesse blog.
Abraços
Di Santis desculpe-me!
Não foi intenção publicar duas vezes o mesmo comentário.
O problema ou é o google ou é na pecinha que está entre a cadeira e o teclado...
Abraços
Carlos, mais uma ótima publicação sua.
Gostaria de indicar que você em algum momento escrevesse um artigo falando a respeito de hovercrafts de alta tonelagem.
Valeu, abraços.
Olá Lywistone. Obrigado. Sua sugestão é bem interessante. Vou anotar ela na minha planilha.
Abraços
Olá Carlos,gostaria de saber qual é a diferença entre um LHA e um LHD, se que a unica diferença é o A(assault)eo D(dock)e também a diferença do LPD? muito obrigado.
Olá Felipe.
Eu não sei lhe responder qual é a diferença entre estes tipos e navios. pelo que li, aparentemente, todos eles transportam tropas, veículos militares e são capazes de operar aeronaves de asas rotativas ou de asas fixas VSTOL.
Abraços
A propósito de hovercrafts parrudos e de alto desempenho, seria interessante observarem artigos sobre o projeto 12322-ZUBR e a classe 1239-BORA da Ucrânia/Rússia. São realmente muito interessantes e penso que seriam extremamente oportunos para as necessidades de patrulhamento e intervenção imediata de tropas do Brasil em praias e/ou rios amazônicos.
Para os interessados, vale a pena dar uma olhada no site http://www.rosoboronexport.ru/catalogue/navy.
Carlos E. Di Santis Jr., seu blog é muito interessante!
Abraços e sucesso!
Carlos saiu a informação de que o Brasil pretende comprar dois destes navio que corijame se eu estiver errado a marinha denomina como MULTIPLO EMPREGO,e eles mesmos diseram que são navios que nescecitam de protesam aerea me informe se os helicopteros embarcados possuem tal capascidade,para defendelos ou eles teram de ser acompanhados de porta aviões para tal serviço mais uma vez PARABENS otima materia. 16/05/2012.
Olá Anselmo.
Obrigado pelo elogio.
Eu desconheço se a marinha brasileira tem planos para comprar um navio deste tipo. Pelo que sei, a marinha está concentrada no prosub e na aquisição de navios de escolta apenas.
Abraços
OLA Carlos qual e o principal concorrente do mitral para equipar nossa marinha e ele tem um armamento melhor
abraços .
Ola ue. O mercado internacional é relativamente carente deste tipo de navio. O Mistral, do jeito que ele foi projetado, não tem um concorrente direto, objetivamente. Porém o navio Juan Carlos I, poderia ser considerado um concorrente, porém com maior capacidade uma vez que ele opera aeronaves de asa fixa, como o Harrier e é compatível com o caça F-35B. O armamento em si, é equivalente. este tipo de navio, normalmente precisa de escoltas pois seu armamento orgânico é bastante limitado.
Abraços
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