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Segunda-feira, Outubro 17, 2011

CLASSE ESPORA. Mais um fruto do esforço da industria argentina.


ORIGEM Por Anderson Barros
Com a aprovação do programa de rearmamento naval no final da década de 1960, a Armada Argentina começou a substituir seus navios mais antigos oriundos da Segunda Guerra Mundial. Um dos requisitos desse programa era que os navios deveriam ser produzidos em solo argentino esperando que a tecnologia transferida pudesse estimular a indústria Argentina para que o país produzisse seus próprios armamentos no futuro. Em 1970 a Argentina adquiriu do Reino Unido duas unidades do destróier classe Sheffield que receberam a designação ARA Hércules D1 e ARA Santíssima Trinidad. O primeiro navio ARA Hercules foi construído na Grã Bretanha, o segundon Navio ARA Santissima Trinidad foi construído na Argentina pelo estaleiro AFNE Rio Santiago. Em 1977, o governo argentino assinou um grande acordo com a Alemanha para o fornecimento de vários navios e submarinos e entre esses navios se encontravam a construções de corvetas.
Acima: Nesta foto podemos ver o segundo navio da classe Espora, o ARA Rosales P42. Notem que este navio apresenta um desenho obsoleto, porém sua capacidade ofensiva lhe permite se manter na como um meio de combate válido nos dias de hoje.
O acordo com a Alemanha previa que os estaleiros Blohm & Voss seria responsável pelo projeto que deveria atender aos requisitos da Armada Argentina. Os navios seriam um desenvolvimento aperfeiçoado das corvetas portuguesas Classe João Coutinho no qual haviam sido construídos anteriormente pelos estaleiros Blohm & Voss. Entre as novas melhorias estava a introdução do conceito MEKO (Mehrzweck Kombination - Combinação Multifunção). Os Estaleiros Blohm & Voss seriam responsáveis pelo projeto e o estaleiro Argentino AFNE Rio Santiago seria responsável pala construção dos navios. A Blohm & Voss designou o projeto argentino como MEKO 140 (o numero 140 e uma referencia ao seu deslocamento padrão 1.400 toneladas) na Argentina os navios receberam a designação de Classe Espora.
A construção do primeiro lote de navios foi iniciada em 1980. O primeiro navio construído foi o ARA Espora P41 sua construção foi iniciada em 1980 e foi entregue em 1985, o segundo navio foi o ARA Rosales P42 sua construção foi iniciada em 1982 e foi entregue em 1986, o terceiro e ultimo navio do primeiro lote foi o ARA Spiro P43 sua construção começou em 1982 e foi entregue em 1987. O segundo lote começou a ser construído em 1982, e o primeiro navio a ser construído foi o ARA Parker P44. Sua construção foi iniciada em 1982 e foi entregue em 1990. Em 1983 foi iniciada a construção dos demais navios o ARA Robinson P45 e o ARA Gomez Roca P46, sendo que o ARA Robinson foi entregue em 2000 e o ARA Gomez Roca entregue em 2004. O segundo lote sofreu atrasos devido a crise financeira que atingiu a Argentina o que fez adiar ou cancelar parte dos programas militares, o que resultou no atraso do programa das corvetas Espora. O programa de construção das corvetas classe Espora da Armada Argentina influenciou a Marinha do Brasil em construir as suas corvetas da classe Inhaúma como resposta ao projeto Argentino.
Acima: Na época da incorporação dos navios da classe Espora, a marinha argentina era a mais bem equipada do continente sul americano.

SISTEMAS DE COMBATE
Os sensores da Classe Espora são compostos por um radar multimissão Thales Nederland DA-08. Este radar é capaz de realizar buscas de superfície, assim como, busca de alvos aéreos a uma distancia máxima de 270 km (alvos de grande RCS como um avião de passageiros; e contra um caça, seu alcance e de 160 km e contra um navio, seu alcance chega a 45 km. O radar tridimensional de controle de fogo Thales Nederland WM-20 com alcance de 84 km proporciona os parâmetros de tiro para a defesa do navio. O radar de busca de superfície e um Racal-Decca TM-1226 com um alcance de 90 km contra alvos do tamanho de uma fragata. O sistema de gerenciamento de dados combate é o Thales Nederland SEWACO Mk. VII e sistema de contramedidas eletrônicas CSEE Defence Dagaie. O sistrema de detecção de submarinos da classe Espora é feito por um único sonar de casco Atlas Elektronik ASO 4.
Acima: O radar Thales Nederland WM-20 de controle de fogo é um sistema já bastante testado e com sua eficiência reconhecida no mercado de defesa.

