DESCRIÇÃO
A empresa Navantia , um dos mais ativos
estaleiros europeus, e responsável pela construção da fragata classe F-100
Alvaro de Bazán, uma das mais bem equipadas fragatas do mundo, já descrita nas
paginas deste blog, tomou a iniciativa de projetar uma nova e moderníssima
classe de fragatas stealth, inicialmente chamada de F2M2. Como podem observar,
esta iniciativa não teve vinculo com nenhum requerimento do governo espanhol,
sendo porem, que este país acabe sendo o primeiro cliente deste navio, pois os
velhos e obsoletos navios espanhóis fabricados nos Estados Unidos da classe
Oliver H Perry, conhecidos localmente como classe Santa Maria F-80, precisarão
ser substituídos muito em breve. A parti desse ponto, esta fragata acabou sendo
batizada de F-110.
Acima: A marinha espanhola opera 6 unidades da velha fragata classe Santa Maria F-80, de projeto norte americano. Muito provavelmente estes navios poderão dar lugar para as moderníssimas fragatas F-110.
Por se tratar de um projeto em andamento, sem
nenhum exemplar produzido ou encomendado, os dados relacionados a este navio
ainda são relativamente escassos, sendo que muitos fornecedores ainda não foram
escolhidos, porém já se tem como objetivo que este navio tenha o maior nível de
nacionalização dentre todos os navios de guerra espanhóis já construídos.
Seu desenho lembra muito o do navio de combate
litorâneo norte americano USS Independence, configurado com um casco trimaram,
mas em dimensões bem maiores e sem antenas em mastro, sendo todos os sistemas
de comunicação e sensores montados nas paredes do casco e da vela do navio,
otimizando ao máximo sua furtividade.
Acima: O navio de combate litoraneo (LCS) USS Independence da marinha dos Estados Unidos parece ter influenciado os projetistas espanhóis. A F-110 parece uma versão maior do Independence, inclusive com o casco de configuração trimaran.
O navio está sendo projetado para ter elevado
desempenho de navegação sendo que sua velocidade poderá atingir 35 nós (65
km/h) e se de fato atingir este desempenho será a mais rápida fragata já
construída. Para se conseguir este desempenho, este navio contará com propulsão
tipo CODOG composto por motores elétricos, a diesel e a gás que levarão 3
sistemas de jatos de água a impulsionarem o navio. Eu especulo que as turbinas
a gás sejam a General Eléctric LM 2500, as mesmas usadas nas F-100 e no navio
americano USS Independence, do qual a F-110 tanto se assemelha.
Seu deslocamento será de cerca de 5000 toneladas
e seu comprimento terá 140 metros. Como se pode ver, será um navio de dimensão
respeitável e por isso poderá transportar bastante combustível lhe garantindo
uma grande autonomia.
Acima: A adoção do casco trimaran permite uma maior autonomia pela maior disponibilidade de espaço. Se a F-110 for, de fato, construída, será a mais moderna fragata do mundo.
O sistema de sensores não está definido, porém é
provável que se mantenha os modernos radares do sistema AEGIS usados na fragata
F-100, o que garantiria uma maior credibilidade a F110. O radar SPY-1D, usado
neste sistema, permite rastrear mais de 100 alvos a 450 Km de forma ininterrupta, por
se tratar de um radar de varredura eletrônica ativa. Outra opção que se poderia ser adotada seria a instalação da
versão SPY-1F, com antena menor e mais leve. Esta versão tem alcance um pouco
menor, atingindo cerca de 400 km, porém a capacidade acompanhamento simultâneo
se mantém inalterada. Uma vantagem desta versão é que com uma modificação no
software operacional, este sistema permite atacar mísseis balísticos de curto e
médio alcance.
Pelas maquetes apresentadas até este momento,
fica claro que a F-110 terá um sonar de casco montado na frente, porém de tipo
não especificado até o momento.
Acima: Muitos sistemas da F-110 poderiam ser os mesmos usados na fragata F-100 Alvaro de Bazán (foto), como o sistema de radar AEGIS, um dos mais capazes do mundo.
O armamento será composto por um lançador
vertical para mísseis antiaéreos e possivelmente este lançador poderá ser capaz
de lançar mísseis superfície – superfície, como mísseis antinavio ou mísseis de
cruzeiro.
