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Quinta-feira, Dezembro 02, 2010

USS ENTERPRISE CVN-65. O primeiro porta aviões nuclear do mundo

DESCRIÇÃO
O super porta-aviões USS Enterprise assinou seu nome na história da engenharia naval como o primeiro porta aviões movido a energia nuclear já construído. Além desse marco, este colossal navio de guerra, comissionado na marinha dos Estados Unidos no segundo semestre de 1961, foi e ainda se mantém, como o maior navio de guerra já construído, com um comprimento de 342 metros e um deslocamento de 94781 toneladas quando totalmente carregado. Curiosamente, mesmo sendo o maior navio de guerra, o Enterprise não é o mais pesado, sendo o Nimitz, já descrito neste blog, o mais pesado navio de guerra. Sua construção foi executada pelo famoso estaleiro Newport News Shipbuilding, construtor do Nimitz também e de muitos outros navios de guerra de destaque.
Acima: Esta é uma antiga foto do USS Enterprise. Notem a estrutura que caracteriza o Enterprise acima da ilha. Na reforma que se iniciou em 1979, esta estrutura e seus sistemas foram retirados e substituídos por outros mais confiáveis.
O Enterprise é propulsado por 8 reatores nucleares A2W fabricados pela Westinghouse que produzem a incrível potência de 280000 Hp, colocando o Enterprise como o mais potente navio nuclear de mundo. Essa configuração de propulsão permite que o navio mantenha por tempo indeterminado a velocidade máxima de 33 nós (62.2 km/h). Ainda, a título de curiosidade apenas, o Enterprise é o mais rápido porta aviões em serviço atualmente e um dos mais rápidos navios de grande porte da história. A autonomia do combustível do reator instalado no Enterprise é de cerca de 20 anos de uso ininterrupto, limitado apenas pela disponibilidade de mantimentos para a tripulação.
Acima: Mesmo sendo o mais longo navio de guerra de todos os tempos, o Enterprise não é o mais pesado. Seu deslocamento é menor que o dos super porta aviões da classe Nimitz.
O Enterprise, e seu cruzador de escolta “irmão” USS Long Beach (CGN-9) foram os primeiros navios de guerra a serem projetados para usarem radares de varredura eletrônica e ambos foram, inicialmente equipados com o sistema de radar SPS-32 e SPS-33, que mesmo tendo um alcance teórico elevado, chegando a próximo de 500 km para busca aérea, houve problemas técnicos e de custo fazendo com que este sistema fosse substituído na reforma que o Enterprise sofreu entre 1979 e 1982, quando radares convencionais modelo SPS-48 E tridimensional e o radar bidimensional SPS-49 foram instalados no lugar dos radares originais. O radar de busca aérea tridimensional SPS-48 E tem alcance máximo de 407 km contra alvos de grande RCS (um Boeing 747, por exemplo) voando alto. Um caça pode ser detectado a 220 km de distancia. O radar SPS-49 tem alcance maior, chegando a 525 km, contra alvos de grande RCS. O Enterprise possui, também, um sistema de guerra eletrônica AN/SLQ-32 (V) 4 capaz de interferir, ativamente, nas emissões de radares inimigas.
Acima: Aqui podemos ver a antena do radar AN/ SPS-48E que passou a equipar o Enterprise depois de sua modernização em 1979. Este radar, embora de varredura mecânica, possui bom desempenho e permite uma capacidade de busca aérea de longo alcance.
O armamento orgânico do Enterprise é limitado a capacidade de defesa de ponto, sendo composto por dois lançadores óctuplos MK-29 para mísseis RIM-7 Sea Sparrow. Este míssil, usado desde 1976 e ainda em serviço, é guiado por radar semi-ativo e possui alcance de 19 km.