ARMAMENTO
O Armamento da Espora e composto por um canhão de tiro rápido leve de dupla função MK-75 de 76 mm fabricado pela FMC-United Defense / BAE Systems com cadência de 80 tiros por minuto e um alcance efetivo de 18.4 km. Para defesa de ponto (CIWS) a Espora usa quatro reparos duplos de canhões Oto-Melara 40L70 de 40mm com uma cadencia de 600 disparos por minuto com um alcance de 12.5Km. Para guerra antinavio são usados dois lançadores duplos de mísseis MBDA MM-38 Exocet guiados por radar ativo e com alcance de 38 km. Para guerra anti-submarino,a Espora esta equipada com dois lançadores triplos MK-32 para torpedos leves ALENIA- Marconi (atualmente EuroTorp) A-244S de 324 mm capazes de atingir um submarino inimigo a 13,5 km e a uma profundidade máxima de 600 m.
Ainda para guerra anti-submarino era previsto o helicóptero especializado Agusta Wetland Lynx, porem devido a Guerra das Malvinas a venda dos Lynx foi proibida pela Grã Bretanha após dois aparelhos entregues. Com a proibição a Armada Argentina selecionou os helicópteros embarcados AS 555 Fennec e os veterano AS 319 B Alouette III. O curioso e que os navios do primeiro lote ARA Espora P41, ARA Rosales P42 e ARA Spiro P43 foram construídos apenas com convés de vôo para opera um helicóptero naval não possuindo hangar o que prejudica a operação de sua aeronave deixando-a exposta aos elementos da natureza. Apenas os navios do segundo lote o ARA Parker P44, ARA Robinson P45 e o ARA Gomez Roca P46 foram projetados com um convés de vôo e hangar que permite o transporte de um helicóptero do tipo AS 555 Fennec ou AS 319 B Alouette III.
Acima: As corvetas da classe Espora podem operar, com restrições, um helicóptero o tipo AS 555 Fennec ou AS 319 B Alouette III. A falta de um hangar limita a capacidade de suporte destas aeronaves no próprio navio.

PROPULSÃO
A propulsão da Espora e feita por dois motores a Diesel SEMT-Pielstick 16 PC2-5V400 que, juntos, produzem 20400 Hp que levam a Espora a uma velocidade máxima de 27 nós (50 km/h). A autonomia desta corveta chega a 7200 km. Desempenho, considerado bom para um navio com descolamento de máximo de 1.836 toneladas sendo capaz de proporcionar uma boa capacidade em operações oceânicas.
Acima: Uma rara foto do momento do lançamento de um torpedo leve A-244S. Este bom torpedo permite uma capacidade relevante das corvetas da classe Espora contra submarinos.
OPERAÇÃO BISPO.
Em 1990, após a invasão do Kuwait por tropas iraquianas a comunidade internacional respondeu com uma coalizão internacional liderados pelos Estados Unidos contra o Iraque. A Argentina foi o único país da América Latina a participar das operações Escudo do Deserto e Tempestade no Deserto. Para participar das operações no Golfo Pérsico a Armada Argentina designou a operação como Operação Bispo e criou a Força Tarefa 88.0 que foi composta pela corveta ARA Spiro P43 e pelo contra torpedeiro ARA Almirante Brown D10. Devido a ausência de um hangar no ARA Spiro os dois helicópteros Alouette III tiveram que ser transportados pelo ARA Almirante Brown. Após a chegada da força tarefa no Golfo Pérsico começaram as operações de controle de tráfego marítimo, patrulhamento e escolta de comboios da coalizão. Porem a Força tarefa 88.0 sofreu uma baixa um dos dois helicópteros Alouette III sofreu um acidente devido a uma falha em seu motor. Em abril de 1991 a força tarefa 88.0 retornou para a Argentina.
Alem de navios de combate a Armada Argentina enviou para o Golfo pérsico o navio de apoio logístico ARA Bahía San Blas B4 e para prover a segurança deste navio, a Armada Argentina enviou a corveta ARA Rosales P42 que recebeu a missão de escoltar o navio logístico em sua viagem para o Golfo Persico. Em fevereiro de 1991 a Força Tarefa 88.1 partiu em direção ao Oriente Medio para se juntar a coalizão Internacional. A área de atuação a cargo da Força Tarefa 88.1 foi o Golfo de Omã, o estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico, onde o ARA Bahía San Blas transportou itens de ajuda humanitária como remédios, alimentos e água. A corveta Rosales escoltou o ARA Bahía San Blas em todas as suas missões alem de realizar patrulhas adicionais de proteção e vigilância no âmbito da Coalizão Internacional.
Posteriormente o ARA Rosales realizou manobras com navios da Armada espanhola, Royal Navy e Us Navy. O ARA Rosales realizou um total de 326 interceptações durante suas operações no Golfo Pérsico. A Força Tarefa 88.1 retornou à Argentina, em Julho de 1991 após o termino das operações.
A Armada Argentina, em conjunto com o Astillero AFNE Rio Santiago iniciaram o
planejamento para a modernização de três unidades da corvetas Espora (ARA Espora, ARA Rosales e ARA Spiro – todas do primeiro lote). A modernização pretende revitalizar principalmente as máquinas que irão passar por uma manutenção geral, revisão dos sistemas hidráulicos e elétricos e a substituição de alguns sistemas e sensores por itens mais modernos. Substituição dos mísseis Exocet MM-38 pelos MM-40 e a revitalização do canhão principal e dos canhões de 40mm. A grande modificação ficara a cargo da construção de um hangar para aeronaves (inexistente nos navios do primeiro lote).
Acima: Esta foto foi feita em um dos muitos exercícios navais entre a marinha argentina e a marinha norte americana que ocorrem todos os anos. reparem na diferença de tamanho entre a corveta Espora e o cruzador classe Ticonderoga e o porta-aviões da USS Carl Vinson, da classe Nimitz.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Corveta.
Tripulação: 93 tripulantes.
Data do comissionamento: 1980
Deslocamento: 1836 toneladas. (Maximo)
Comprimento: 91.2 mts.
Boca: 11,1 mts.
Propulsão: 2 x Motores a Diesel SEMT-Pielstick 16 PC2-5 V400 com 20400 hp de
potencia.
Velocidade máxima: 27 nós (50 km/h).
Alcance: 7200 Km.
Sensores: radar multimissão Thales Nederland DA-08; radar de controle de fogo Thales Nederland WM-20; radar de busca de superfície e um Racal-Decca TM-1226, Sonar Atlas Elektronik ASO 4.
Armamento: AsuW: Um canhão principal de tiro rápido de dupla função MK-75
de 76 mm, dois lançadores duplos de mísseis MBDA MM-38 Exocet, AAW: quatro
reparos duplos de canhões Oto-Melara 40L70 de 40mm, ASW dois lançadores triplos
MK-32 para torpedos leves de 324 mm
Aeronaves: Um helicóptero AS 555 Fennec

