
DESCRIÇÃO
A marinha da Índia encomendou, em 1999, o projeto de uma nova classe de fragatas que incorporassem características avançadas encontradas em projetos ocidentais. O estaleiro indiano Mazagon Dock Limited (MDL) foi contratado para desenvolver o novo navio que, inicialmente foi chamado de P-17 (Project 17). Posteriormente o navio foi batizado de INS Shivalik e seu comissionamento se deu em abril de 2010. Embora apenas 3 unidades tenham sido encomendadas, espera-se que o numero destes navios cheguem a 13 unidades no decorrer das próximas décadas.
A Índia aproveitou a tecnologia da fragata Tawar, fornecida pela industria Russa para aquela marinha e incorporou uma série de melhorias ao projeto, trazendo um desenho mais furtivo e sistemas eletrônicos e de armas de varias origens.
Acima: A fragata Shivalik tem muitas semelhanças ao navio da classe Tawar da marinha da Índia, porém a Shivalik é maior e mais bem armada.
A propulsão da Shivalik é um dos exemplos da multiplicidade de nacionalidade de seus equipamentos. Com a crescente aproximação da Índia com os Estados Unidos, a propulsão acabou sendo fornecida pela General Electric na forma da quase “onipresente” turbina a gás LM-2500. São duas turbinas que juntas produzem 67200 hp de potencia. Essas turbinas atuam junto com dois motores a diesel Pielstick 16 PA6 STC que juntos fornecem mais 15200 Hp de potência. Essa configuração de sistema de propulsão é chamada CODOG ou combinação Gás e diesel, e é muito comum em navios de guerra por permitir uma maior velocidade de cruzeiro. No caso da Shivalik, a velocidade máxima é de 32 nós (59 km/h), enquanto que a velocidade de cruzeiro é de 22 nós (41 km/h) o que pode ser considerado um excelente desempenho. A autonomia da Shivalik é de 9260 km garantindo uma boa capacidade de operar em, praticamente, qualquer ponto do planeta.
Acima: Está previsto que a Shivalik se torne a principal classe de navios de escolta da marinha indiana nessa primeira metade de século.
O principal sensor da Shivalik é o radar russo MR-760 Fregat M2EM 3-D cujo alcance é de cerca de 370 km contra alvos aéreos. Esse radar pode gerenciar até 64 alvos simultaneamente. Existem 4 radares 3R-90 Orekh que fazem a designação de alvos aéreos para o sistema antiaéreo SA-N-12. A Elta, de Israel, forneceu um radar EL/M 2238 de longo alcance capaz de detectar um caça a 250 km. Além deste radar, foi instalado o radar de EL/M-2221 para controle do sistema de mísseis antiaéreos Barak, Também instalados no Shivalik. Para detecção de alvos submarinos foi integrado ao casco um sonar HUMSA, desenvolvido na Índia e um sonar rebocado francês Sintra, fornecido pela Thales.
Acima: Aqui podemos ver um infográfico com os principais sistemas da Shivalik. Notem, também, as formas do navio visando sua furtividade a radares.
O armamento da Shivalik é bastante completo, dando condições para combater alvos aéreos, de superfície e submarinos. O sistema antiaéreo principal é o Shtil 1 que compreende um lançador vertical para mísseis 9M317E, guiados por radar semi ativo e com alcance de 45 km. Este míssil é a versão naval do modelo usado em terra Buk M-1 já apresentado no blog Campo de batalha Terrestre. Este sistema pode atacar até 4 alvos simultaneamente. O sistema permite atacar, além de aeronaves, mísseis antinavio, porém contra esse tipo de alvo o alcance máximo de engajamento cai para 12 km. Para defesa de ponto é usado o míssil israelense Barak 1, que funciona, principalmente como uma segunda linha de defesa contra mísseis antinavio, caso o míssil 9M317E não conseguir destruir seu alvo num primeiro momento. O Barak 1 é lançado de um lançador vertical de 8 células e sua guiagem é por comando de linha de visada onde o míssil tem sua trajetória corrigida por um radar que faz as correções automaticamente para se conseguir um impacto.
