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Quarta-feira, Agosto 31, 2011

BLOHM + VOSS CLASSE ALMIRANTE BROWN. Um dos pilares da marinha argentina.


ORIGENS. Por Anderson Barros
A família de navios MEKO (Mehrzweck Kombination - combinação multi-função) construída sobre um moderno conceito de construção naval que se baseia em um projeto modular tanto para sistemas eletrônicos como para os armamentos. O projeto foi criado em 1969, pelo Estaleiro Blohm + Voss GmbH em Hamburgo na então Alemanha Ocidental. O projeto do casco do navio foi criado independentemente dos radares, canhões e compartimentos chave, como COC e central de radio comunicações. Estes navios foram projetados para que seus equipamentos fossem montados em containeres, ou pallets de tamanho padrão. Adicionalmente as conexões de eletricidade, água para refrigeração e sistemas de combate a incêndio estão sempre em posições padronizadas. Esse conceito permite que cada cliente escolha os equipamentos de acordo com suas necessidades. Os fabricantes dos sistemas eletrônicos e de armas selecionado pelo cliente “empacotam” seu equipamento dentro de um desses containeres de tamanho padrão. Para os fabricantes dos componentes isso simplifica seu projeto e permite a montagem completa do sistema na fábrica em paralelo com a construção do casco, reduzindo o tempo para entrega do navio. Esse sistema é muito eficaz e diminui os custos de aquisição, manutenção e de modernização. A MEKO é um projeto que utiliza motores ingleses canhões italianos, eletrônica holandesa e casco alemão. A comercialização da MEKO começou em 1976. Em novembro de 1977 a Marinha nigeriana assinou contrato para o fornecimento de uma fragata MEKO 360H1, que inicialmente recebeu o nome de Republic. Sua quilha batida em dezembro de 1978, o navio foi lançado em janeiro de 1980. Em novembro do mesmo ano, o nome foi mudado para Aradu (que significa “trovão"), o navio entregue em 1981. Embora existam vários modelos de navios da família MEKO, o enfocado nesta matéria é a versão MEKO 360 H2 construída para a Armada Argentina no qual foi batizada como Classe Almirante Brown.

Acima: A entrada em serviço das fragatas MEKO 360 H2 na armada argentina significou um grande incremento na capacidade de combate daquela arma.
No final da década de 60 a Armada argentina iniciou o programa de reaparelhamento naval que visava substituir os navios da classe Fletcher e classe Gearing todos oriundos da Segunda Guerra Mundial. O programa de reaparelhamento foi aprovado em 1974, dando inicio ao Plano Nacional de Construção Naval que tinha o objetivo de construir em solo argentino os navios do programa de reaparelhamento da Armada Argentina. Em 1977 foi assinado um acordo com os estaleiros Blohm + Voss da Alemanha Ocidental para o fornecimento de dez navios da família MEKO (quatro unidades da família MEKO 360 e seis unidades da MEKO 140). Inicialmente previa se que todas as unidades fossem construídas na Argentina. A construção dos navios da família MEKO 140 ficou a cargo do estaleiro AFNE Rio Santiago (Astilleros y Fábricas Navales del Estado empresa formada pelos Astillero Río Santiago e pela Fábrica Naval de Explosivos Azul). Porem o estaleiro Domecq Garcia localizado em Buenos Aires estava construindo os submarinos classe TR-1700 para a Armada Argentina. Por esse motivo a Armada decidiu que os navios da família MEKO 360 seriam construídos pelos estaleiros Blohm + Voss em Hamburgo na Alemanha Ocidental. O primeiro navio a ser construído foi o ARA Almirante Brown D-10 e sua construção foi iniciada em 1980, seguido pelo ARA La Argentina D-11 e ARA Heroína D-12, porem devido a guerra das Malvinas os navios foram entregues somente em 1983. O ultimo navio da classe que foi construído foi o ARA Sarandi D13 que foi entregue a Armada em 1984.