Há dois lançadores MK-49 para 21 mísseis de curto alcance RIM-116 A RAM, guiados por calor e com alcance de 9 km. Por ultimo, há dois sistema CIWS MK-15 Phalanx com 6 canos rotativos em calibre 20 mm e capaz de despejar 4500 tiros por minuto contra um alvo que esteja a uma distancia máxima de até 3000 metros.
Se você achou pouco, eu concordo com você. Porém a defesa de um porta-aviões não se baseia nessas limitadas armas. Na verdade a ala aérea do navio é a sua verdadeira espada e seu escudo. E é justamente nesse ponto onde o Enterprise mostra seus dentes. Sua ala aérea, em tempos de paz, é composta por “apenas” 76 aeronaves. Este numero pode chegar a 110 aeronaves em tempos de guerra. O Enterprise já operou caças F-4 Phanton, F-14 Tomcat e nos dias de hoje, tem sua aviação de combate nas mãos dos excelentes caças F/A-18C/D Hornet e F/A-18E/F Super Hornet. Das 76 aeronaves que ele transporta, em tempos de paz, 56 são caças F/A-18 em suas 4 versões, garantindo um poderoso escudo de defesa aérea envolta do navio e de seu grupo de batalha naval. Fazem parte de sua ala aérea, aeronaves EA-6B Prowler, de guerra eletrônica e que em breve serão substituídas pelo novo avião E/A-18G Growler, um derivado do F/A-18E Super Hornet que opera dedicado a guerra eletrônica e de supressão de defesa aérea. Para alerta aéreo antecipado AEW, são transportados 4 aeronaves Grumman E-2C Hawkeye equipados com um radar APS-145 capaz de detectar um avião com 5m2 de RCS (tamanho de um caça) a 320 km, aproximadamente. Alvos maiores podem ser detectados além a distancias ainda maiores. As aeronaves de asas rotativas são representadas pelos 10 helicópteros da família SH-60F Seahawk, usados para guerra anti-submarino e o HH-60 de busca e salvamento.
Acima: O Enterprise é o único navio desta classe. O seu elevado custo obrigou o governo americano a desistir do projeto de construir mais unidades deste gigante dos mares.
O Enterprise é um clássico super porta-aviões norte americano e deverá ser substituído em 2014 pelo novo porta-aviões USS Gerald R Ford, finalizando uma bem sucedida carreira de 53 anos de bons serviços prestados a marinha dos Estados Unidos, através dos principais conflitos em que os Estados Unidos participaram desde os anos 60. Atualmente, o Enterprise opera na 2º frota que atua no oceano Atlântico. Existe a previsão que o Enterprise, depois de ser descomissionado, seja desmontado para reciclagem.
FICHA TÉCNICA
Comprimento: 342,2 m
Calado: 10,9 m
Boca: 40.5 m
Deslocamento: 94781 toneladas
Propulsão: Nuclear, com oito reatores Westinghouse A2W , mais 4 turbinas a vapor Westinghouse, que geram 280 000 HP
Velocidade máxima: 33 nós (62,2 km/h)
Autonomia: reabastecido a cada 20 anos
Sensores: Radar de busca aérea: AN/SPS 48E; AN/ SPS 49; Radar de busca de superfície: AN/ SPS 67 V banda G.
Armamento: 2 lançadores MK 29 de 8 células de mísseis Sea Sparrow; 2 lançadores MK-49 para mísseis RIM-116 RAM; 2 Canhões CIWS MK-15 Phalanx de 20 mm.
Aviação: 56 F/A-18 E/F super Hornet, 4 Grumman E-2 C Hawkeye, 4 EA-6B Prowler, 6 helicópteros SH-60 Seahawk, 4 helicópteros HH-60 podendo, em caso de guerra, chegar a 110 aviões.
Acima: O braço de combate da marinha dos Estados Unidos, atualmente, é composto pelos caças F/A-18E/F Super Hornet (foto) e pelos F/A-18C Hornets de geração anterior.
Acima: O avião de alerta aéreo antecipado E-2C Hawkeye representa uma importante garantia de controle do espaço aéreo, pois seu radar "estica" a consciência situacional do grupo de batalha em centenas de quilômetros.
Acima: Os excelentes helicópteros SH-60 Sea Hawk são, atualmente, o principal vetor de guerra anti-submarino a bordo dos porta-aviões norte americanos.

