PESQUISA DE EQUIPAMENTOS

Pesquisa personalizada

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2011

DESTROIER CLASSE ASAGIRI. 20 anos ajudando a defender os mares japoneses


DESCRIÇÃO
O Japão encomendou ao seu estaleiro IHI Corporation (Ishikawajima Harima heavy Industries), em meados de 1984 uma versão modificada e aumentada de seu destróier classe Hatsuyuki. Esta nova versão manteve os armamentos, porém recebeu modificação no seu sistema de propulsão e sistemas de sensores, dando ao navio, um desempenho superior e melhor capacidade de varredura de alvos aéreos e de superfície. O navio, em si, é um projeto típico doas anos 80, com clara influencia de designs de navios franceses, porém com armamento norte americano. O novo navio, inicialmente, era chamado de Hatsuyuki modificado, porém foi decidido, pela marinha do Japão, rebatiza-lo de Classe Asagiri.

Acima: Nesta foto fica claro o desenho típico dos anos 80 com dois mastros treliçado . Mesmo com um projeto que já apresenta o peso da idade, o Asagiri é uma ambarcação de combate válida.
Mesmo sendo um projeto obsoleto, dentro da moderna guerra naval, o desempenho do Asagiri permite cumprir sua missão, que é a guerra anti-superficie e anti-submarino, com eficiência, ainda. Este navio é um dos ultimo destróieres do mundo armado com um lançador MK-16 de mísseis RUM-139 ASROC com 8 foguetes equipados com um torpedo que é lançado dentro da água próximo do ponto onde for detectado um submarino pelos sistemas de sensores do navio e de seus aliados. O ASROC tem um alcance de 22 km e seu guiamento é inercial. Outro armamento anti-submarino usado no Asagiri é o torpedo leve norte americano MK-46. Este torpedo é lançado de dois lançadores triplos Type 68 e seu alcance chega a 11 km. Este torpedo usa um sonar ativo e passivo para buscar seu alvo. Esse mesmo torpedo é transportado pelos foguetes ASROC descrito anteriormente.
O armamento anti-superfície é composto por 2 lançadores quádruplos de mísseis RGM-84 Harpoon. Este é o principal armamento antinavio de origem norte americana em uso pelas nações aliadas os Estados Unidos. Este míssil busca seus alvos com um radar ativo na fase final do ataque e seu alcance pode chegar a 130 km. Um canhão italiano Otobreda 76 mm de dupla finalidade (anti-superfície e antiaéreo) está montado na proa do navio. Este canhão dispara 85 tiros por minuto e sua granada pode atingir um alvo de superfície a 20 km.
Para defesa antiaérea , o Asagiri tem um lançador óctuplo MK-29 para mísseis RIM-7 Sea sparrow. Estes mísseis, já considerados antiquados, tem um alcance de 19 km e seu guiamento se dá por radar semi-ativo. Para apoio a defesa antiaérea de ponto, há dois canhões CIWS Phalanx MK 15, de 20 mm. Esses canhões conseguem uma taxa de tiro de 4500 tiros por minuto, o que é suficiente para “rasgar” qualquer coisa que esteja dentro do seu alcance (2000 a 3000 metros). O componente aéreo é formado por um helicóptero médio Mitsubishi SH-60J Seahawk, (fabricado sob licença da Sikorsky norte americana). Este helicóptero é usado para tarefas anti-submarino e de busca e salvamento (SAR).

Acima: O Japão é o principal aliado dos Estados Unidos na Ásia. Conseqüentemente as armas usadas pelas forças de defesa japonesas são, em sua grande maioria, de origem norte americana como este míssil antinavio Harpoon, usado pela Asagiri.
O radar principal do Asagiri foi, inicialmente, o modelo OPS-28, um radar de busca aérea de superfície com alcance de 117 km contra alvos aéreos. Porém este radar foi substituído nas ultimas unidades da classe Asagiri pelo mais moderno e capaz radar OPS-24 tridimensional e com alcance de 445 km contra alvos aéreos de grande tamanho. A titulo de curiosidade, o radar OPS-24 foi o primeiro radar de varredura eletrônica ativa instalado num navio, na historia. O radar de navegação é o modelo OPS-20. O sonar é do tipo de casco, modelo QQS-4 A, montado no casco. Este sonar é fabricado pela Mitsubishi. Outro sonar transportado nesse navio é o modelo OQR-1, do tipo rebocado.
Num navio de guerra com desenho bastante convencional como o Asagiri, os sistemas de guerra eletrônica podem significar a diferença entre a vida e a morte. Por isso os sistemas de guerra eletrônica instalada nesse navio são relativamente completos. Há dois sistemas MK-36 de lançamento de chaff (laminas metálicas que interferem em mísseis guiados a radar) e Flares (iscas de calor contra mísseis guiados por infravermelho). Para despistar torpedos há um sistema de lançamento de iscas torpédicas SQL-25 Nixie. Para completar a suíte de guerra eletrônica há um interferidor OLT-3 capaz de causar congestionamento na recepção de sinais do radar inimigo impedindo que ele possa localizar o navio. Este sistema é apoiado por um sistema de suporte a guerra eletrônica NOLR –6C