Acima: De desenho bastante convencional, os destróieres da classe Almirante Brown já necessitam de uma atualização de seus sistemas eletrônicos e de armamentos.

ARMAMENTO

O armamento do navio é constituído por um canhão automático Oto-Melara L/54 Mk45 Compact (O Mk 45 Compact é uma versão do Mk 45 Mod.0/2 da United Defense/BAE Systems produzido sob licença na Itália pela Oto Melara e com modificações introduzidas localmente sendo a principal diferença do canhão italiano para o seu irmão americano é a sua cadência de tiro), localizado na proa, em calibre 127 mm com cadência de 40 tiros por minuto e um alcance efetivo de 23 km.

Acima: O canhão Oto-Melara L/54 Mk45 Compact de 127 mm é o principal armamento de tubo dos navios desta classe.
Dois lançadores quádruplos de mísseis superfície-superfície MBDA MM-40 MK 2 Exocet, com alcance de 70 km com guiagem por radar ativo; dois reparos triplos ILAS-3 para torpedos anti-submarino ALENIA- Marconi (atualmente Eurotorp) A-244S de 324 mm capazes de atingir um submarino inimigo a 13,5 km e a uma profundidade máxima de 600 m e quatro reparos duplos de canhões Oto-Melara 40L70 de 40mm com uma cadencia de 600 disparos por minuto com um alcance de 12.5 Km. Possui ainda 24 mísseis antiaéreos Áspide de guiagem semi-ativa, com alcance maximo de 15 km lançados de um lançador óctuplo Selenia/Elsag Albatros. A Almirante Brown possui um hangar capaz de operar um helicóptero embarcado AS 555 Fennec ou o veterano AS 319 B Alouette III, que tem como função principal, a designação de alvos de superfície além do alcance radar. A idéia da Armada na época da compra destes navios seria equipá-los com helicópteros Westland Lynx, decisão que foi naturalmente revista em função da Guerra das Malvinas em 1982. Destes Lynx apenas dois chegaram a ser entregues, um foi perdido em acidente e o outro foi vendido para a marinha da Dinamarca.
Acima: O míssil MM-40 Exocet é o míssil antinavio mais popular do mundo. Mesmo tendo um belo histórico de ataques bem sucedidos em condição de combate reais, é uma arma ultrapassada para os padrões atuais.

PROPULSÃO
O sistema de propulsão do Almirante Brown é do tipo COCOG (combinação de turbinas a gás). Foi instalada uma combinação de turbinas a gás, sendo duas Turbina a Gás Rolls Royce Tyne RM1C com 9900 Hp e duas Rolls Royce Olympus TM-3B com 50000 Hp cada para altas velocidades. Essa combinação leva o Almirante Brown a uma velocidade máxima de 30 nós (56 km/h). A autonomia do navio é de 8000 km, numero este, dentro do padrão que se vê em navios de seu deslocamento e que permite a Almirante Brown realizar operações em águas azuis.

SISTEMAS DE COMBATE.
O sistema de combate do Almirante Brown constitui em um radar Thales Nederland DA-08 de
busca aérea e de superfície (com capacidade IFF) com alcance de 270 km em busca aérea contra um alvo de grandes dimensões. Contra alvos do tamanho de um caça o alcance é de 165 km. Esse radar opera na banda S e além da função de busca, ele também pode ser utilizado como radar de controle de fogo. Existe também um radar Thales Nederland ZW-06 utilizado para busca aérea e de superfície com um alcance de 63 km para alvos de grandes dimensões e alcance de 30 km para um alvo do tamanho de um caça. Para busca e controle de fogo, é usado o radar Thales Nederland STIR-180 que e utilizado para "iluminar" alvos, com o objetivo de guiar mísseis. O alcance de detecção deste sistema e de 140 km. Os canhões são direcionados por um radar tridimensional de direção de tiro Thales Nederland WM-20 com alcance de 84 km. O radar Racal-Decca TM-1226 de busca de superfície possui um alcance de 90 km contra alvos do tamanho de um navio. Para guerra anti-submarino possui um sonar de casco passivo/ativo Atlas Elektronik DSQS-21BZ de media freqüência. Possui sistema de gerenciamento de dados de combate Thales Nederland SEWACO Mk. VII. O navio também conta com sistema de comunicação equipado com
data link 10 da Signaal.
Acima: Um destróier da classe Almirante Brown navega junto a uma fragata brasileira da classe Greenhalgh (a de cima) em um exercício anual UNITAS.

