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Terça-feira, Setembro 14, 2010

BAE SYSTEMS TYPE 42 SHEFFIELD. Defendendo o Atlântico norte


DESCRIÇÃO
Um dos mais famosos destróieres da história naval foi o HMS Sheffield da real marinha britânica (Royal Navy). Essa fama veio, porém, de um acontecimento trágico para a Royal Navy, em 04 de maio de 1982, quando o Sheffield, navio líder da classe, foi atingido por um míssil antinavio AM-39 Exocet argentino, durante a breve guerra das Malvinas.
A classe Sheffield é conhecida, também, por Type 42 e foram construídas 14 unidades desta classe, divididas em 3 lotes com modificações, sendo o lote 3, composto por 4 unidades que tiveram seu comprimento aumentado em 16 metros. A função principal destes belos navios é a escolta antiaérea e por isso, estes navios têm seu armamento principal voltado para a essa finalidade. Seu projeto se iniciou ao final da década de 60, quando a marinha britânica precisava de escoltas antiaéreas que fossem mais baratas que o novo navio Type 82, cujo custo estava acima do que o governo britânico estava disposto a investir. A Type 42 apareceu como uma solução, com menores capacidades de combate que a Type 82, porém com um custo que coube no bolso do governo britânico que precisava de varias unidades para proporcionar uma escolta eficiente de seus grupos de batalha no atlântico norte. Foram construídos 14 navios desta classe para a marinha britânica sendo que apenas 5 delas permanecem em serviço nos dias atuais. Estes navios estão sendo substituídos pelo moderno destróier Type 45 classe Daring, já descrito neste blog. Ironicamente a Argentina, o grande inimigo britânico na guerra das Malvinas, foi o único país a adquirir dois navios desta classe, sendo que um deles ainda está em serviço, o ARA Hercules.
Acima: Nesta foto podemos ver o Sheffield ainda em chamas após ser atingido por um míssil AM-39 Exocet lançado por aviões de combate Super Etendard da marinha argentina. O Sheffield afundou posteriormente quando os britânicos ainda tentavam salvar o navio.
O Sheffield foi o primeiro navio britânico a ser equipado com uma configuração de propulsão doferente da combinação gás e vapor usado nos projetos anteriores. Foi instalada uma combinação de turbinas a gás, sendo duas Rolls Royce Olympus TM-3B com 50000 Hp cada para altas velocidades e mais duas turbinas Rolls Royce Tyne RM-1 A com 8000 Hp cada. Essa combinação leva o Sheffield a uma velocidade máxima de 30 nós (56 km/h), o que permite, tranqüilamente, participar de grupos de batalha navais com navios norte americanos. A autonomia do Sheffield é de 7400 km, numero, este, dentro do padrão que se vê em navios de seu deslocamento.
Acima: O HMS Exeter, o primeiro navio do lote 2 da classe Sheffield teve seus sensores modernizados em relação ao projeto original.
Os navios da classe Sheffield estão equipados com um radar de busca aérea de longo alcance Type 1022 capaz de detectar uma aeronave a 372 km de distancia. Um radar de navegação Kelvin Hugues Type 1007 com alcance de 87 km também foi instalado e para controle de tiro são usados dois radares de controle de fogo Type 909 que fornece os dados de guiagem para os mísseis anti aéreos Sea Dart. O sistema de sonar usado pelo Sheffield é o Thales Underwater Type 2050 montado no casco, que faz buscas de médio alcance.
Acima: O HMS Manchester foi o primeiro navio "alongado" do terceiro lote da classe Sheffield. Os 16 metros a mais permitiram o aumento de quantidade de mísseis Sea Dart de 20 para 40 mísseis e o aumento de combustível.
O armamento do Sheffield é composto por um lançador para dois mísseis antiaéreos de médio alcance GWS Sea Dart. Este lançador é carregado por baixo e o míssil Sea Dart é guiado por radar semi ativo, iluminado pelo radar de controle de fogo Type 909 do navio. O alcance é de 150 km na versão do lote 2, modernizada. Os navios da classe Sheffield transportam 20 mísseis, porém as unidades do lote 3, mais longas, podem transportar até 40 mísseis.
O canhão usado é o clássico Vickers MK-8 de 114 mm (o mesmo usado nos navios da classe Niterói e Inhaúma, da marinha brasileira) Este canhão possui uma cadência de tiro na ordem de 25 tiros por minuto e um alcance efetivo de 22 km. O uso deste canhão se dá contra alvos de superfície e aéreos. Há dois canhões antiaéreos CIWS Phalanx MK-15 de 20 mm. Esses canhões conseguem uma taxa de tiro de 4500 tiros por minuto, o que é suficiente para “rasgar” qualquer coisa que esteja dentro do seu alcance (2000 a 3000 mts). Mais dois canhões Oerlikon de 20 mm também prestam apoio antiaéreo. O navio argentino Hercules, possui, ainda, 4 mísseis antinavio MM-38 Exocet com alcance de apenas 42 km, considerado extremamente curto para essa categoria de armamento. E por ultimo, para combate anti-submarino, foram instalados dois lançadores duplos de torpedos leves de 324 mm.
O Sheffield opera um helicóptero anti-submarino e anti-superficie Agusta Westland Linx MK-3, porém, pode operar o helicóptero AW-101 Merlin, também.
Acima: O míssil antiaéreo Sea Dart é o principal armamento usado pelos navios da classe Sheffield. Seu alcance chega a 150 km em sua versão atual.
Os navios da classe Sheffield foram muito importantes no final da guerra fria, pois eram os principais meios de escolta da armada britânica e hoje, mesmo antiquados e já sendo substituídos pelo moderno navio Type 45, ainda são capazes de exercer uma defesa antiaérea com seus sensores e mísseis Sea Dart. A Inglaterra, assim como muitas nações européias, está cortando pesadamente seu orçamento de defesa e por isso, muito provavelmente os navios da classe Sheffield remanescentes serão rapidamente retirados de serviço para manter uma frota mais enxuta e com meios mais eficazes.
Acima: O helicóptero Lynx MK-3 mostrado nesta foto, lançando um torpedo Black Shark, representa o principal elemento de combate anti-submarino do Sheffield.
FICHA TÉCNICA
Tipo: Destróier antiaéreo
Tripulação: 253 tripulantes.