Acima: O helicóptero de origem norte americana SH-60J Seahawk, produzido sob licença pela Mistsubishi Heavy Industries.
O sistema de propulsão da Asagiri representa a maior diferença interna do destróier Asagiri com seu irmão mais velho o destróier Hatsuyuki. Este ultimo está equipado com duas turbinas a gás Kawasaki – Rolls-Royce Olympus TM-3B que não tem potencia suficiente para garantir um bom desempenho do navio no mar. No Aasagiri, a propulsão foi mudada para 4 turbinas Rolls-Royce Spey SM1A, que produzem potencia bem maior chegando a 54000 Hp cada, movendo duas hélices. Com isso, a velocidade máxima deste navio chega a 30 nós (56 km/h) plenamente capaz de escoltar um grupo de batalha baseado porta-aviões. A autonomia da Asagiri chega a 14870 km, numero este, que pode ser considerado muito bom para esta categoria de navio.

Acima: Os destróieres da classe Asagiri possuem desempenho de navegação compativel com a escolta de grupos de batalha. Essa capacidade permite ao Japão projetar poder para além de suas aguas territoriais.
Os navios da classe Asagiri são um interessante exemplo de como um bom navio pode ter uma carreira longa. Mesmo com projetos bem mais modernos, os sistemas empregados no Asagiri permitem que ele ainda seja uma classe de navio de guerra válida dentro do contexto estratégico japonês.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Destróier anti-submarino.
Tripulação: 220
Data do comissionamento: Março de 1988.
Deslocamento: 4900 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 137 mts
Calado: 4,5 mts.
Boca: 14,6 mts.
Propulsão: 2 turbinas a gás Rolls-Royce Spey SM1A com 54000 hp de potência cada.
Velocidade máxima: 30 nós (56 km/h)
Alcance: 14870 Km
Sensores: Radar de busca aérea: OPS-24 com 445 km de alcance; Radar de busca de superfície: OPS-28 com 117 km de alcance ;Radar de navegação: OPS-20; Sonar: OQS-4 A montado no casco, e um sonar OQR-1 rebocado.

Armamento: 1 canhão OTO Melara 76/ 62 de 76 mm, 2 canhões CIWS Vulcan Phalanx MK-15 de 20 mm, 1 lançador MK-16 para mísseis anti-submarino RUM-139 ASROC (16 mísseis), 2 lançadores quádruplos de mísseis antinavio RGM-84 Harpoon, Um lançador óctuplo MK-29 para mísseis RIM-7 Sea Sparrow, 2 lançadores triplos Type 68 para torpedos MK-46 ou Type-73.
Aeronaves: Heliponto para operar um helicóptero médio SH-60J Seahawk.

Acima: Um desenho do Asagiri para melhor reconhecimento do modelo.

Fontes:
Site Military Today; Site Naval Technology, Site macrossroleplay; Site Globalsecurity. Livro Guia de armas de guerra – Destróieres, Editora nova cultural.



Gostou deste artigo? Receba por e-mail o alerta de atualização do blog, mande um e-mail para campodebatalha.blogs@gmail.com

TS

5 comentários:

MSantos disse...

Quer em termos de capacidade e armamentos, este navio é uma espécie de equivalente aos SPRUANCE norte-americanos, e são contemporâneos.

Cumpts
Manuel Santos

Fernandi Alves da silva disse...

Gostaria de saber do amigo ,qual o destaque do Japão em termo de Marinha hoje. E ser entrasse em um conflito com a China sem ajuda dos Estados Unidos teria condições de competir de igual para igual .Outra pergunta, esse Destroier são mais poderosos do que as nossas Niteroi ?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Fernandi. A Marinha japonesa tem o destroier classe Atago, um navio derivado da classe Arleigh Burke. Este é o mais moderno destroier deles. A marinha japonesa pode dar muito trabalho para a chinesa, mas a chinesa é um pouco mais poderosa que a do Japão.
O destroier Asagiri é um pouco mais bem armado que as Niteroi, e seus sensores tem maior alcance, também.
Abraços

Rob. Jr. disse...

Parabéns mais uma vez pela ótima análise. Eu nunca havia ouvido falar dos radares OPS-28/24/20. Por acaso é de alguma empresa japonesa? E se for, você saberia me dizer se os japoneses estão superando aquela lei que proíbe a exportação de armamentos? Espero que eles acabem com essa lei, pois os japoneses desenvolvem tecnologias muito interessantes no âmbito militar.
Obrigado.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Rob. Os radares japoneses são, na verdade, versões montadas sob licença de radares americanos. A engenharia japonesa em sistemas bélicos não é tão criativa, dependendo muito de ajuda dos Estados Unidos. A constituição do Japão proíbe, ainda, a exportação de equipamentos militares, porém, considero que isto não é tão problemático pois, como disse antes, seus sistemas de armas são construídos com forte apoio da indústria norte americana.
Abraços