Atualmente a marinha dos Estados Unidos, a US Navy, mantém em serviço 43 submarinos nucleares de ataque (SSN) da classe Los Angeles SSN 688, de 62 construídos. Este submarino é o principal submarino da US Navy, e o submarino nuclear mais numeroso já construído.
Seu projeto foi iniciado no final dos anos 60 quando a US Navy encomendou a industria naval norte americana que desenvolvessem duas novas classes de submarinos nucleares que fossem mais silenciosos que os barulhentos submarinos da classe Sturgeon. O resultado foi o lançamento do moderno e silencioso submarino USS Glenard P. Lipscomb SSN 685 em 1973. Este submarino usava um sistema de propulsão nuclear refrigerado a água que move um motor turbo elétrico que funciona de forma muito mais silenciosa que os motores tradicionais por causa de não ter as engrenagens mecânicas encontradas nestes últimos e que respondem por uma alta parcela do ruído indesejado para um submarino. O outro projeto era do submarino classe Los Angeles, pouco mais simples.
O departamento de defesa norte americano decidiu abandonar a construção de mais unidades da classe Glenard P. Lipscomb e aproveitar diversas soluções adotadas neste submarino, no novo submarino Los Angeles SSN 688, pois esta solução sairia muito mais econômica que manter duas classe de submarinos com funções semelhantes. O resultado foi a construção de 62 unidades de submarinos da classe Los Angeles que se deram de 1972 a 1996, sendo o submarino nuclear que se manteve em produção por mais tempo, também.
Acima: Um submarino classe Los Angeles "salta" do fundo do mar. Esta classe é a principal força de submarinos da poderosa marinha norte americana.
O Los Angeles usado hoje sofreu algumas modernizações necessárias para se manter letal no teatro de operações navais atual, e por isso seus sistemas e capacidades são consideravelmente melhores que os modelos originais. Assim sendo os 31 últimos exemplares tiveram instalados 12 lançadores verticais MK-36 para mísseis de cruzeiro BGM-109 C/D Tomahawk na proa do submarino, deixando os 4 tubos de torpedos de 533 mm liberados para serem usados para os 26 torpedos MK-48 e para seus clássicos mísseis antinavio UGM-84 Sub Harpoon, versão lançada de submarinos do míssil Harpoon.
Acima: Os últimos 31 exemplares do Los Angeles receberam a instalação de 12 lançadores verticais MK-36 para os famosos mísseis de cruzeiro Tomahawk.
O míssil BGM-109C, especificamente, transporta uma ogiva unitária de 454 kg de alto explosivo, que o torna ideal para destruir um alvo reforçado como um bunker, por exemplo O alcance desta versão é de 1700 km o que permite atacar alvos terrestres bem dentro do território inimigo. Já, o modelo BGM-109D, transporta por 900 km, um dispensador de submunições BLU-97B, no lugar da ogiva unitária da versão C, que funciona como uma chuva de granadas que se espalha por uma grande área causando um grande estrago material. Esta versão é muito eficaz contra concentrações de tropas ou um sitio de sistemas de mísseis antiaéreos e seus radares.
O míssil antinavio Sub Harpoon tem alcance de 130 km e seu guiamento se dá por INS até próximo do alvo, quando o míssil ativa seu próprio radar ativo para buscar o alvo. Sua ogiva com 222 kg de alto explosivo causa danos consideráveis em navios do porte de um destróier (6000 toneladas).
O torpedo pesado MK-48 tem alcance de 34 km quando usado com velocidade máxima de 55 nós (102 km/h) ou de 50 km quando lançado configurado para velocidade menor, com 40 nós (74 km/h). Este torpedo pode atacar alvos até uma profundidade de 800 metros. Seu sistema de guiagem se dá por sonar ativo e passivo, porém ele pode ser guiado pelo próprio submarino através de um cabo ligado ao torpedo.
Acima: O míssil antinavio Sub Harpoon garante uma consistente capacidade anti superfície aos submarinos da classe Los Angeles.
A suíte de sensores do Los Angeles é extremamente completa, com claro objetivo de ser um caçador nato. Atualmente, esta suíte, é composta por um sonar rebocado TB-59A desenvolvido pela Lockheed Martin, um sonar BQG-5D de longo alcance, um sonar ativo de curto alcance BQS-5 que é usado para detecção sob o gelo, um sonar ativo SADS TG, um sistema integrado BQQ-10 (V4) que integra informações de todos os sonares para uma solução de ataque mais eficaz. É interessante notar aqui, que este sistema está integrado aos submarinos de nova geração Virginia e Sea Wolf, que sucederam os submarinos da classe Los Angeles.
Para detecção de superfície, este submarino esta equipado com um radar Sperry Marine BPS-15A/16 que é faz busca, navegação e controle de fogo para os armamentos. Os submarinos classe Los Angeles possuem, também o sistema MIDAS (Mine and Ice Detection Avoidance System), para proteção contra minas
Acima: Neste infográfico podemos ver os principais sistemas do Submarino Los Angeles.
A propulsão do Los Angeles é feita por um reator nuclear pressurizado e refrigerado a água.
