A
origem dos navios classe Delhi teve inicio em 1977 quando o Comitê do Gabinete dos Assuntos Políticos (CCPA - Cabinet Committee on Political Affairs) aprovou
o projeto de uma nova
classe de destróiers
que deveria atender às necessidades da marinha indiana. O projeto do
novo navio ficou a cargo da própria marinha indiana, e o estaleiro Mazagon Dock
Ltd em Mumbai ficou responsável pelo detalhamento do projeto visando sua
fabricação. Inicialmente a nova classe ficou conhecida
como “Project 15” (chamado de P-15). O inicio da
construção do primeiro navio que recebeu o nome de INS Delhi deveria ter
ocorrido em 1980, porém houve um atraso no cronograma de desenvolvimento devido
a modificações no projeto original sendo adiado para 1982. Com a guerra das Falklands / Malvinas ocorrida em 1982 entre a Argentina e a
Inglaterra, onde os Ingleses perderam
os navios HMS Sheffield e
Atlantic Conveyor que foram mortalmente
atingidos pelos mísseis AM39 Exocet, disparados por aeronaves Dassault Super Étendard da Armada Argentina, a
India fez analises das perdas da Royal
Navy para modificar as especificações do projeto. O novo navio deveria operar em um ambiente de mísseis cada vez mais intensos. Em 1983 o governo
indiano aprovou o plano para a busca de um parceiro para projetar o navio, pois
a indústria nacional indiana não era capaz de construir um navio desse porte
sozinha. O parceiro escolhido foi a então União Soviética que através dos
estaleiros Severnoye prestaria o apoio necessário
para o desenvolvimento e produção do novo navio. A construção do
primeiro navio INS Delhi começou em novembro de 1987. O
cronograma de construção previa que os navios fossem construídos em um período
de cerca de cinco anos e entregues entre meados de 1992 e 1996. A classe Delhi acabou
recebendo influencia do projeto soviético Sovremenny e de navios indianos
classe Rajput e Godavari.
No inicio da década
de 1990 devido ao colapso
da União Soviética o projeto foi novamente paralisado sendo retomado apenas em
1994, o primeiro dos quatros navios, INS Delhi, foi comissionado em 1997
seguido em 1999 pelo INS Mysore, Mumbai em 2001 e pelo INS Bangalore em 2009.
Devio a enorme demora em seu desenvolimento, o desenho do navio é relativamente
ultrapassado sendo que n]ão apresenta traços para diminuir a reflexão do radar para os sensores inimigos.
Acima: As linhas do desenho dos navios da classe Delhi mostram uma clara influencia da engenharia naval russa dos anos 70 e 80.
ARMAMENTO
O
armamento de tubo é composto por um canhão russo AK-100 de 100 mm capaz de disparar até 50 tiros por minuto e atingir um
alvo a 20 km de distancia. Para defesa antiaérea de ponto existem 6 canhões
automáticos (CIWS) AK-630 de 30 mm com 6 canos giratórios que proporcionam uma
cadencia de tiro de 2000 tiros por minuto. Para defesa antiaérea de área, a
classe Delhi está armado com mísseis 9M317E (SA N-12 Grizzly), guiados por
radar semi ativo (versão naval do míssil Buk M2), capaz de destruir aeronaves e
mísseis de cruzeiro inimigos a 45 km. Para defesa antiaérea de ponto, estão
instalados 2 lançadores verticais com 8 mísseis Barak desenvolvido em conjunto
pela IAI (Israel Aircraft Industries) e pela Rafael ( Tanto o INS Delhi
, INS Mysore e o INS Bangalore receberam o sistema de defesa aérea de ponto
Rafael Barak. O INS Mumbai está no processo de receber este sistema de míssil.). O míssil Barak possui guiagem por comando de linha
de visada onde o míssil tem sua trajetória corrigida por um radar que faz as
correções automaticamente para se conseguir um impacto tendo um alcance de 12
km. É interessante notar que o Barak pode ser usado contra alvos de superfície
também. Para guerra antinavio, o Delhi está armado com 4 lançadores quádruplos
para mísseis antinavio Zvezda KH-35E
Uran (SS-N-25 Switchblade) cujo
o alcance é de 130 km e guiagem por radar ativo. Este míssil possui uma ogiva
de 145 kg de alto explosivo incendiário tendo um perfil de ataque de vôo
rasante (5 m de altitude apenas) o que dificulta sua detecção. Para guerra anti-submarino
o Delhi está armado com 2 lançadores de foguetes anti submarinos RBU-6000
Smerch 2 com alcance de 4300 metros além de um lançadores
quíntuplo de torpedos pesados de 533 mm. Os destróiers da classe Delhi possuem um grande hangar
e convés de vôo, capaz de operar simultaneamente dois helicópteros
Agusta Westland Sea King Mk. 42B que atuam em missões
anti-submarino e antinavio com mísseis Sea Eagle. Este míssil tem capacidade
equivalente ao do seu similar norte americano AGM-86 Harpoon, podendo atacar
alvos a 110 km e com uma guiagem por radar ativo.
