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sexta-feira, janeiro 28, 2011

KOCKUMS CLASSE GOTLAND. Revolucionando o mercado de submarinos convencionais


DESCRIÇÃO
Os submarinos nucleares possuem algumas importantes vantagens táticas sobre os submarinos convencionais. Normalmente eles são mais rápidos, possuem maior capacidade de transporte de armas, graças a seu tamanho, também maior e, ainda, são capazes de se manter submersos por tempo indefinido, pois sua propulsão nuclear independe de meios externos, como o ar, para funcionar. Essa ultima vantagem apresentada é a mais importante dentre todas as outras que um submarino nuclear tem, frente a seus irmãos convencionais. Uma nova tecnologia de propulsão, desenvolvida para manter as baterias que movem os motores elétricos dos submarinos convencionais por muito mais tempo sem que eles precisem subir a superfície e captar ar para alimentar os geradores a diesel que carregam estas baterias foi desenvolvida por vários países como Alemanha, Suécia, Rússia e França. Essa tecnologia, chamada de AIP (Air-independent Propulsion), ou Propulsão independente do ar já foi mencionada neste blog por ser usada em alguns submarinos descritos aqui. Estas técnicas permitem a um submarino convencional se manter submerso por muito mais tempo que um submarino normal poderia ficar. Há submarinos com AIP que poderiam se manter por mais de 20 dias submersos usando estes sistemas.
São varias as técnicas AIP usadas, porém a mais antiga e testada é a técnica conhecida como ciclo Stirling. Neste sistema um motor faz a combustão externa usando combustível diesel com um gás (oxigênio liquido) armazenado em um tanque separado. Esse sistema produz calor que é transformado em energia mecânica quando misturado com um outro gás (hélio) que expande dentro dos cilindros do motor/ gerador, produzindo energia elétrica para as baterias do submarino.
Acima: O submarino Gotland é um dos mais capazes do mundo. Os suecos são muito talentosos na engenharia naval e o Gotland é apenas mais um dos frutos deste talento.
O submarino Gotland, foco deste artigo, foi desenvolvido pelo famoso estaleiro sueco Kockums, e foi o primeiro submarino a estar equipado com AIP da história. Ele usa o sistema Stirling em sua propulsão. A propulsão do Gotland é composta por dois motores/ geradores alemães MTU a diesel e duas unidades AIP Stirling Kockums V4-275R que produzem juntos 150 Kw de energia. Este sistema permite ao Gotland ficar submerso por 14 dias sem precisar subir para captar ar. A maior limitante do sistema AIP de qualquer tipo é que a velocidade do submarino, quando usando este sistema, é muito baixa. No caso do Gotland ele navega a 5 nós (9,5 km/h) quando o sistema AIP estiver sendo usado. A velocidade máxima, no entanto, é de 20 nós (37 km/h) quando submerso e 11 nos (20 km/h) quando na superfície. Uma curiosidade sobre o Gotland é que seu sistema de propulsão Stirling, impede que o submarino desça a profundidades maiores que 200 metros, sendo, que, nesse caso, ele teria que usar a propulsão normal, para conseguir superar essa marca. A autonomia total do Gotland é considerada como classificada pelas fontes pesquisadas, porém baseando-se nos dados disponíveis sobre um submarino similar, (classe Collins) desenvolvido com ajuda da Kockums, para a marinha australiana, a autonomia do Gotland deve girar em torno dos 20000 km, porém, reforço que esta informação é uma mera especulação deste editor.
Acima: O Gotland é um submarino muito eficiente. Além de silencioso, tem um sistema AIP bastante confiável.
O submarino classe Gotland está equipado com um sonar CSU 90-2 fornecido pela empresa Atlas Elektronik montado em forma de um arco no casco do submarino. Além do sonar, há um radar Manta de busca de alvos de superfície.
O armamento é composto por 4 tubos de torpedos pesados de 533 mm armados com torpedos Type 62 cuja ogiva pesa 250 kg de alto explosivo HE. O alcance deste torpedo chega a 50 km. Além dos 4 tubos de torpedos pesados, há mais 2 tubos de torpedos de 400 mm armados com torpedos Type 451 cuja ogiva, bem menor que a do torpedo Type 62, tem apenas 45 kg. O alcance deste torpedo chega a 20 km. A capacidade de armazenagem do Gotland permite transportar até 12 torpedos em um mix entre os dois tipos. Além disso, podem ser transportados 48 minas navais.
Acima: A tripulação do Gotland é bastante reduzida. São somente 25 tripulantes para por este moderno submarino em combate.
O submarino Gotland foi alugado pela marinha dos Estados Unidos em 2004 para ser testado contra as defesas anti-submarinas a disposição da frota norte americana. O resultado dos testes foi relativamente ruim para os americanos que tiveram suas defesas superadas diversas vezes com o Gotland chegando em condição de tiro contra o porta-aviões Ronald Reagan e outros navios e submarinos deles.
Submarinos modernos com AIP, como o Gotland ao uma solução cara, porém, ainda, mais econômica que ter um submarino nuclear em sua frota. Essa solução traz consigo outra grande vantagem; O silencio que esse tipo de embarcação consegue, permitindo uma maior furtividade em suas operações.
Acima: Alugado pela marinha dos Estados Unidos para testar suas defesas contra modernos submarinos diesel elétricos, o super porta-aviões Ronald Reagan foi uma das varias vitimas do Gotland.

