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Sábado, Novembro 26, 2011

MAZAGON DOCK LIMITED CLASSE DELHI. Um destróier bom de briga.

ORIGENS           Por Anderson Barros
A origem dos navios classe Delhi teve inicio em 1977 quando o Comitê do Gabinete dos Assuntos Políticos (CCPA - Cabinet Committee on Political Affairs) aprovou o projeto de uma nova classe de destróiers que deveria atender às necessidades da marinha indiana. O projeto do novo navio ficou a cargo da própria marinha indiana, e o estaleiro Mazagon Dock Ltd em Mumbai ficou responsável pelo detalhamento do projeto visando sua fabricação. Inicialmente a nova classe ficou conhecida como “Project 15” (chamado de P-15). O inicio da construção do primeiro navio que recebeu o nome de INS Delhi deveria ter ocorrido em 1980, porém houve um atraso no cronograma de desenvolvimento devido a modificações no projeto original sendo adiado para 1982. Com a guerra das Falklands / Malvinas ocorrida em 1982 entre a Argentina e a Inglaterra,  onde os Ingleses perderam os navios HMS Sheffield  e Atlantic Conveyor que foram mortalmente atingidos  pelos mísseis  AM39 Exocet, disparados  por aeronaves Dassault  Super Étendard da Armada Argentina, a India  fez analises das perdas da Royal Navy para modificar as especificações do projeto. O novo navio deveria operar em um ambiente de mísseis cada vez mais intensos. Em 1983 o governo indiano aprovou o plano para a busca de um parceiro para projetar o navio, pois a indústria nacional indiana não era capaz de construir um navio desse porte sozinha. O parceiro escolhido foi a então União Soviética que através dos estaleiros Severnoye prestaria o apoio necessário para o desenvolvimento e produção do novo navio. A construção do primeiro navio INS Delhi começou em novembro de 1987. O cronograma de construção previa que os navios fossem construídos em um período de cerca de cinco anos e entregues entre meados de 1992 e 1996. A classe Delhi acabou recebendo influencia do projeto soviético Sovremenny e de navios indianos classe Rajput e Godavari.
No inicio da década de 1990 devido ao colapso da União Soviética o projeto foi novamente paralisado sendo retomado apenas em 1994, o primeiro dos quatros navios, INS Delhi, foi comissionado em 1997 seguido em 1999 pelo INS Mysore, Mumbai em 2001 e pelo INS Bangalore em 2009. Devio a enorme demora em seu desenvolimento, o desenho do navio é relativamente ultrapassado sendo que n]ão apresenta traços para diminuir a reflexão do radar para os sensores inimigos.
Acima: As linhas do desenho dos navios da classe Delhi mostram uma clara influencia da engenharia naval russa dos anos 70 e 80.

ARMAMENTO
O armamento de tubo é composto por um canhão russo AK-100 de 100 mm capaz de disparar até 50 tiros por minuto e atingir um alvo a 20 km de distancia. Para defesa antiaérea de ponto existem 6 canhões automáticos (CIWS) AK-630 de 30 mm com 6 canos giratórios que proporcionam uma cadencia de tiro de 2000 tiros por minuto. Para defesa antiaérea de área, a classe Delhi está armado com mísseis 9M317E (SA N-12 Grizzly), guiados por radar semi ativo (versão naval do míssil Buk M2), capaz de destruir aeronaves e mísseis de cruzeiro inimigos a 45 km. Para defesa antiaérea de ponto, estão instalados 2 lançadores verticais com 8 mísseis Barak desenvolvido em conjunto pela IAI (Israel Aircraft Industries) e pela Rafael ( Tanto o INS Delhi , INS Mysore e o INS Bangalore receberam o sistema de defesa aérea de ponto Rafael Barak. O INS Mumbai está no processo de receber este sistema de míssil.). O míssil Barak possui guiagem por comando de linha de visada onde o míssil tem sua trajetória corrigida por um radar que faz as correções automaticamente para se conseguir um impacto tendo um alcance de 12 km. É interessante notar que o Barak pode ser usado contra alvos de superfície também. Para guerra antinavio, o Delhi está armado com 4 lançadores quádruplos para mísseis antinavio Zvezda KH-35E Uran (SS-N-25 Switchblade) cujo o alcance é de 130 km e guiagem por radar ativo. Este míssil possui uma ogiva de 145 kg de alto explosivo incendiário tendo um perfil de ataque de vôo rasante (5 m de altitude apenas) o que dificulta sua detecção. Para guerra anti-submarino o Delhi está armado com 2 lançadores de foguetes anti submarinos RBU-6000 Smerch 2 com alcance de 4300 metros  além de um lançadores quíntuplo de torpedos pesados de 533 mm. Os destróiers da classe Delhi possuem um grande hangar e convés de vôo, capaz de operar simultaneamente dois helicópteros Agusta Westland Sea King Mk. 42B que atuam em missões anti-submarino e antinavio com mísseis Sea Eagle. Este míssil tem capacidade equivalente ao do seu similar norte americano AGM-86 Harpoon, podendo atacar alvos a 110 km e com uma guiagem por radar ativo.
Acima: O navio INS Mumbai, ultimo exemplar da classe Delhi, lança dois foguetres anti-submarinos RBU 6000 Smerch 2.

