PESQUISA DE EQUIPAMENTOS

Pesquisa personalizada

Segunda-feira, Novembro 08, 2010

DCNS CLASSE GOWIND (L`ADROIT). Uma família de navios sob medida


DESCRIÇÃO

Nos últimos tempos tem se visto na mídia dedicada a defesa textos sobre o interesse do Brasil em adquirir navios de patrulha oceânica para patrulhar a área do pré sal. Muitos navios de patrulha têm sido ofertados para nossa marinha, sendo que alguns deles ainda estão em fase de projeto. O navio que tratarei a partir de agora é um desses projetos que ainda não saiu do “papel”. A famosa fabricante de navios francesa DCNS desenvolveu uma família de navios que com sua modularidade e configurações podem ser adaptados a muitas missões que começam na função de patrulha oceânica e chega nas corvetas de diversos perfis.
Devido a grande modularidade e configurações diferentes, os navios desta família podem ser equipados com sistemas de sensores, armas e propulsão diferente entre eles, sempre de acordo com as necessidades e desejos de cada cliente.
As versões da Gowind são chamadas:
- Control: navios de menor porte dedicados a proteção da ZZE (Zona Marítima Exclusiva).
- Presence: Navios de maior porte para poder manter sua presença a distancia e tempos maiores. Esta versão leva armamentos mais leves, embora tenha um espaço maior.
- Combate: Esta versão foi, inicialmente, projetada para a marinha da Bulgária e é bem armada e equipada, sendo a segunda maior variante deste projeto.
- Action: A maior e mais bem equipada embarcação desta família de navios.
Desta forma, seria muito longo ficar descrevendo cada uma das muitas versões desta família de navios de guerra, sendo que darei maior foco na corveta Gowind Action, a maior e mais bem equipada e armada entre os navios desta família.
Acima: A Gowind Action e Presence tem uma arquitetura idêntica com uma vela bastante alta. A janela panorâmica no alto da vela é uma qualidade extra do desenho deste moderno navio.
A Gowind Action pode ser equipada com o radar Thales MRR 3D NG que faz busca aérea e de superfície, sendo que seu alcance contra alvos aéreos é de 180 km. Embora esta redar seja um radar de varredura mecânica, sua busca vertical se dá através de varredura ativa. A Gowind pode ser equipada com sensores passivos ópticos com capacidade de visão noturna para apoiar a busca de alvos. Como os modelos e fornecedores destes sensores podem ser variados, não há um modelo específico para se apontar neste artigo. Essa flexibilidade de escolha dos equipamentos faz parte das características positivas deste interessante projeto.
A ponte da Gowind, independente da versão, possui visibilidade de 360º, uma característica rara em navios de guerra, mas muito útil para fornecer uma maior consciência situacional. Outra interessante característica da Gowind é que ela usa em todas as suas versões componentes de uso comercial, em seus sistemas o que torna sua manutenção mais barata e de logística mais fácil.

Acima: Nesse infográfico podemos ver a Gowind Combate, originalmente projetada para a marinha da Bulgária.

A propulsão da Gowind será feita por um motor a diesel e um motor elétrico de tipos ainda não determinados. O motor pode impulsionar um sistema de jato de água, o que tornaria o navio mais silencioso, ou pode usar o sistema convencional composto por um ou dois eixos com hélices dependendo da versão da Gowind. A versão Action, especificamente, pelo seu tamanho, usará dois eixos. A velocidade máxima projetada para esta versão é de 27 nós (50 km/h), o que pode ser considerado dentro do que esse tipo de navio desempenha, normalmente.
Acima: A corveta Gowind Action tem um desenho bastante limpo, o que melhora sua capacidade furtiva. Estes navios são uma opção bastante interessante para defesa litorânea.
tsO armamento da Gowind é igualmente flexível. A versão Action é armada com um canhão Otobreda 76 mm capaz de atingir um alvo a 30 km de distancia. Este compacto canhão é capaz de uma cadência de fogo que chega a 85 tiros por minuto. O arsenal de míssil conta com dois lançadores quádruplos de mísseis antinavio que podem vir na forma da ultima versão do famoso míssil Exocet. A versão MM-40 Block 3 com alcance tremendamente aumentado de 70 km para 180 km. Este míssil pode ser usado contra alvos em terra também, graças a integração de um sistema de guiagem apoiado por GPS além do radar ativo. Como opção a este míssil, o cliente pode escolher instalar lançadores para mísseis RGM-84 Harpoon ou o míssil sueco Bofors RBS-15 MK-3, ambos guiados por radar ativo com apoio de um sistema inercial.
Para defesa antiaérea pode ser instalado um lançador vertical atrás do canhão de 76 mm. Os mísseis podem ser do tipo MICA VL com alcance de 20 km e guiagem por radar ativo. Porem pode ser usado, no lugar deste míssil, o míssil sul africano Umkhonto guiado por infravermelho IR e com alcance de 12 km. Outro interessante míssil que pode ser instalado é o Áster 15 com alcance de 30 km e guiado por radar ativo. Metralhadoras calibre 50 (12,7 mm) controladas por controle remoto podem ser usadas também.