FICHA TÉCNICA
Comprimento: 60 m.
Deslocamento: 1599 toneladas (submerso).
Largura: 6,2 m
Velocidade máxima: 20 nós (37 km/h) submerso e 11 Nós (20 km/h) em superfície
Profundidade: 300 m (maximo)
Armamento: 4 Tubos para torpedos de 533 mm para torpedos Type 62, 2 Tubos de torpedos de 400 mm para torpedos Type 451, Total torpedos: 12 unidades dos dois tipos; 48 Minas navais.
Tripulação: 25 homens
Propulsão: 2 geradores MTU com potencia máxima de 6480 hp cada, 2 sistemas AIP Stirling Kockums V4-275R. Um motor elétrico que produz potência máxima de 1810 Hp.

ABAIXO TEMOS UM VIDEO COM UM DOS SUBMARINOS DA CLASSE GOTLAND, O HMS HALLAND


Fontes: Kockums, Site Naval technology, Site Military Today, Site Deagel, Site Bergall.

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18 comentários:

Leonardo disse...

12 torpedos apenas !? Sério ? Não é muito pouco armamento não !? As minas navais não poderiam ser trocadas por mais torpedos,ou no casco ser inserido um plug como nos Lada russos,com alguns mísseis anti-navio, isso sem afetar o número de torpedos transportados ?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Leo. Na verdade, se transportar as minas, o numero de torpedos ainda diminuirá. Realmente a quantidade é baixa. Estava reparando que este submarino é menor que a média.
Abraços

Viper disse...

Este sub serviria para a nossa Marinha ou só sub de grande porte?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Viper. penso que para a marinha brasileira, o ideal, é um submarino de porte um pouco maior que este, como o Scorpene que adquirimos.
Abraços

.'.Rodrigo disse...

contra um grupo de batalha capitaneado por um porta aviões, se os torpedos tem condição efetiva de neutralizar e colocar fora de combate o porta aviões, creio que não precise de mais torpedos. Mais uma excelente matéria. Só por curiosidade: o que te leva a gastar tempo e estudo pra fazer este blog?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Rodrigo. Obrigado.
Admito que ri quando li sua pergunta.
O Blog começou apenas como um trabalho meu para concentrar informações mais relevantes sobre cada equipamento militar, que antes, voc~e só poderia achar espalhada pela internet ou livros. Assim, as matérias que escrevo tornam mais pratico o acesso ao conhecimento das principais características sobre cada equipamento. Tenho um gosto muito grande por sistemas de armas, desde criança. Considero um trabalho recompensador escrever estas matérias e poder comentar com leitores.
Abraços

IdeJunior disse...

Carlos, esse "pequeno" tubarão é uma dor de cabeças das grandes para os estrategistas militares, pois pode causar um estrago muito grande, haja visto o relatado na materia. Infeliesmente a MB ainda não vai fazer parte do seleto grupo que usa tecnologia AIP, pois ainda não li nada a respeito de sistema AIP nos Subs Franceses. Esse relato, me faz lembrar que um dos Subs da MB em um exercício conjunto com varios paises, se colocou em posição de disparo e afundou um poderoso PA Americano, um trabalho excelente dos nossos Marujos !
Abraço,

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá IdeJunior.
Os franceses desenvolveram um sistema AIP chamado MESMA. este sistema, compativel com os Scorpenes, não foi incorporado ao modelo adquirido pelo Brasil, pois o custo de operação de um sistema AIP, independente o tipo, é absurdamente caro. tenho um artigo sobre o Scorpene neste blog. O link é http://navalpowercb.blogspot.com/2007/01/dcn-navantia-scorpene-o-astuto-tubaro.html
Abraços

Ivo disse...