Fontes: Livro Guia de Armas de Guerra – marinha dos EUA – Editora nova Cultural; Site Military.com; Site Military Today; Site Deagel; Site Global Security.

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20 comentários:

gabrera disse...

É uma pena Di Santis que ele será desmontado,acho que daria um ótimo museu da US Navy,onde as instalações de refeitório e dormitórios poderiam até se transformarem numa espécie de hotel temático,com os aviões e armamentos navais expostos no convôo e nos hangares,os refeitórios poderiam ser restaurantes e os dormitórios,poderiam ser suítes...seria bem mais lucrativo assim que desmontado em um estaleiro imundo em algum lugar da Índia,onde o nosso Minas Gerais teve um triste fim...

Abraços!!!

helio disse...

Carlos sei que o Brasil vai construir NAs com a França, Rússia e Ucrania e sei que teremos 2 nucleares mas já tem um prazo de entrega para ele? e já se sabe as especificações tecnicas?

Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Helio. Na verdade ainda não temos um prazo para o programa de substituição do São Paulo. Porém arrisco dizer que ele não será nuclear...
Abraços

anselmoperlin disse...

Carlos E. Di S.Junior acredito que sera muito mais facil colocar um reator num porta aviões do que num submarino.O casco de um submarino tem que suportar uma presão centenas ou milhares de vezes que a de um navio de superficie.O brasil ja tem capacidade para construir super navios.Corijame se eu estiver errado. TEMOS QUE JERAR EMPREGOS AQUI E MOSTRAR NOSSA CAPACIDADE O MAIS DEPRESA POSIVEL.cinseramente estou apreensivo com os USA.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Anselmo. Não se preocupe co0m o EUA. Teóricamente eles podem destruir qualquer nação, com excessão da Russia e China. O Brasil precisa de uma cultura de defesa e de investir nisso... Ainda não começamos a fazer a lição de casa....
Abraços

jesusmoreira disse...

Olá Di Santis. Acho que já estamos fazendo o dever de casa sim, através de sites e blogs que disseminam informação e geram cultura, em alguns séculos (Risos...)esta cultura fará parte de toda a nação, chegando a maioria dos que estão em Brasília. Vc viu o FX? Não dá outra!FX-3 ou Gripen, por questões de custo, como sempre.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá jesus. Esse asunto FX me deixou putissimo da vida hoje....
Abraços

paixão disse...

Quanto um dia o BRASIL,dominar a tecnologia nuclear vai demorar anos,quanto ao poder aereo brasileiro,nós somos mais para a defesa contra um ataque convencional do que nuclear,não teriamos a menor chance,o que devemos é acelerar o programa espacial,militar para defesa do nosso territorio,diminuir a dependencia tecnologica,fabricar aqui mesmo com projetos próprios os nossos navios de guerra,aviões, e tanques, eu ja tenho o meu,não é de verdade mais voa "trovão"

eduardohcs27 disse...

Você não acha meio fantasioso esse novo programa do aumento da frota da Marinha do Brasil :
2 PORTA AVIÕES
4 PORTA HELICÓPTEROS
20 SUBMARINOS CONVENCIONAIS
6 SUBMARINOS NUCLEARES
MAIS DE 30 ESCOLTAS.
estão divulgando isso na mídia mas eu acho ridículo, pois o brasil teria uma frota de guerra maior que as marinhas da França e Inglaterra. De onde é que vai sair tanto dinheiro para montar uma frota desta. abraços !!!

eduardohcs27 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Eduardo. Realmente considero estes números uma grande viagem. O problema nem é que não temos dinheiro. Isso, até temos. O problema é a indisponibilidade do governo em liberar esta verba para fins de defesa.
Abraços

Lucas disse...

Olá,perabéns por este interessante blog. Há algum tempo venho visitando-o e lendo ops artigos. Vim dar uma sugestão para uma futura matéria: os encouraçados Classe Iowa, da US Navy. Sou fã desses navios e gostaria de vê-los descritos neste blog.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Lucas. Obrigado pela congratulação e pela sugestão. Coincidentemente, ontem eu havia dito a um, leitor que iria fazer um artigo sobre o Lowa em breve.
Abraços

Probus disse...

Di Santis, por favor, recebi este vídeo hoje:

Conversación entre Gallegos y Americanos, DEMASIADO CÓMICO...

http://www.youtube.com/watch?v=foYBsV4BesQ&feature=player_embedded

1) Gostaria de saber se é possível um erro desse acontecer;

2) Se este vídeo tem alguma probabilidade de ser real ou se você o conhecia;

Muito obrigado!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá probus.
Poder ocorrer, sim, pode, porém seria improvável.
Acredito que este vídeo seja falso, pois considero muito remota as chances dessa gravação ir parar num meio publico.
Abraços

Probus disse...

Di Santis, por deverás lhe agradeço sua atenção. Peço-lhe desculpa por agradecer com tamanha demora. Valeu DEMAIS, foi de muita valia para mim!!

Nota 1000 para estas três postagens!! Perdão por eu escolher estas três em especial.