A versão Action da Gowind pode operar um helicóptero médio ou VANTS em um heliponto atrás da vela

Acima: O moderno míssil MM-40 Block 3 Exocet é o principal armamento anti superfície da Gowind. Com esta arma, a corveta, será capaz de atacar alvos navais e terrestres com grande capacidade destrutiva.
Com uma modularidade extremamente desenvolvida, a Gowind pode se adaptar ao gosto de qualquer cliente que precise de um navio moderno para defesa litorânea e que tenha um custo operacional baixo. O Brasil poderia usar uma de suas versões para patrulha oceânica, sendo que pelos requisitos que a marinha brasileira possui para esta embarcação, a versão da Gowind que atenderia a marinha brasileira seria a OPV (navio de patrulha oceânica) bem menos equipada e armada que as outras versões. As tarefas que exigirem maior poder de fogo, a marinha deve deixar a cargo das suas fragatas.
Acima: Nesta foto temos uma maquete de uma Gowind Presence, com uma configuração similar a encontrada na Gowind Action.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Corveta/ Navio de patrulha oceânica.
Tripulação: de 35 a 60 tripulantes dependendo da versão.
Data do comissionamento: previsto para 2012.
Deslocamento: 1100 a 2500 toneladas dependendo da versão.
Comprimento: 90 a 105 mts dependendo da versão
Boca: 13 a 14,2 mts dependendo da versão.
Propulsão: 1 motor a diesel de tipo não determinado
Velocidade máxima: 27 nós (50 km/h).
Alcance: 9600 Km (versão Ação)
Sensores: 1 radar Thales MRR 3D NG com 180 km de alcance.
Armamento: Um canhão Otobreda 76 mm, dois lançadores de m[íeis antinavio MM-40 Block 3 Exocet ou similar. Um lançador vertical para 16 mísseis VL MICA antiaéreos e metralhadoras calibre 50 (12,7 mm)
Aeronaves: Um helicóptero médio e um VANT (veículo aéreo não tripulado).

ABAIXO TEMOS UM VÍDEO PROMOCIONAL DAS FUTURAS CORVETAS GOWIND.



Fontes: Site Plano Brasil; Site Naval Technology; Site Deagel; Site Armed Forces; Site DCNS (fabricante).

Gostou deste artigo? Receba por e-mail o alerta de atualização do blog, mande um e-mail para campodebatalha.blogs@gmail.com

15 comentários:

Leonardo disse...

Essa corveta ter essa vela assim tão alta não pode ser um gol contra contra ela,quer dizer,ter um centro de gravidade tão elevado não pode ser prejudicial/arriscado num mar realmente agitado !?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Leonardo. Eu acredito que a DCNS não iria cometer o equivoco de projetar um navio, mesmo que de pequeno porte, que não fosse estavel em qualquer situação de mar.
Abraços

Paulo disse...

Olá amigos foristas.
Já troquei algumas palavras com o Carlos a respeito das Gowind, esse para mim em sua versão combat seria o melhor navio de patrulha oceânica para a aquisição pelo Brasil, fora o fato de ser a DCNS também a fabricante das fragatas FREMM, o que em relação a transferência de tecnologia, nos daria uma vasta gama de conhecimentos e uma melhor negociação, visto que estaríamos adiquirindo dois modelos do mesmo fabricante e em quantidades bem significativas.
O grande trunfo das gowind é que podemos instalar nelas o que "nos der na telha", obviamente dentro de suas capacidades, e o Brasil com condições de poder produzir navios modulares voltados exatamente para as nossas necessidades seria um ganho absurdo de tecnologia a um preço "módico" se comparado as vantagens.
Como eu disse antes, se a decisão fosse minha em escolher os NaPOc as Gowind seriam as vencedoras.

helio disse...