Acima: O navio INS Mumbai, ultimo exemplar da classe Delhi, lança dois foguetres anti-submarinos RBU 6000 Smerch 2.
SISTEMAS DE COMBATE
O sistema de combate dos navios da classe Delhi segue a mesma linha de outros navios indianos onde os sensores do navio são uma mistura de equipamentos russos, indianos e ocidentais. O Delhi está equipado com um radar tridimensional de busca aérea MR755 Fregat MAE Half Plate com alcance maximo de 150 km contra alvos aéreos de grandes dimensões voando alto; 56 km contra um grande navio e 125 km para alvos do tamanho de um caça. Para navegação, é usado um radar Rashmi de origem indiana fabricado pela e Brarat Electronics Limited. Os radares de Origem ocidental são fabricados sob licença na índia e constituem em um radar de busca aérea Bharat RALW (versão do radar Signaal/Thales Nederland LW08 usado nas Meko 360 argentinas) com alcance de 270 km em busca aérea contra um alvo de grandes dimensões. Contra alvos do tamanho de um caça o alcance é de 165 km. Esse radar também pode ser utilizado como radar de controle de fogo e o radar Bharat / Thales Nederland - DA05 com alcance de 268,50 km em busca aérea contra um alvo grande (como um bombardeiro B-52) voando alto (mais de 7000 m de altitude), em busca de superficie, pode localizar um porta-aviões a 45 km e um caça pode ser detectado a 147 km. Para os navios que receberam o sistema de defesa aérea de ponto Rafael Barak foi instalado o radar israelense EL/M-2221 usado para guiar os mísseis antiaéreos de defesa de ponto Barak. Para guerra anti-submarina, o INS Delhi, INS Mysore e o INS Bangalore fazem uso de um sonar de casco APSOH fornecido pela Bharat Electronics e de um sonar de profundidade variável Model 15-750 desenvolvido e fabricado na Índia pelas empresas indianas Indal e Garden Reach. O Mumbai se destaca dos demais navios da classe por usar o sonar de casco TSM2633 da Thales Underwater Systems. A suíte de guerra eletrônica foi privilegiada para defesa contra mísseis antinavio inimigos sendo instalado quatro sistemas de lançamento de chaff além do sistema interceptor de radar Ajanta desenvolvido pela Bharat Electronics Limited de Bangalore. O sistema interferidor (jammer) TQN-2 é um produto da empresa italiana Elettronica.