O navio contará com um canhão automático,
provavelmente um Oto Melara Super Rapid de 76 mm. A Navantia poderá, também,
instalar um canhão de maior calibre como na F-100 que usa um canhão norte
americano MK-45 de 127 mm. Para defesa de ponto, está previsto o uso de um
sistema CIWS que poderia ser o Meroka espanhol composto por 12 canhões de 20 mm
que disparam 1440 tiros por minuto. Para guerra anti-submarino o F-110 deverá
ser armado com dois lançadores triplos MK-32 para torpedos leves MK-46.
Outro ponto importante é a capacidade de operar
2 helicópteros médios NH-90 graças ao bom tamanho do heliponto proporcionado
pela configuração trimaram deste navio. Estes helicópteros serão usados para
missões anti superfície e ataque anti-submarino armados com torpedos.
É importante observar que os armamentos não
foram selecionados, com exceção dos helicópteros e do lançador de mísseis
verticais que estão certos já, e por isso, as armas apresentadas aqui são uma
mera especulação, baseada nos sistemas encontrados nos projetos anteriores da
Navantia e nas fotos da maquete do F-110.
Acima: O heliporto da F-110 permite o uso de dois helicópteros médios NH-90 para uso em missões de busca e salvamento, de combate anti-superfície e de combate anti-submarino.
O projeto da F-110 representa um passo a frente
em termos de design naval e traz ainda mais capacidade de combate aos navios da
categoria das fragatas. É interessante que recentemente a Navantia esteve no
Brasil apresentando sua proposta para o programa PROSUPER onde ofereceram uma
versão da poderosa fragata F-100 e nem comentaram sobre a F-110. A F-110 poderia
ser mais interessante para o Brasil que a própria FREMM, navio que considero,
hoje, a melhor fragata para nossa marinha. O F-110 é mais furtiva e pode ser
equipada, de acordo com a vontade do cliente e neste caso, poderíamos manter
uma configuração de armas similar aos da FREMM e sistemas de sensores ainda
mais potentes. Certamente seria mais
caro, mas o resultado seria um navio no estado da arte que nos deixaria com uma
embarcação top de linha nesta categoria.
Acima: As maquetes da F-110 chamam a atenção devido a seu desenho "limpo" visando conseguir o máximo na redução de sua reflexão de radar.
FICHA TÉCNICA
Tipo: Fragata
multimissão.
Tripulação: 150
tripulantes.
Data do comissionamento: Projeto
em andamento.
Deslocamento: 5000 toneladas (totalmente carregado).
Comprimento: 140
mts.
Boca: 30 mts.
Propulsão: CODOG
(combinação de motores a diesel e turbinas gás). Haverá, provavelmente, motores
elétricos também.
Velocidade máxima: 35 nós (65 km/h).
Alcance: 12000
Km (estimado).
Sensores: Radar
de busca: SPY-1D com 450 Km de alcance. Sinar de casco, ainda não definido.
Armamento: AAW: 1 lançador vertical para mísseis
antiaéreos (provavelmente da família SYLVER); 1sistema CIWS Meroka 2B com 10
canos de 20 mm; SSM: Mísseis Harpoon, 1 canhão
(provavelmente um Oto Melara Super Rapid de 76 mm; ASW: 2 lançadores triplos MK-32 para
torpedos leves MK-46.
Aeronaves: 2 helicópteros NH-90.
Acima: A configuração trimaran do casco permite uma qualidade de navegação melhor que a de navios com casco convencionais.
Acima: Neste desenho pode-se ver melhor o bom tamanho do heliporto da F-110 na sua popa.










4 comentários:
Meroka CIWS?!?!
Um navio tão moderno com um sistema CIWS de 1975?! É sucata!
Até as mais recentes construções estão equipadas com CIWS RAM.
http://areamilitar.net/DIRECTORIO/CAN.aspx?NN=261
De resto parabéns pelo blog que já acompanho à alguns anos.
Oi Nuno. Obrgadop pela congratulação. O sistema RAM pode serinstalado normalmente no F-110 dado sua modularidade.Uma das fontes que lipara produzir este artigo, mencionou esta possibilidade.
Abraços
O Horizonte radar deste navio num ficaria bem reduzido com todos os sensores instalados dentro do "corpo" do navio?
Todos nós sabemos que o maior ponto fraco de uma embarcação perante uma aeronave agressora é o ponto cego provocado pela curvatura da terra, que os radares não acompanham......... ou seja.... quanto mais baixo ficarem instalados esses sensores, menor será o tempo que a embarcação terá para responder ao agressor.
abraços.
Olá Vassili.
Seu raciocínio está correto mas existem outras formas de superar o limite do horizonte. Porém, cabe lembrar, que os dados de alcance contra alvos aéreos sempre são considerados contra um alvo voando alto.
Abraços
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