HUDONG ZHONGHUA SHIPYARD TYPE 054A JIANGKAI II. A China entra na era da furtividade naval
http://navalpowercb.blogspot.com/2009/09/hudong-zhonghua-shipyard-type-0...

TYPE 052C CLASSE LUYANG II. O destróier chinês no estado da arte
http://navalpowercb.blogspot.com/2010/12/type-052c-classe-luyang-ii-o-de...

JIANGNAN SHIPYARD TYPE 052B GUANGZHOU. Um marco na história da marinha chinesa
http://navalpowercb.blogspot.com/2011/05/jiangnan-shipyard-type-052b-gua...

Por favor, gostaria que o Senhor comentasse sobre esta postagem.

O fim da era stealth
http://www.defesabr.com/blog/index.php/08/06/2011/barry-watts-e-o-fim-da-era-stealth/

Eu gosto muito do Roberto Silva e tenho por ele uma profunda admiração, tal qual, a você.

Perdão, mas, caso possa, gostaria também de sua opinião quanto aos, ou, ao menos, o que o Senhor acha sobre estes desenvolvimentos e a confiabilidade dos mesmos:

DongFeng 21 (CSS-5 Mod-1)
DongFeng 21A (CSS-5 Mod-2)
DongFeng 21C (CSS-5 Mod-3)
DongFeng 21D (CSS-5 Mod-4)
Kaituozhe (Veículo de Lançamento Espacial)
SC-19 Carrier cinética do veículo Kill

http://www.sinodefence.com/strategic/missile/df21.asp

Sinta-se abraçado. Muito obrigado por sua sempre contribuição a minha pessoa.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Probus.
Minha obrigação, a frente deste blog, é justamente o de apoiar o desenvolvimento da cultura de defesa dos leitores a fim de tirar suas duvidas e dar a eles a capacidade de desenvolver sua própria opinião sobre o assunto.
Os mísseis DF-21 são uma família de armas que trouxe um grande desenvolvimento a capacidade dissuasória chinesa. Porém os modelos iniciais (as versões 21 e 21A possuem uma margem de erro (CEP) enorme, com mais de 100 metros em relação ao ponto de impacto previsto, o que torna esta arma menos eficaz, do que os seus similares ocidentais. Porém, a versão C e a ultima D, são tão precisas que podem dispor de ogivas menores, devido ao fato de conseguir acertar o ponto mais proximo do alvo (cerca de 40 metros na versão C) e o D que representa o unico míssil balistico antinavio, capaz, segundo fontes chinesas e norte americanas, de destruir um porta aviões num unico golpe.
Esta ultima versão, será foco de um artigo especifico no blog, em breve.
Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Probus.
Minha obrigação, a frente deste blog, é justamente o de apoiar o desenvolvimento da cultura de defesa dos leitores a fim de tirar suas duvidas e dar a eles a capacidade de desenvolver sua própria opinião sobre o assunto.
Os mísseis DF-21 são uma família de armas que trouxe um grande desenvolvimento a capacidade dissuasória chinesa. Porém os modelos iniciais (as versões 21 e 21A possuem uma margem de erro (CEP) enorme, com mais de 100 metros em relação ao ponto de impacto previsto, o que torna esta arma menos eficaz, do que os seus similares ocidentais. Porém, a versão C e a ultima D, são tão precisas que podem dispor de ogivas menores, devido ao fato de conseguir acertar o ponto mais proximo do alvo (cerca de 40 metros na versão C) e o D que representa o unico míssil balistico antinavio, capaz, segundo fontes chinesas e norte americanas, de destruir um porta aviões num unico golpe.
Esta ultima versão, será foco de um artigo especifico no blog, em breve.
Abraços

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!!!
É verdade que a China, França e Ucrania tem assinado um protocolo para construção e transferência de tecnologia de porta-aviões e porta-helicoptero. Não vi e nem ouvi nada a respeito de tal assunto até hoje. Outrossim, creio que um investimento desse porte demanda muito recurso e se ja enfrentamos dificuldades no aporte de investimento voltado para construção e aquisição de fragatas e aviões, creio que em relação a essas belonaves...

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião. Desconheço qualquer acordo com este conteúdo. Penso que nenhum destes países tem tradição em construção naval de primeira linha para poder agregar algum conhecimentos. A China é a grande percursora de novos meios navais do momento.
Abraços