O sistema de combate dos navios da classe Delhi segue a mesma linha de outros navios indianos onde os sensores do navio são uma mistura de equipamentos russos, indianos e ocidentais. O Delhi está equipado com um radar tridimensional de busca aérea MR755 Fregat MAE Half Plate com alcance maximo de 150 km contra alvos aéreos de grandes dimensões voando alto; 56 km contra um grande navio e 125 km para alvos do tamanho de um caça. Para navegação, é usado um radar Rashmi de origem indiana fabricado pela e Brarat Electronics Limited. Os radares de Origem ocidental são fabricados sob licença na índia e constituem em um radar de busca aérea Bharat RALW (versão do radar Signaal/Thales Nederland LW08 usado nas Meko 360 argentinas) com alcance de 270 km em busca aérea contra um alvo de grandes dimensões. Contra alvos do tamanho de um caça o alcance é de 165 km. Esse radar também pode ser utilizado como radar de controle de fogo e o radar Bharat / Thales Nederland - DA05 com alcance de 268,50 km em busca aérea contra um alvo grande (como um bombardeiro B-52) voando alto (mais de 7000 m de altitude), em busca de superficie, pode localizar um porta-aviões a 45 km e um caça pode ser detectado a 147 km. Para os navios que receberam o sistema de defesa aérea de ponto Rafael Barak foi instalado o radar israelense EL/M-2221 usado para guiar os mísseis antiaéreos de defesa de ponto Barak. Para guerra anti-submarina, o INS Delhi, INS Mysore e o INS Bangalore fazem uso de um sonar de casco APSOH fornecido pela Bharat Electronics e de um sonar de profundidade variável Model 15-750 desenvolvido e fabricado na Índia pelas empresas indianas Indal e Garden Reach. O Mumbai se destaca dos demais navios da classe por usar o sonar de casco TSM2633 da Thales Underwater Systems. A suíte de guerra eletrônica foi privilegiada para defesa contra mísseis antinavio inimigos sendo instalado quatro sistemas de lançamento de chaff além do sistema interceptor de radar Ajanta desenvolvido pela Bharat Electronics Limited de Bangalore. O sistema interferidor (jammer) TQN-2 é um produto da empresa italiana Elettronica.
Acima: Os sistemas de combate usados no destróier da classe Delhi são fornecidos por industrias de vários países, principalmente russos e europeus.
PROPULSÃO
A
propulsão da classe Delhi é do tipo CODOG (combinação diesel ou gás). Os
motores a diesel KVM-18 com 9900hp são fornecidos pela empresa Bergen associada
à empresa indiana Garden Reach são utilizados para e
manter a velocidade de cruzeiro, enquanto a turbina a gás russa
modelo Zorya/Mashprockt AM-50 desenvolvendo 54000hp que é utilizada para acelerar o navio, quando necessário,
pois elas proporcionam muito mais potência. Essa composição leva o Delhi a uma
velocidade máxima de 32 nós (59 km/h). Em velocidade de cruzeiro de 18 nós (34
km/h) o Delhi tem uma autonomia de 7000 km o que permite operações em
águas azuis, podendo participar de grupos de batalha navais qualquer lugar do
mundo.
Acima: Uma das maiores qualidades da Delhi é seu desempenho no mar. Sua boa velocidade e autonomia lhe permite operar em qualquer mar do planeta.
MODERNIZAÇÃO
Os navios da classe
Delhi são os maiores navios construídos até hoje na Índia é um projeto que se
arrastou desde o ano de 1977 devido aos sucessivos atrasos em sua construção
seu desenho e considerado ultrapassado onde não apresenta nenhuma
característica para reduzir sua reflexão de
radar. A Marinha indiana implantou um projeto visando à modernização e melhoria
nos sistemas do navio. O
primeiro passo foi à instalação do sistema de defesa de ponto israelense Barak I
no qual apenas os navios INS Delhi, INS Mysore e o INS Bangalore. Já o
INS Mumbai será o primeiro navio a passar por uma modernização geral no qual
incluíra a adoção do sistema de defesa de ponto Barak II que apresenta melhores
capacidades em relação ao modelo anterior.
Também esta prevista a instalação do míssil de cruzeiro PJ-10 BrahMos, desenvolvido em conjunto com a Rússia. Esse míssil é capaz de destruir navios ou de ser usado contra alvos terrestres. Possui velocidade supersônica alta (mach 2,8) a uma altitude menor que 10 metros. Essas características inviabilizam, praticamente, qualquer defesa antimíssil de conseguir se defender do BahMos. Seu sofisticado sistema de guiagem conta com um radar ativo e passivo e apoio de GPS e INS possuindo um alcance de 290 Km. O que ira ser um grande incremento na capacidade de combate dos navios da Classe Delhi.