BATISMO DE FOGO
Em 1990, tropas iraquianas invadiram o Kuwait, com a exigência do presidente Saddam Hussein de controlar seus vastos e valiosos campos de petróleo. Este acontecimento provocou uma reação imediata da comunidade internacional. O único país da América latina a participar das operações Escudo do Deserto e Tempestade no Deserto foi a Argentina. A Armada Argentina iniciou a Operação Bispo e montou a força tarefa 88.0 composta pelo ARA Almirante Brown (D-10) e a corveta ARA Spiro (P-43) , além de dois helicópteros Alouette III (registro 3-H-109 e 3 -H-112). Em pouco tempo a força tarefa, zarpou em direção ao Golfo Pérsico para se juntar aos outros navios da coalizão. Para alcançar a área de operação a Força Tarefa 88 escolheu uma rota mais longa, através do litoral Africano e do Mar Mediterrâneo, porem essa rota permitia pontos de apoio logístico. Por sua vez, essa rota permitiu que equipamentos de comunicação compatíveis com os sistemas utilizados pela US Navy foram incorporando aos navios da Argentina na Base Naval de Rota na Espanha. De lá a Força Tarefa 88 seguiu para a base de La Spezia na Itália onde foi realizado o processo de desmagnetização, medição, calibração da assinatura magnética para guerra de minas. Da Itália os navios seguiram para o Golfo Pérsico onde se encontraram com os outros navios da coalizão. Durante a Operação Escudo do Deserto a Armada Argentina, recebeu a missão de ajudar a controlar o tráfego marítimo nas áreas do Estreito de Ormuz e do Golfo Pérsico. A partir de 1991, a missão passou a abranger também as missões de manutenção de rotas marítimas das forças de coalizão, patrulhamento e escolta de comboios da coligação. A Força Tarefa 88.0 participou da operação realizando um total de 570 interceptações (interceptou 761 navios mercantes) e participou 17 missões de escolta. Estas missões fizeram o ARA Almirante Brown (D-10) abrir fogo quatro vezes. As operações também envolveram o Esquadrão de Helicóptero Alouette III, que realizou 67 vôos. Porem um dos aparelhos sofreu um acidente devido a uma falha da turbina, felizmente sem vítimas, o que reduziu as operações para apenas um aparelho. A aeronave acidentada foi resgatada, mas foi considerada como perda total. O ARA Almirante Brown (D-10) atuou na campanha da Operação Escudo do Deserto e Tempestade no Deserto, tendo retornado para a Argentina em abril de 1991.

Acima: O helicóptero Eurocopter AS 555 Fennec executa missões de designação de alvos de superfície além do alcance dos radares do Almirante Brown.
No período em que entraram em serviço constituíam-se nas mais capazes unidades de escolta em operação na América Latina. Os navios da classe Almirante Brown foram à resposta argentina à construção pelo Brasil das fragatas da classe Niterói. Atualmente, entretanto, já se sente a necessidade de uma modernização de meia-vida nos sistemas destes navios que estão neste momento relativamente ultrapassados para no cenário Sul Americano, onde o Brasil modernizou as suas fragatas classe Niterói e onde o Chile incorporou navios da classe Karel Doorman. A Armada argentina tem planos para realizar uma modernização de meia-vida. Os planos incluem novos sistemas eletrônicos e armamentos mais potentes e os trabalhos deveram ser executados pelo estaleiro AFNE Rio Santiago o que se configura em um empreendimento um tanto problemático, face às conhecidas dificuldades por que passa a economia Argentina.