SISTEMAS DE COMBATE
O sistema de combate dos navios da classe Delhi segue a mesma linha de outros navios indianos onde os sensores do navio são uma mistura de equipamentos russos, indianos e ocidentais. O Delhi está equipado com um radar tridimensional de busca aérea MR755 Fregat MAE Half Plate com alcance maximo de 150 km contra alvos aéreos de grandes dimensões voando alto; 56 km contra um grande navio e 125 km para alvos do tamanho de um caça. Para navegação, é usado um radar Rashmi de origem indiana fabricado pela e Brarat Electronics Limited. Os radares de Origem ocidental são fabricados sob licença na índia e constituem em um radar de busca aérea Bharat RALW (versão do radar Signaal/Thales Nederland LW08 usado nas Meko 360 argentinas) com alcance de 270 km em busca aérea contra um alvo de grandes dimensões. Contra alvos do tamanho de um caça o alcance é de 165 km. Esse radar também pode ser utilizado como radar de controle de fogo e o radar Bharat / Thales Nederland - DA05 com alcance de 268,50 km em busca aérea contra um alvo grande (como um bombardeiro B-52) voando alto (mais de 7000 m de altitude), em busca de superficie, pode localizar um porta-aviões a 45 km e um caça pode ser detectado a 147 km. Para os navios que receberam o sistema de defesa aérea de ponto Rafael Barak foi instalado o radar israelense EL/M-2221 usado para guiar os mísseis antiaéreos de defesa de ponto Barak.  Para guerra anti-submarina, o INS Delhi, INS Mysore e o INS Bangalore fazem uso de um sonar de casco APSOH fornecido pela Bharat Electronics e de um sonar de profundidade variável Model 15-750 desenvolvido e fabricado na Índia pelas empresas indianas Indal e Garden Reach. O Mumbai se destaca dos demais navios da classe por usar o sonar de casco TSM2633 da Thales Underwater Systems. A suíte de guerra eletrônica foi privilegiada para defesa contra mísseis antinavio inimigos sendo instalado quatro sistemas de lançamento de chaff além do sistema interceptor de radar Ajanta desenvolvido pela Bharat Electronics Limited de Bangalore. O sistema interferidor (jammer) TQN-2 é um produto da empresa italiana Elettronica.
Acima: Os sistemas de combate usados no destróier da classe Delhi são fornecidos por industrias de vários países, principalmente russos e europeus.

PROPULSÃO
A propulsão da classe Delhi é do tipo CODOG (combinação diesel ou gás). Os motores a diesel KVM-18 com 9900hp são fornecidos pela empresa Bergen associada à empresa indiana Garden Reach  são utilizados para e manter a velocidade de cruzeiro, enquanto a turbina a gás russa modelo Zorya/Mashprockt  AM-50 desenvolvendo 54000hp que é utilizada para acelerar o navio, quando necessário, pois elas proporcionam muito mais potência. Essa composição leva o Delhi a uma velocidade máxima de 32 nós (59 km/h). Em velocidade de cruzeiro de 18 nós (34 km/h) o Delhi tem uma autonomia de 7000 km o que permite operações em águas azuis, podendo participar de grupos de batalha navais qualquer lugar do mundo.
Acima: Uma das maiores qualidades da Delhi é seu desempenho no mar. Sua boa velocidade e autonomia lhe permite operar em qualquer mar do planeta.

