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Terça-feira, Maio 31, 2011

JIANGNAN SHIPYARD TYPE 052B GUANGZHOU. Um marco na história da marinha chinesa.



DESCRIÇÃO

Os leitores mais “maduros”, com mais de 35 ou 40 anos, sabem que as forças armadas chinesas, embora composta por numerosos meios humanos e materiais, nunca tiveram o fator “qualidade” em seus sistemas de armas. Porém, o leitor deste blog tem tido a oportunidade de conhecer os novos e modernos sistemas de armas chineses que tem trazido esta potência econômica para o patamar de potência militar. A marinha chinesa tem sido extremamente beneficiada por esta verdadeira revolução da qual passa a China e sua política de investimento pesado em defesa.

O navio de guerra que tratarei neste artigo representa um marco na capacidade militar da marinha chinesa, pois é considerado o primeiro navio de guerra chinês com capacidade de defesa antiaérea real. Este navio é o destróier classe Guangzhou (chamado de Classe Luyang I em algumas fontes), também conhecido como Type 052B, apresenta um desenho fortemente influenciado pela necessidade de ter uma reduzida reflexão de radar. Outro ponto que salta a vista é sua baixa altura, o que contribui, também, para uma maior discrição visual. Foram construídos dois navios desta classe, que foram comissionados em 2004 e colocados em serviço na frota do mar do sul.


Acima: Deste ângulo, o moderno desenho do Type 052B fica evidente. Sua baixa altura, e linhas limpas, contribuem para uma baixa reflexão de radares.

Os destróieres Type 052B são armados com nada mais, nada menos, que 16 mísseis C-803, divididos em 4 lançadores quádruplos, capazes de afundar um navio inimigo a 200 km de distancia. Estes mísseis voam em velocidade supersônica, acelerando para próximo de mach 2 quando estão bem perto do alvo. Sua ogiva pesa 165 kg com capacidade de perfurar a blindagem que possa existir em alguns navios. Seu sistema de guiagem se dá por radar ativo e INS. Para defesa antiaérea, o Type 052B está armado com 48 mísseis SA N-12 Grizzly, versão naval do míssil Buk M2, capaz de destruir uma aeronave inimiga (incluindo mísseis de cruzeiro) a 45 km. Seu sistema de guiagem se dá por radar semi ativo.

Para combater submarinos, há 2 lançadores Type 75 com 12 tubos lançadores de foguetes anti-submarinos de 240 mm capazes de alcançar até 1200 metros, transportando uma ogiva com 34 kg de explosivos. Estes foguetes tem apoio de 2 lançadores triplos de torpedos leves de 324 mm Yu-7 ou ET-52. Um helicóptero de guerra anti-submarino Kamov Ka-28 é operado no navio e pode ser armado com cargas de profundidade e torpedos.O armamento de tubo é composto por um canhão de uso duplo (anti-superfície e antiaéreo) de 100 mm baseado no modelo francês, capaz de uma cadência de 90 tiros por minuto e com alcance de 12 km contra alvos de superfície. Para defesa antiaérea de ponto, existem dois sistemas CIWS conhecidos como Type 730. Este sistema consiste em um canhão com 7 canos rotativos em calibre 30 mm capaz de uma cadência de 5800 tiros e um alcance de 3 km. Este sistema, especificamente, é orientado por uma combinação de sensores eletrooptico e um radar de controle de fogo dedicado a ele.


Acima: Nesta foto podemos ver um míssil SA N-12 Grizzly sendo carregado para dentro da Type 052B. Este míssil é o principal armamento antiaéreo deste navio, e representa um grande aumento na capacidade de defesa antiaérea dos navios chineses.
O principal sensor da Type 052B é o radar russo tridimensional Fregat - MAE-5 (Top Plate) com um alcance de 300 km contra alvos aéreos de grandes dimensões como um bombardeiro B-52, por exemplo. Este radar pode rastrear 40 alvos simultaneamente, o que torna este navio, uma boa escolta antiaérea. Para controle de fogo dos mísseis SA N-12, há 4 radares MR-90 Front-Dome, também de fabricação russa. Para controle de fogo do canhão de 10 mm, é usado um radar chinês Type 344.O Type 052B tem um sistema de datalink Mineral ME que transmite dados de posicionamento do alvo para os mísseis antinavio C-803. Para detecção de submarinos, há um sonar de modelo desconhecido montado no casco navio.
Um sistema de guerra eletrônica com interferidores (jammer), ativo e passivo foi instalado neste navio, assim como um sistema de lançamento de iscas infravermelha (flares) e eletromagnéticas (chaffs) Type 726-8.

Acima:
Aqui temos um "close" das antenas do radar russo
Fregat - MAE-5 (Top Plate), particularmente eficaz, capaz de detectar uma aeronave inimiga a 300 km.