Data do comissionamento: fevereiro de 1975.

Deslocamento: 4350 toneladas (Sheffield totalmente carregado), 5350 toneladas (a partir do lote 3)
Comprimento: 125 mts (Sheffield), 132,3 mts (a partir do lote 3).
Boca: 14,3 mts (Sheffield), 14,9 (a partir do lote 3).
Propulsão: 2 turbinas Rolls Royce Olympus TM-3B com 50000 Hp e 2 turbinas Rolls Royce Tyne RM-1 A com 8000 Hp cada.
Velocidade máxima: 30 nós (56 km/h).
Alcance: 7400 Km.
Sensores: Radar de busca aérea Type 1022; Radar de navegação: Kelvin Hugues Type 1007; radar de controle de fogo Type 909, Sonar Thales Type 2050.
Armamento: 1 canhão Vickers Mk-8 de 114 mm , Um lançador duplo para mísseis antiaéreos GSW 30 Sea Dart, 2 canhões CIWS Phalanx MK-15, 2 canhões Oerlikon de 20 mm mm, 2 tubos duplos para torpedos leves de 324.

Aeronaves: 1 Helicóptero Super Links Ou um helicóptero EH-101.


Acima: Além da Inglaterra, a Argentina também possui dois navios da classe Sheffield, sendo que atualmente apenas um está em serviço.

Fontes: Livro: Guia de armas de guerra Destróieres, Site Military Today, Site Deagel, Site Btinternet.

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7 comentários:

Joathan disse...

Um dos navios mais modernos da Aliança Atlântica destruído por uma aeronave obsolenta e com uma tripulação que nunca tinha treinado com o Exocet.

Parabéns, Argentina.

Reguine disse...

boa noite carlos eu so queria que voce fizesse uma materia sobre o porta avioes FS Foch, hoje NAe São Paulo, gostaria de saber a historia desse navio e dos outros de sua classe.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Reghine. Sua sujestão está anotada.
Obrigado

Fernando disse...

Caro Carlos, saudações.
As type 42 seriam interessantes ao brasil, apesar de seu tempo de serviço?
Vista sua capacidada AAe!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Fernando. Penso que não pois seus míssil está fora de produção.
Abraços

Dino disse...

Mas poder-se-ia comprar as Type-42 para fazer a defesa antiaérea do São Paulo, só até a desativação do mesmo. Quanto à questão do míssil GWS-30 Sea Dart, será que não poderia ser substituído pelo RIM-67D Standard?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá FDino. A instalaão d Standard SM2 é possivel, mas envolveria a mudança no sistema de alimentação, carregamento, sistemasdecontrole de tiro 9bem complicado e caro de mexer). Na pratca, pé economicamente inviavel.
Abraços