Acima: O desenho do Almirante Brown deixa claro a idade de seu projeto. Porém, devido as desfavoráveis condições econômicas argentinas deverão obrigar a armada argentina a manter esta classe em serviço por muitos anos ainda.
FICHA TÉCNICA
Tipo: Fragata multimissão.
Tripulação: 200 tripulantes.
Data do comissionamento: 1983.
Deslocamento:
3630 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento:
125.9 mts.
Boca:
14 mts.
Propulsão:
2 x Turbina a Gás Rolls Royce Tyne RM1C com 9900 hp e 2 x Turbina a Gás Rolls Royce Olympus TM3B com 50000 hp.
Velocidade máxima:
30 nós (56 km/h).
Alcance:
8000 Km.
Sensores:
radar Thales Nederland DA-08 de busca aérea e de superfície, Radar Thales Nederland ZW-06 utilizado para busca aérea e de superfície, radar Thales Nederland STIR-180 utilizado para "iluminar" alvos, com o objetivo de guiar mísseis, radar Thales Nederland WM-20 radar tridimensional de direção de tiro, radar Racal-Decca TM-1226 de busca de superfície. Sonar de casco Atlas Elektronik DSQS-21BZ, Sistema de gerenciamento de dados combate Thales Nederland SEWACO Mk. VII.
Armamento:
1 canhões Oto-Melara 127mm L/54 Mk45 compact , 4 reparos duplos de canhões Oto-Melara 40mm OtoMelara 40L70, 2 lançadores quádruplos de mísseis superfície-superfície MBDA MM-40 MK 2 Exocet 2 reparos triplos ILAS-3 para torpedos A-244S de 324 mm, ainda 24 mísseis antiaéreos Áspide de guiagem semi-ativa, com alcance Maximo de 15 km.
Aeronaves: 1 helicóptero embarcado AS 555 Fennec.

Fontes: Site Globalsecurity, site Deagel, site Naval-Technology, Guia de los buques de la Armada Argentina 2005-2006. Ignacio Amendolara Bourdette.

ABAIXO UM VÍDEO COM IMAGENS DE UM NAVIO DA CLASSE ALMIRANTE BROWN.

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7 comentários:

Fernandi Alves da silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernandi Alves da silva disse...

Amigo Carlo muito bom. Trafeguei muito com a classe Brown da Ara. Gostaria de saber qual a posição hoje da Argentina no cenário da América do Sul e qual Marinha hoje é a mais equipada do continente.

Fernandi Alves
Velho sinaleiro.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Fernandi.
Considero a marinha do Brasil e do Chile as mais bem equipadas do continente. A Argentina ainda sofre com sérios problemas econômicos e isto tem influenciado de firma muito negativa a vida de suas forças armadas.
Abraços

empalador. disse...

muito bom,alias existe uma "carencia enorme de materias sobre os paises sul-americanos o que e imcompreensivel.

JoãoBraga disse...

Olá Carlos !
Essa fragata argentina pode ser considerada superior em relação as nossas Niterói ? Ou são equivalentes ?
Abraços e parabéns por mais uma excelente matéria !

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá João.
Obrigado! estas MEKO 360 argentinas são equivalentes aos Niterois brasileiras. Não são capazes de vantagem em nenhum aspecto do combate naval.
Abraços

João Kelvin disse...

É realmente uma bela fragata, e tenho certeza que em sua época era considerada avançada para um país latino de "3º mundo". Tenho certeza de que se tivessem sido entregues a tempo da guerra das malvinas os ingleses teriam tido bastante trabalho, pena...
Ótima matéria Carlos, o melhor blog de assuntos militares em portugues, parabéns!