MODERNIZAÇÃO
Os navios da classe Delhi são os maiores navios construídos até hoje na Índia é um projeto que se arrastou desde o ano de 1977 devido aos sucessivos atrasos em sua construção seu desenho e considerado ultrapassado onde não apresenta nenhuma característica para reduzir sua reflexão de radar. A Marinha indiana implantou um projeto visando à modernização e melhoria nos sistemas do navio. O primeiro passo foi à instalação do sistema de defesa de ponto israelense Barak I no qual apenas os navios INS Delhi, INS Mysore e o INS Bangalore. Já o INS Mumbai será o primeiro navio a passar por uma modernização geral no qual incluíra a adoção do sistema de defesa de ponto Barak II que apresenta melhores capacidades em relação ao modelo anterior.
Também esta prevista a instalação do míssil de cruzeiro PJ-10 BrahMos, desenvolvido em conjunto com a Rússia.  Esse míssil é capaz de destruir navios ou de ser usado contra alvos terrestres. Possui velocidade supersônica alta (mach 2,8) a uma altitude menor que 10 metros. Essas características inviabilizam, praticamente, qualquer defesa antimíssil de conseguir se defender do BahMos. Seu sofisticado sistema de guiagem conta com um radar ativo e passivo e apoio de GPS e INS possuindo um alcance de 290 Km. O que ira ser um grande incremento na capacidade de combate dos navios da Classe Delhi.
Acima: A Delhi possui um heliporto capaz de operar dois Agusta Westland Sea King Mk. 42B, um clássico helicóptero anti-submarino.

FICHA TÉCNICA
Tipo: Destróier.
Tripulação: 340 tripulantes.
Data do comissionamento:  1997.
Deslocamento: 6700 toneladas.
Comprimento: 163 mts.
Boca:
 17 mts.
Propulsão:
 2 turbinas Zorya/Mashprockt  AM-50 com  54,000hp e 2 motores a diesel KVM-18 com  9900hp.
Velocidade máxima:
 32 nós (59 km/h).
Alcance:
 7000 Km.
Sensores: 
Radar tridimensional MR755 Fregat MAE Half Plate com um alcance de 148,16 km. radar de busca aérea Bharat RALW  com alcance de 270 km. Radar de controle de fogo e o radar Bharat / Thales Nederland - DA05 com alcance de 268,50 km. Radar israelense EL/M-2221.
Armamento: 1 canhão AK-100 de 100 mm, 2 canhões CIWS AK-630 em calibre 30 mm4 lançadores quádruplos para mísseis antinavio Zvezda KH-35E Uran ; 2 lançadores para mísseis antiaéreos SA N-12 Grizzly (48 mísseis), 2 lançadores Type 75 com 12 tubos lançadores de foguetes anti-submarinos RBU-6000 Smerch 21 lançador quíntuplo para torpedos pesados de 533mm.
Aeronaves: dois helicópteros Agusta Westland Sea King Mk. 42B. 


Acima: Neste desenho pode-se observar o antiquado desenho do destróier Delhi.

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4 comentários:

FURTIVO disse...

Parabéns Carlos,por mais uma excelente matéria.
A fragrata Fremm de fabricação Francesa, pode substituir um Destróier?
Quantos unidades de fragatas na sua opinião o Brasil necessitaria para a defesa do país.?
Obrigado e um abraço.

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Olá Furtivo.
Agradeço o elogio. O Anderson (autor deste artigo) ficará feliz também pela sua satisfação.
Eu penso que 10 navios da classe FREMM francesa seria suficientes. Tenho uma matéria minha sobre isso. O link é: http://navalpowercb.blogspot.com/2011/09/modernizacao-da-marinha-brasileira-2011.html
Abraços

ZERO II disse...

Carlão, um navio desse porte não teria um custo alto demais para uma força naval em tempos de paz? Não seria economicamente inviável manter uma tropa disciplinada e sistemas operando num patamar desses?

Abraço

Carlos E. Di Santis Junior disse...

Certamente que manter um navio destes é caro. Mas a India paga para ser uma potencia militar séria e eles são.
Com a tecnologia atual, é possivel ser mais eficiente do que os indianos estão sendo,pois há sistemas de armas pesadamente armados e mais baratos de operar.
Abraços