ABAIXO PODEMOS VER UM VÍDEO DE UMA CORVETA DESTA CLASSE EM MAR AGITADO.
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8 comentários:

Marco Gonçalves disse...

Boas. O projecto português era bastante bom para a época, mas estamos a falar da década de 70. Estes navios actualmente não deviam fazer mais do que patrulha costeira/oceanica. Abraço e parabéns por mais um bom texto

Guardião ATM disse...

Saudações Carlos!
Eu não conhecia esse detalhe do acordo com a industria naval alema por parte da argentina. Atualmente a MA tem as fragatas mais modernas da america do sul e são superiores a nossa? A industria naval deles é mais sofisticada do que a nossa, antes do acordo com a França? E MB pretende modernizar a sua industria naval, e disseminar esses diques? Abrços a todos!

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião.
A marinha argentina pé menos equipada que a nossa, atualmente e sua capacidade industrial para construir navios é, igualmente, inferior.
A marinha brasileira vai adquirir uma nova e moderna classe de fragatas da qual a piorzinha, das que já se apresentaram, jpa seria a mais poderosa embarcação de combate deste continente. rsrsrsrs.
Abraços

Guardião ATM disse...

Saudações, Carlos!
Maravilha!!! Una pregunta!! essa aquisição é pra ja e tem nome? Trata-se de aquisição com transferencia de tecnologia? A FREMM e MEKO, me chamaram a atenção no que diz respeito a MEKO é a sua capacidade multifunção e a FREMM, por ser modular.Resumindo, ambas são multifução e modular? Se for possivel, me ilustre sobre esse aspectos. Um grande abraço. Não vejo a hora de olhar o litoral do meu nordeste e ver estes barcos moderno, RSRSRS.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião. A FREMM italiana era quase certa. Já havíamos assinado um contrato de intenções. mas o caso batisti acabou azedando o negocio. Eu, particularmente, gosto da FREMM francesa.
Abraços

Guardião ATM disse...

Obrigado pela atenção Carlos!
Realmente, o caso do Baptisti..., Quanto a MEKO e FREMM, eu tenho meus voltados pra FREMM francesa, obvio. A
italiana é mais simplificada, e assim, mais barata. Porém, considerando a nossa imensa costa, a francesa é a ideal e com transferência de tecnologia, melhor ainda. O fato do Brasil ser, indiretamente, o responsavel pela Guiana Francesa, nos dar uma vantagem inicial e possibilidades de barganhar. Os custos deveria diminuir, pois é material bélico das tres armas so da França. Daqui a pouco seremos uma nação bilingue. Temos capacidade de construir as FREMM no Brasil?

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Guardião. Sim. Nós temos capacidade de construir a FREMM por aqui.
Abraços

Hmundongo disse...

Em 1991 quando o navio voltava do Golfo eu visitei a ARA Rosales no Porto do Rio. Achei os argentinos muito antipáticos na época, parece que não queriam responder às minhas perguntas e sempre fingiam que não entendiam o que eu falava, aí quando mostrava conhecer espanhol eles ficavam sem graça. Estavam se achando por estar voltando de uma zona de guerra e não queriam ouvir perguntas pertinentes de um brasileiro sobre as reais capacidades do "buque"