O sistema de propulsão da Type 052B é composto por uma turbina a gás e motores a diesel (CODOG). Assim, ela possui duas turbinas a gás ucranianas Zorya-Mashproekt DA-80/ DN-80 que produzem, juntas, 48600 Hp de potencia, que se somam a dois motores a diesel Shaanxi que produzem 8840 Hp. Este sistema permite ao navio, atingir a velocidade máxima de 29 nós (54 km/h). A autonomia, embora classificada, é estimada em 6000 km, o que dá uma capacidade de operações de longa distancia.


Acima: Apenas dois destróiers da classe Type 052B foram construídos. O modelo Type 052C Luyang II, já descrito neste blog, ainda mais capaz foi o passo seguinte da marinha chinesa em capacitação para uma marinha de aguas azuis.
O destróier Type 052B representa um dos novos recursos chineses para uma nova força naval capaz de projetar poder longe de seu “quintal”. É admirável o grande esforço do governo chinês no sentido de se tornarem uma verdadeira potência militar. Hoje, já se pode afirmar com segurança, que a China é uma potência militar que poucos paises (Rússia e Estados Unidos) podem enfrentar. Em breve, a marinha chinesa poderá contar, também, com um porta aviões que consolidará esta nova realidade do poder naval chinês.

Acima: Na proa do Type 052B há um heliponto e um hangar para operação de um helicóptero anti-submarino Ka-28, como este abaixo.

FICHA TÉCNICA

Tipo:
Destróier multifunção.

Tripulação:
280 tripulantes.

Data do comissionamento:
Julho de 2004.

Deslocamento:
6500 toneladas.

Comprimento:
154 mts.

Boca:
17 mts.

Propulsão:
2 turbinas DA-80/DN-80 com 48600 Hp e 2 motores a diesel Shananxi com 8840 Hp.

Velocidade máxima:
29 nós (54 km/h).

Alcance:
6000 Km.

Sensores:
Radar tridimensional Fregat - MAE-5 (Top Plate) com um alcance de 300 km. 4 radares de controle de fogo MR-90 Front-Dome, 1 radar Type 344 para controle de fogo para o canhão de 100 mm; 1 sonar ativo/ passivo.

Armamento:
1 canhão de 100 mm, 2 canhões CIWS Type-730 em calibre 30 mm; 8 lançadores quádruplos para 16 mísseis antinavio C-803; 2 lançadores para mísseis antiaéreos SA N-12 Grizzly (48 mísseis), 2 lançadores Type 75 com 12 tubos lançadores de foguetes anti-submarinos de 240 mm, 2 tubos triplos para torpedos leves de 324 mm Yu-7 ou ET-52.

Aeronaves:
1 Helicóptero Hamov Ka-28 Helix.





Fontes:
Site Sinodefense, Site Naval technology, Site Global Security. Site Wikipedia.



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17 comentários:

rafaelss.2007 disse...

Olá Carlos!
No Brasil ate onde sei não tem destróieres mas qual é a diferença entre um destróieres para uma fragata? Qual embarcação que tem no Brasil que pode se compara pelo menos próximo do Type 052B, ouvi a intenção do pais adquirir os modelos de fragatas FREEM a qual você fez um boa avaliação em 2006 em uma postagem você recomendava a compra, na net não tenho obtido informação sobre essa compra você esta sabendo de algo, e se tratando de destróieres na sua avaliação qual embarcação seria mas apropriada para o Brasil levando em conta as nossas realidades orçamentária você recomendaria. Um abraço.

heberabispo disse...

parabens,interessante notar que a china "tem grana de sobra" e poderia ter comprado muito mais do que dois navios,entao acredito que eles estao mesmo e desenvolvendo suas tecnologias criticas para no futuro(talves ate 2020) ai sim construir uma grande quantidade de navios(mas nao so navios,na verdade irao construir tudo) que tambem possuam um elevado nivel tecnologico e com um indice de nacionalizacao de 100%.

novamente parabens pelo blog.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Rafael.
No Brasil, até a pouco tempo atrás, havia dois destróiers. Só que por aqui, o nome dado a esse tipo de navio, é "contratorpedeiro". Como eram navios antigos, de origem norte americana, eles foram aposentados. Ests "contratorpedeiros" era conhecidos como Classe Pará, e eram, na verdade, fragatas da classe Garcia.
No Brasil, hoje, o navio que mais se aproxima desta categoria é a fragata classe Niteroi, também considerada antiquada frente as novas ameaças navais.
O Brasil tem a intenção de adquirir novos navios de guerra, da categoria de fragatas para substituir as Niteroi e a fragatas Greenhalgh. O modelo com maior possibilidade, dentre os que foram oferecidos são as fragatas FREMM italianas, embora as FREMM francesas sejam, do meu ponto de vista, superiores. Muitos outros países ofereceram navios para este programa, incluindo os EUA que ofertaram seus poderosissímos destróiers classe Arleigh Burke, porém, são caros de adquirir e manter, e não precisamos de um navio desta categoria, da qual só poderiamos operar 2 ou 3 unidades devido ao alto custo. A FREMM permitiria operar mais unidades e isto , somado ao um poder de fogo adequado, torna este navio, uma solução melhor para nossa realidade. nada foi decidido, por enquanto.
Sobre a diferença entre uma fragata e um destróier, podemos dizer que, na segunda guerra esta diferença era maior do que é hoje. Naquela época, uma fragata servia de apoio aos navios de guerra maior, tendo sempre um papel coadjuvante devido a seu menor armamento e sistemas eletrônicos. Hoje, o destróier, ainda é, uma embarcação maior, porém as capacidades de ambos os tipos de navios se equivalem. Fragatas como a FREMMM ou a F-100, da Espanha, tem sistemas e poder de fogo, equivalentes a de um destróier.
Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Heber.
A China adquiriu apenas duas unidades deste modelo, pois preferiu construir mais unidades da versão aperfeiçoada dela, conhecida como Type 052C, também já apresentada no blog. O link é: http://navalpowercb.blogspot.com/2010/12/type-052c-classe-luyang-ii-o-destroier.html
Abraços