General Electric PWR S6G que produz 26 MW de energia e 35000 Hp de força. Um motor auxiliar Magnatek fornece mais 325 hp de potência. Com este sistema, o Los Angeles, um submarino com 6900 toneladas de deslocamento, consegue um bom desempenho de velocidade quando submerso podendo chegar a 33 nós (61 km/h). Seu reator permite, ainda, permanecer funcionando sem reabastecimento por 10 anos.
A configuração hidrodinâmica do Los Angeles possui estabilizadores horizontais montado na vela, que não podem ser movimentados para ficar a uma posição vertical, impossibilitando o submarino de subir sob o gelo em regiões árticas. Alguns exemplares desta classe foram construídos sem este dispositivo para poder solucionar esta limitação.
Uma outra função, pouco conhecida, do Los Angeles é servir de transporte para tropas de mergulhadores de combate SEAL que podem ser lançados pelos tubos de torpedos ou por um minisubmarino de transporte chamado ADSS (Advanced Delivery System SEAL) capazes de mover um equipe de soldados desta tropa de forma furtiva em uma praia desprotegida inimiga.
Acima: A elevada disponibilidade de potência do reator nuclear permite um desempenho invejável aos submarinos nucleares como o Los Angeles.
Mesmo com um projeto de 39 anos, o Los Angeles é, ainda, um excelente submarino de ataque com capacidades notáveis que o tornam um perigoso caçador de submarinos e navios inimigos. Suas capacidades foram provadas nas guerras do Golfo, Balcans e no Afeganistão e o manterá em serviço por muitos anos ainda, de forma que ele continuará a operar lado a lado com o submarino que o substituirá, o USS Virginia, já descrito neste blog.
Acima: Nesta foto podemos ver o veículo ADSS (Advanced Delivery System SEAL), nas "costas" do Los Angeles. Uma das importantes missões deste submarino é transportar forças de operações especiais para dentro do território inimigo sem ser visto.
FICHA TÉCNICA
Deslocamento: 6900 toneladas (submerso)
Comprimento: 110 m
Largura: 10 m
Velocidade máxima: 33 nós (61 km/h) (submerso)
Profundidade: 450 m operacional e 750 m de profundidade máxima
Armamento: 4 Tubos para torpedos de 533 mm Mk-48 ADCAP mod 6 (26 torpedos), Mísseis UGM-84 Sub Harpoon, 12 lançadores MK-36 para mísseis Tomahawk.
Tripulação: 133
Propulsão: Um reator nuclear General Electric General Electric PWR S6G que produz 35000 hp, um motor auxiliar com 325 Hp de potência








9 comentários:
Será muito difícil tanto o oriente quanto o ocidente superar a capacidade de combate da Guerra fria. O "concorrente" do Los angeles era o Victor soviético que foram construido 48 unidades.
Mais o melhor mesmo é o Akula soviético devido a sua capacidade de mergulho e poder de fogo
Carlos na sua opnião qual foi a melhor classe de submarinos nucleares construídos?
Olá Junculus. Eu considero o submarino classe Sea Wolf, o mais capaz e perigoso submarino de ataque já construído, e o submarino classe Typhoon, como o mais poderoso e capaz submarino SSBN.
Abraços
Parabéns Carlos, por mais uma grande matéria.
Carlos.Esse submarino operacionalmente e em capacidade é melhor que o Scorpene ou o brasileiro Tikuna?
Olá Carlos. Essa pergunta é inadequado uma vez que não se tratam do mesmo tipo de embarcação. O Los Angeles é um submarino nuclear. Por isso ele tem muito mais desempenho em velocidade, além de poder ficar meses sem subir para a superfície. Os Scorpene e os Type 209 que a marinha brasileira usa são submarinos convencionais e por isso podem ficar poco tempo sem subir para "snorquear" e conseguir ar para seus motores a diesel. Em compensação, os submarinos convencionais como os nossos são mais silenciosos.
Abraços
mt boa materia,mesmo sendo o sub mais capaz atualmente creio q sera facilmente ultrapassado pelo novo da classe yazen russo. Carlos poderia fazer uma materia sobre eles, seria mt intesresante pois ja faz um tempo q n a inovaçoes nesse ramo hoje atualmente.
Olá Djony.
na verdade o Los Angeles não é o submarino mais capaz. Ele é, apenas, o principal submarino norte americano de ataque por ser o mais numeroso. Os seus sucessores como o Sea Wolf w o Virginia são bem superiores a ele.
Abraços
Atualmente existem versões modernizadas com caracteristicas diferentes dos antigos Classe Losangeles, são os atuais denominados Classe Virginia. Os referidos submarinos nucleares Virginia Class são mais letais que seus predecessores Losangeles Class. Possuem sensores e sistemas de contra-medidas mais eficazes. Não necessitam de periscópio físico com lentes, dispôe de recursos eletronicos e instrumentos que dão mais segurança nas informações concernentes ao campo de batalha, movimentação de embarcações e eventuais ameaças como misseis e torpédos inimigos. Dispões de um robô submarino para missões específicas no fundo do mar. Dispões de um módulo para transporte, desembarque e infiltração de tropas (seals). tempo real.
Olá Agnaldo.
O Virginia é um novo submarino. Não uma "versão" do Los Angeles. Tenho um artigo sobre ele nesse link aqui: http://navalpowercb.blogspot.com/2006/10/ssn-774-classe-virginia-nova-gerao-de.html
Abraços
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