A Shivalik tem um sistema de lançamento de mísseis de cruzeiro Klub-S 3M-54E1 usados para destruir navios inimigos a 300 km de distancia. O sistema de guiagem é dos mais sofisticados nesse tipo de armamento desenvolvido na Rússia, sendo guiado por um radar ativo tipo ARGS-54, que é ativado a 40 km do alvo e com apoio do sistema Glonass (equivalente do GPS norte americano). O Klub-S tem uma potente ogiva de 400 kg com alguma capacidade de destruir blindagens.
A versão Klub-N 91RE2 pode ser usada também. Esta versão do Klub é usada para destruir submarinos e por isso, ele transporta um torpedo pesado MPT-1ME como carga, que é solto nas proximidades do submarino inimigo. O alcance do míssil é de 40 km.
Uma opção ao míssil Klub-S, que pode ser transportado na Shivalik, é o míssil russo/hindu BrhaMos, que traz com ele a capacidade de vôo supersônico chegando a 2800km/h e com um alcance de 290 km. A ogiva do BrhaMos é de 300 kg de explosivos e ele pode ser usado contra alvos em terra, além de alvos navais.
Para guerra anti-submarino, além do míssil Klub-N, a Shivalik conta com dois lançadores de foguetes anti-submarino RBU-6000 com alcance de 5800 metros. Curiosamente não há lançadores de torpedos na Shivalik.
A Shivalik opera dois helicópteros Sea King MK-42B que atuam em missões anti-submarino e antinavio com mísseis Sea Eagle. Este míssil tem capacidade similar ao do seu similar norte americano Harpoon, podendo atacar alvos a 110 km e com uma guiagem por radar ativo.
Acima: O poderoso míssil BrhaMos é resultado de um projeto conjunto entre indianos e russos, em que se produziu um dos mais poderosos mísseis antinavio de todos os tempos. Além de preciso, ele é supersônico, o que somado a sua ogiva de 300 kg, pode causar o afundamento da maioria dos navios de guerra atuais, num só impacto.
A Shivalik é resultado de um grande esforço da Índia para ser independente no fornecimento de sistemas bélicos para garantir sua capacidade de dissuasão e combate. Sua aliança com a Rússia e a recente aproximação com os Estados Unidos aumentarão, ainda mais a qualidade de sua capacidade de combate. Além disso, sua industria é relativamente sofisticada e seus engenheiros bastante dedicados devem conseguir um resultado cada vez melhor nos futuros desenvolvimentos daquele país.
Acima: Um desenho da Shivalik com seu helicóptero Sea King no heliponto.
FICHA TÉCNICA
Tipo: Fragata lança mísseis.
Tripulação: 257
Data do comissionamento: Abril de 2010.
Deslocamento: 5600 toneladas (totalmente carregado).
Deslocamento: 5600 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 142,5 mts.
Calado: 4,5 mts.
Boca: 16,9 mts.
Propulsão: 2 turbinas a gás General Electric LM-2500 com 67200 Hp juntas e 2 motores a diesel Pielstick 16 PA6 STC que desenvolvem 15200 hp juntos.
Calado: 4,5 mts.
Boca: 16,9 mts.
Propulsão: 2 turbinas a gás General Electric LM-2500 com 67200 Hp juntas e 2 motores a diesel Pielstick 16 PA6 STC que desenvolvem 15200 hp juntos.
Velocidade máxima: 32 nós (59 km/h)
Alcance: 9260 Km (a 22 nós)
Sensores: Radar MR-760 Fregat M2EM 3-D com alcance de 370 km; Radar EL/M 2238 com alcance de 250 km: 4 radares 3R-90 Orekh para controle de fogo (Missil SA-N-12). Radar EL/M-2221 para controle de fogo (Míssil Barak 1); Sonar de casco HUMSA e sonar ver=bocado Thales Sintra.
Alcance: 9260 Km (a 22 nós)
Sensores: Radar MR-760 Fregat M2EM 3-D com alcance de 370 km; Radar EL/M 2238 com alcance de 250 km: 4 radares 3R-90 Orekh para controle de fogo (Missil SA-N-12). Radar EL/M-2221 para controle de fogo (Míssil Barak 1); Sonar de casco HUMSA e sonar ver=bocado Thales Sintra.