FURTIVO disse...

Parabéns Carlos, por mais uma excelente matéria muito bem argumentada,fundamentada, explicação bem articulada de armas bélicas.
Acompanho sempre as novidades militares que o Carlos nos traz.
Carlos, quantos destróieres e fragatas na sua opinião seria necessário pra defender a costa marítima brasileira e qual seria mais adequada a Marinha Brasileira comprar ao custo-beneficio na sua opinião?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Furtivo. Muito obrigado pelas gentis palavras.
Existema varias opções no mercado que poderiam servir a nossa marinha. Os navios da classe Formidable, Meko A 200SAN ou FREMM, são opções. Hoje, eu tenho a opinião que o ideal seriam umas 8 ou 10 fragatas FREMM francesas (A marinha do Brasil está de olho nas italianas, que considero inferiores), e o resto da força, seria concentrada em submarinos. Uns 15, pelo menos. Uma força com pequenos navios ráidos como corvetas classe Visby, iu equivalente, com um numero de 15 ou 20 embarcações fechariam a minha conta para defesa da costa. Outro ponto importante seria nossa marinha opoerar aeronaves de combate para míssões antisuperficie e antio submarinos. Nesse ponto não tem outro avião melhor que o caça bombardeiro pesado Su-34 Fullback (25 caças), para uso como ataque antinavio. Para patrulha antisubmarino, poderia se optar pelo P-3M Orion (15 aviões, pelo menos) (o mesmo que a FAB usa. Porém considero que a FAB não deveria ter essa responsabilidade, tipicamente naval.
Abraços

helio disse...

Carlos, a END fala em cerca de 30 escoltas o que você acha? e os numeros que você disse no comentario acima é considerando nossa futura 2ª frota?


Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Hélio.
Duvido deste numero. Para compra de meros 36 caças de 4º geração está sendo uma zona, falando português claro. E a imbecil da Dilma adiou a decisão para o ano que vem, ainda!!!!
Realmente você acredita em 30 novos navios de superfície, para nossa marinha?

FARISEU disse...

acreditar que o Brasil vai adquirir caças em quantidade que realmente deixaria o país defendido, que comprará um grande numero de navios modernos, é o mesmo que acreditar que os politicos vão votar contra o próximo aumento de salário deles...

helio disse...

Carlos, eu acredito sim, fora o FX-2 o reaparelhamento das FAs esta fluindo muito bem, ainda mais para a MB, o que aconteceu no FX-2 foi uma declaração idiota do Lula dando preferencia a França, se o GF tivesse levado o processo mais a serio já teria saido, mas mudando o assunto, da maneira que vai quanto tempo vai demorar para que a China tenha a supremacia do poder naval no extremo oriente?



Abraços

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Hélio. Penso que com o atual ritmo, a China terá o controle naval no extremo oriente em 5 ou 6 anos.
Abraços

matheus disse...

Ainda é viável adquirir destroyer?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Dependendo do tipo de capacidade que sua forma pretende ter, e a disponibilidade de dinheiro, é sim. O Brasil, particularmente não tem como manter esse tipo de navio, e por isso, penso que fragatas muito bem armadas dão conta do recado.
Abraços

Diiigo disse...

carlos seria capaz substituir o sistema aster15/30 das fragatas freem pelo sistema SA N-12 Grizzly???

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Diigo.
A mudança não se limitaria apenas aos lançadores. Os sistemas de controle de fogo e radares teriam que mudar. A isso seria muito caro. Fora isso o sistema Aster é superior ao SA N-12 Grizzly.
Abraços

Luccasmmg disse...

Carlos uma pergunta o destroyer KDX sul coreano pode lançar misseis tomahawk ou equivalente? se sim quantos

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olpa Luccas. O lançador MK-41 presente nos navios KDX III são compatíveis com o Tomahawk, porém estas armas não foram fornecidas aos sul coreanos.
Abraços