Carlos, de marinha não entendo nada então você pode me falar qual é a melhor fragata do FX naval?
E outra coisa qual é a diferença de fragata e destróier?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Helio. Para mim, o melhor navio seria o francês FREMM. Porém o Brasil deve ir de FREMM de versão italiana. cujo armamento é pouco mais leve e os sensores menos sofisticados. (essa versão deve ser mais barata também.
Um destroier, teóricamente, deveria ser usado como um "caça submarinos" ou contra torpedeiro, como a marinha do Brasil os chama. Porém, com o passar das decadas e a evolução tecnologia das armas e sensores, o destroier acabou se tornando uma plataforma multi missão, com a unica diferenã que se peso de deslocamente fosse maior que os 6000 toneladas. Uma fragata éra para ser um navio multimissão de apoio... porém pelos mesmos motivos, se tornou uma embarcação pesadamente armada e muito mais capaz.
Abraços

helio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
helio disse...

Carlos, só mais uma pergunta, no FX naval a transferencia de tecnologia também existe? e para que material só para o navio e seus sensores ou para os armamentos também como o ASTER por exemplo

Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Helio. Sem dúvidas que existe. Veja só: O exercito encomendou o desenvolvimento de uma viatura blindada de infantaria e ao invés de comprar uma, acabou desenvolvendo aqui mesmo. O FX não poderá ser desenvolvido aqui... os concorrentes já existem, mas o Brasil terá que receber transferência de tecnologia de alguns elementos do projeto que vencer. Os navios serão iguais. Terão que, no mínimo, serem montados aqui.
Abraços

Paulo disse...

Grande Carlos, agora que vc postou a matéria, que por sinal esta excelente como sempre, e teve a oportunidade de estudar as Gowind, não sei se vc vai se recordar de nossas conversas quanto a patrulhas oceânicas mais ou menos armadas, mas falamos muito sobre o conceio de o navio poder ser armado conforme os niveis de tensão, sendo assim reduzindo os custos operacionais(navios com mais armas custos de manutenção maiores).
Seria a Gowind ou um projeto de semelhante modularidade, tendo inclusive a capacidade de remover e recolocar armamentos, hj em sua opnião o melhor investimento para um NaPOc?
Ou ainda mantém a opnião de que seria melhor manter navios já convencionalmente mais pesadamente armados?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá paulo. Eu sopu da opinião de que os navios devam ser mais pesadamente armados mesmo. Essa Gowind Action, seria uma solução interessante para um navio de patrulha oceanica, embora ela seja classificada como "corveta". Falta, apenas, no meu entender, um desempenho de navegação melhor. Penso em um navio pesadamente armado e com velocidade alta, maior que o de qualquer destroier. Sei que essa característica diminuiria a autonomia, porém penso que possa ser mantido uma autonomia de uma semana num navio rápido.
Abraços

Raphael disse...

Eu gostei mais da versão action. Carlos eu acho um navio desses poderia ser usado para defesa dos nossos rios como o amazonas que é praticamente um mar. Eu tambem gosto da FREEM e na boa eu prefiro que o nosso país faça negocio com os franceses do que os americanos.

Um outro veiculo muito interessante do Brasil projetar seriam os Ekkranoplanos se o nosso país fosse soberano de verdade e petroleo fosse nosso o governo poderia comprar o projeto Lun russo e desenvolver Ekranoplanos para operem nos nossos rios.

anselmoperlin disse...

Carlos E.Di S.J.espero não estar falando besteira como o Brasil ja possui capacidade para construir submarinos convensionais.Deveria produzir uma plataforma dessas com lançadores do cistema astros 3 que possue um alcance de 300 km.Seria uma arma surpriendente ja que estaria fora do alcance vizual dos sateletes.Tamto Oceanico como tambem pros rios da amazonia.Mais uma vez pesso que me desculpem se falei besteira mas nós temos ideas e os enjenheiros que as coloquem em pratica.

felipe.wmenz disse...

Olá carlos,na minha opinião,eu gostaria de ver uma nova classe da corveta barroso melhor armada ex: o misseis da mectrom ante navio que ainda esta em projeto pelo que eu me lembro,e com melhores equipamentos(sensores,radares, e ainda com um formato stealth,claro isso iria demorar mais que comprar feita,mas no futuro daria gosto de ver toda com tecnologia nossa ou transmitida de outros meios que a marinha viria ter comprado,fizemos o melhor tanque do nada,podemos fazer um navio moderno.

MateusGM disse...

Carlos gostaria de saber o que você acha das corvetas chinesas Type 056
e se elas seriam boas para a marinha do brasil já que ouvi rumores que ela teria uma versão de exportação

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Mateus. ei considerei as Type 056 ideais para a função de patrulheiras oceânicas que aqui no Brasil estão adquirindo navios desdentados (sem armamento adequado0. Realmente a Type 056 é uma embarcação adequada e moderna para opera em mares litorâneos.
Abraços