Embora o Gotland seja um excelente submarino, eu o considero algo ja saturado; pra não dizer ultrapassado.

Mesmo eu não concordando com a escolha da MB no programa ProSub, tenho que admitir que o Scorpene é superior tanto tecnologicamente como taticamente à este congênere sueco. O simples fato do Scorpene ser habilitado à portar e disparar mísseis anti navio pelos tubos de torpedo ja o torna superior.
Ao levarmos em conta as excelentes capacidades do MM-40 Exocet Block III no tocante à alvos costeiros terrestres, a dispridade é maior ainda.

Neste quesito acho que a MB fez uma boa escolha...... poderia ser melhor ainda, se oescolhido fosse o IKL-214...... mas como nada é perfeito.......

Agora, deixar de adquirir a versão equipada com o sistema MESMA alegando que a logistica e o custo financeiro por milha navegada num aguentaria o tranco é duro de acreditar.

A MB tem coragem de falar isso e ainda sonha em operar SSN??????

Coisa de nação tupiniquim mesmo.....

abraços.

Ivo disse...

Rsrsrsrsrs,

Carlos,

Enquanto eu teclava o meu post, o sr. teclou uma resposta os Idejunior falando basicamente no meu ponto de vista.

Abraços.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Ivo. Eu preciso confirmar, mas tenho a impressão de que o a versão block III do Exocet, ainda não pode ser lançada de submarinos, somente de navios de superfície (nem de aeronaves).
Abraços

Raphael disse...

Carlos qual o melhor submarino à propulsão nuclear que o Brasil poderia adquirir? Ele esta construindo um com ajuda da França mais precisariamos de mais de 20 para patrulhar o nosso mar.

Os submarinos da classe Yasen seriam uma boa para o Brasil?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá raphael. Os submarinos da classe yasen são os mais modernos de toda a Russia. O Brasil está construindo seu primeiro sub nuclear e certamente será um navio com desempenho abaixo da média, principalmente em termos de silencio. Mas é uma etapa importante a ser ultrapassada. Só a segunda geração de subs nucleares brasileiros é que serão mais efetivos, em minha opinião. Os subs que usaremos serão convencionais, o que tra uma vantagem interessante... estes são mais silenciosos que os subs nucleares.
Abraços

joao disse...

Olá, gostaria de saber uma informação que muito me chama a atenção. É a seguinte: "Como é feita a comunicação do comando estratégico com sua frota de submarinos"? Um submarino que se encontra a uns 200... 300 metros de profundidade consegue receber e repassar informações do continente? de que forma se dá essa comunicação?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá João. Conversei com uns amigos que são maiores conhecedores de submarinos e eles me disseram que a comunicação se dá em profundidades menores, algo em torno de 30 metros com o uso de uma antena retrátil que vai a superfície para se comunicar.
Abraços

joao disse...

Carlos... 1. Em quanto tempo um submarino brasileiro esgota sua bateria? (tudo bem que isso depende da velocidade. Ouvi que se for em velocidade máxima, a bateria não dura mais que uma hora). 2. Após descarregada, quanto tempo o submarino tem que ficar na linha de água para que os motores diesel carreguem as baterias completamente e ele volte a submergir?
Valeu.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá João.
Nenhuma das duas perguntas que você fez eu sei responder com precisão, porém a primeira, eu diriam que são uns dois ou três dias. Essa afirmação é puro chute meu.
Abraços

joao disse...

Ei Carlos, meio que pesquisando um pouco para obter resposta a minha pergunta, olha só o que encontrei: "De fato, em velocidade máxima, o consumo das baterias dos submarinos brasileiros não duraria mais que 70 minutos. O tempo de recarga completa dessas baterias levaria muito tempo, algo como mais de 30 horas". Fiquei pensando: "sendo assim o submarino convencional acaba se revelando bastante falho na relação "submergido vs tempo de recarga"". Muito ruim mesmo. Enfim, bom trabalho e tudo de bom.