Também esta prevista a instalação do míssil de cruzeiro PJ-10 BrahMos, desenvolvido em conjunto com a Rússia. Esse míssil é capaz de destruir navios ou de ser usado contra alvos terrestres. Possui velocidade supersônica alta (mach 2,8) a uma altitude menor que 10 metros. Essas características inviabilizam, praticamente, qualquer defesa antimíssil de conseguir se defender do BahMos. Seu sofisticado sistema de guiagem conta com um radar ativo e passivo e apoio de GPS e INS possuindo um alcance de 290 Km. O que ira ser um grande incremento na capacidade de combate dos navios da Classe Delhi.
FICHA TÉCNICA
Tipo: Destróier.
Tripulação: 340 tripulantes.
Data
do comissionamento: 1997.
Deslocamento: 6700 toneladas.
Comprimento: 163 mts.
Boca: 17 mts.
Propulsão: 2 turbinas Zorya/Mashprockt AM-50 com 54,000hp e 2 motores a diesel KVM-18 com 9900hp.
Velocidade máxima: 32 nós (59 km/h).
Alcance: 7000 Km.
Sensores: Radar tridimensional MR755 Fregat MAE Half Plate com um alcance de 148,16 km. radar de busca aérea Bharat RALW com alcance de 270 km. Radar de controle de fogo e o radar Bharat / Thales Nederland - DA05 com alcance de 268,50 km. Radar israelense EL/M-2221.
Armamento: 1 canhão AK-100
de 100 mm, 2 canhões CIWS AK-630 em calibre 30
mm4 lançadores quádruplos para mísseis antinavio Zvezda KH-35E
Uran ; 2 lançadores para mísseis antiaéreos SA N-12 Grizzly
(48 mísseis), 2
lançadores Type 75 com 12 tubos lançadores de foguetes anti-submarinos RBU-6000
Smerch 2, 1 lançador quíntuplo para
torpedos pesados de 533mm.Boca: 17 mts.
Propulsão: 2 turbinas Zorya/Mashprockt AM-50 com 54,000hp e 2 motores a diesel KVM-18 com 9900hp.
Velocidade máxima: 32 nós (59 km/h).
Alcance: 7000 Km.
Sensores: Radar tridimensional MR755 Fregat MAE Half Plate com um alcance de 148,16 km. radar de busca aérea Bharat RALW com alcance de 270 km. Radar de controle de fogo e o radar Bharat / Thales Nederland - DA05 com alcance de 268,50 km. Radar israelense EL/M-2221.
Aeronaves: dois helicópteros Agusta Westland Sea King Mk. 42B.
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4 comentários:
Parabéns Carlos,por mais uma excelente matéria.
A fragrata Fremm de fabricação Francesa, pode substituir um Destróier?
Quantos unidades de fragatas na sua opinião o Brasil necessitaria para a defesa do país.?
Obrigado e um abraço.
Olá Furtivo.
Agradeço o elogio. O Anderson (autor deste artigo) ficará feliz também pela sua satisfação.
Eu penso que 10 navios da classe FREMM francesa seria suficientes. Tenho uma matéria minha sobre isso. O link é: http://navalpowercb.blogspot.com/2011/09/modernizacao-da-marinha-brasileira-2011.html
Abraços
Carlão, um navio desse porte não teria um custo alto demais para uma força naval em tempos de paz? Não seria economicamente inviável manter uma tropa disciplinada e sistemas operando num patamar desses?
Abraço
Certamente que manter um navio destes é caro. Mas a India paga para ser uma potencia militar séria e eles são.
Com a tecnologia atual, é possivel ser mais eficiente do que os indianos estão sendo,pois há sistemas de armas pesadamente armados e mais baratos de operar.
Abraços
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