Armamento: Um lançador vertical para mísseis 9M317 (SA-N-12) (24 mísseis); Um lançador vertical de 8 células para mísseis antiaéreos Barak-1; Um lançador vertical com 8 células para mísseis superfície/ superfície Klub-S 3M-54E1/ BrhaMos, um lançador de foguetes anti-submarino RBU-6000; Um canhão OTO Melara 76 mm/ 62 super rapid; 2 canhões de 6 canos rotativos AK-630 em calibre 30 mm.
Aeronaves: 2 helicópteros anti-submarino Sea King MK-42B .
Acima: Nessa foto podemos ver o momento do lançamento de um foguete anti-submarino RBU-6000. Esta arma já é usada pela marinha indiana a muitos anos graças a influência da indústria naval russa nos projetos navais usados pela aquela força.
Fontes: Site Indian Military; Site Naval Technology; Site bharat-rakshak; Site Deagel; Site Globalsecurity.
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11 comentários:
Não seria este navio uma opção interessante para a MB,dentre os que são produzidos pelos países do bloco (de carnaval talvez!?...)BRIC ?
Olá leonardo. Sim. Este navio seria uma interessante solução para nossa marinha. A India mandou muito bem nesse projeto.
Abraços
Eu tambem concordo que este navio seria uma boa para o Brasil.
O Nosso país precisa fazer o mesmo que os Indianos e os Chineses fazem fabricar suas armas mais usando os componentes de outras nações e no futuro produzir suas próprias armas 100% nacionais.
O Brahmos é demais será que ele não vai ter uma versão com ogiva nuclear?
Olá Raphael.
O Bhramos não tem uma ogiva nuclear, ainda. Mas acredito que seja um passeio para os engenheiros, colocarem uma nele.
Abraços
O P-270 Moskit usa além da ogiva de alto explosivo de 300Kg uma ogiva de fissão de 120Kt.
Por falar em Moskit o Brahmos será o sucessor deste formidável míssel?
Pelo que sei, ambos os misseis operarão juntos.
Muito boa essa fragata.
Mas a India tem a vantagem de ter 2 fornecedores Russia e EUA, nós não!!
Logo esquece ela...
Carlos, o RAM e o Phalanx dão conta de parar o míssil Brahmos??
Sei que a pergunta é meio dificil, mas se você souber algo diga pra nóis aha
abraço
Olá Galileu.
Não há nenhum teste feito que pudesse simular esse "combae". Mas eu tenho uma intuição de que o Brhamos supera esses sistemas de defesa.... O RAM, especialmente, poderia ter uma chance melhor, mas ainda sim, apostaria no Brhamos.
Abraços
Os russos vão comprar 3 fragatas similares a esta (Talwar) para a sua frota do Mar Negro
http://en.rian.ru/analysis/20101013/160945118.html
Vão esperar que as Admiral Gorshkov em construção façam as provas de mar antes de as produzir em número.
Cumpts
Manuel Santos
Saudações Carlos!!!
A ação vale mais que o hábito segundo o Filosofo Aristoteles. Realmente, é verdade. Bem, mesmo assim, ainda pergunto: COMO UMA NAÇÃO TÃO ATRASADA QUE ADORA ATÉ RATOS, CONSEGUE EVOLUIR TÃO RÁPIDO? O que realmente importa, falando francamente, é a iniciativa e o querer militar. A política é como um filhinho de papai. Mimado e egoista, além de mal carater. Se o Brasil continuar lento, creio que navegaremos brevemten em barquinhos de papel com capacete de papel. Carlos, a India é realmente mais avançada tecnologicamente que o Brasil ou o desenvolvimento deles é heterogeneo com ação e o nosso homogeneo sem ação? Sinceramente, doe ver um Pais como o Brasil A VER NAVIOS E A NAVEGAR, DIGO A DIVAGAR, NOS VERDES MARES.
Olá Guardião. A India tem mais tecnologia MILITAR especificamente, afinal de contas eles tem um projeto genuinamente próprio de um caça supersônico (o Tejas, mísseis anti aéreos, antinavios e ar ar próprios.
Abraços
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