DESCRIÇÃO
A Índia é banhada por pelo mar da Arábia e o
oceano Indico, tendo um grande litoral sob sua responsabilidade. Sua marinha,
por isso, é levada bastante a sério e possui muitas embarcações para fazer
valer a defesa dos seus interesses. O navio que tratarei agora é uma pequena
corveta que chama a atenção pelo forte poder de fogo anti-superfície (maior que
muitos navios maiores que ela). A corveta conhecida como Project 25A ou Classe
Kora é responsável por patrulhar as águas jurisdicionais da Índia e sua
autonomia permite ainda, se aventurar em mares distantes do litoral hindu.
Acima: Para os olhos desavisados, este navio de aspecto simples, pode surpreender seu inimigo de uma forma bastante amarga.
O
navio é particularmente simples, e certamente tem o preço de aquisição e
manutenção bem baixos, porém, para a missão a que foram projetados, patrulha
anti superfície, são bastante eficientes.
É
interessante notar que aos olhos desatentos de alguém leigo, este navio possa
parecer menor do que realmente é e sua simplicidade, possa sugerir “fraqueza”.
Essas impressões podem ser classificadas como um perverso engano. As corvetas
classe Kora são armadas com, nada mais, nada menos, que 16 (dezesseis) mísseis KH-35
Uran (3M-24E). Esse míssil já foi apelidado de “Harpoonvsky” devido a semelhança física
e de desempenho ao seu similar norte americano Harpoon. O Kh-35 possui guiagem
por radar ativo e é capaz de destruir um navio do tamanho de um destróier com
sua ogiva de 145 kg de explosivos e a um alcance de 130 km. Como a grande
maioria das armas desse tipo, o Kh-35 voa em um perfil de vôo sea skimming
(rasante no mar) para atrasar, ao máximo, sua detecção pelos sistemas de
radares inimigos. Estes mísseis podem ser lançados em rápida sucessão, com
intervalos de 3 segundos entre cada lançamento.
Acima: O principal armamento dos navios desta classe são os seus 16 mísseis antinavio Kh-35 Uran. Estes mísseis tem um alcance de 130 km e representam uma séria ameaça contra qualquer tipo de embarcação inimiga, mesmo as de muito maior porte.
Para
defesa antiaérea, o Kora tem um armamento bem menos compromissado, mas pelo
menos é capaz de impor alguma defesa. São usados dois lançadores de mísseis Strela
M2 (SA-N-5 Grail), que podem ser lançados apoiados no ombro do soldado. Seu
limitado alcance atinge 6 km e sua guiagem se dá por infravermelho. A mira é
feita manualmente, simplesmente apontando o míssil para o alvo. Esta arma é
útil contra helicópteros, principalmente, sendo bem pouco eficaz contra
aeronaves de combate a jato. O alvo não poderá estar a uma altitude maior que
2500 metros. Os dois navios mais recentes desta classe tiveram o míssil Strela
M2 substituídos pelo mais moderno míssil 9K38 Igla, (SA-16 Gimlet) com
alcance de 5200 metros, mas com capacidade de atacar amealças mais alto, em
3500 metros de altitude. O Igla é, também, guiado por sensor infravermelho
(IR), porém com um sensor mais capaz, que consegue diferenciar o alvo das iscas
flares que ele possa usar para despistar o míssil.
Acima: Os dois canhões de 30 mm do sistema CIWS AK-630, além de poder ser usado contra alvos aéreos, incluindo mísseis antinavio inimigos, pode, também, ser usado contra embarcações de pequeno porte como lanchas e barcos patrulha.
Além de mísseis, os navios da classe Kora são equipados com
armamento de cano e os 4 navios desta classe se diferem um dos outros pelo
modelo de canhão adotado. Nesse ponto é interessante observar a falta de
padronização indiana em uma mesma classe de navio. Sendo assim o navio P-61, o
primeiro da classe Kora, e o P-64,
ultimo exemplar da classe, foram armados com um canhão russo AK-176 em
calibre 76 mm capaz de disparar 120 vezes por minuto e atingir alvos a 15 km de
distancia. Já os navios P-62 e P-63 usam um canhão do mesmo calibre , mas
fabricado pela italiana Otobreda. O modelo Super Rapid, bastante
difundido no ocidente em vários navios de nova geração, tem uma cadencia de
tiro de 120 tiros por minuto, como no russo, mas com alcance bem maior, podendo
chegar a 30 km. Todos os 4 navios desta classe estão armados com dois sistemas
CIWS AK-630, composto por um canhão de GSh 6-30 com 6 canos rotativos em
calibre 30 mm capaz de disparar 4980 tiros por minuto e atingir alvos distantes
a 2 km. Esse sistema pode ser usado tanto para defesa antiaérea como para
atacar pequenas embarcações leves.
Os navios desta
classe podem operar um helicóptero leve
Alouette III (produzido
localmente, sob licença, com o nome de Chetak) ou o novo modelo Dhruv,
desenvolvido pela empresa hindu HAL.


Acima: O helicóptero HAL Chetak (Alouette III fabricado sob licença na Índia) representa uma das duas possibilidades de vetor aéreo a ser operado do convés do Kora.
A suíte de sensores do Kora é composta pelo radar
tridimensional de fabricação russa, MR-352 Pozitiv-E (Cross Dome, segundo a
nomenclatura da OTAN) com alcance máxima de 137 km contra alvos aéreos de
grandes dimensões (um avião de patrulha, por exemplo). Um navio pode ser
detectado a 50 km por este radar.
O radar de navegação usado no navio P-61, especificamente, é
o Bharat 1245 enquanto que na P-62, o radar usado para navegação é o Bel Rani.
Já o radar de controle de fogo, que faz a aquisição de alvos navais para os
mísseis antinavio é o Garpun Bal, cujo alcance de rastreio é de 45 km. Os
sistemas de defesa antiaérea de ponto CIWS são comandados por um radar de
controle de fogo MR-123 (Bass Tilt) cada sistema (dois radares). Nos navios
onde o canhão principal é o Oto Breda Super Rapid, o sistema de controle de
fogo é unificado com o dos sistema CIWS através do radar de controle de fogo
Linxs GFCS.
Embora seja uma
embarcação relativamente pouco complexa, ainda sim, seus projetistas deram
conta de equipa-la com recursos de guerra eletrônica para interceptar sinais de
comunicação e classifica-los. O sistema usado para esta função é o Ajanta P
MKII ESM. Além desse recurso, foi instalado sistemas de contramedidas na forma
de dois lançadores de chaffs PK-10 e lançadores de iscas torpédicas.
Acima: Apenas 4 embarcações desta classe foram construída para a marinha da India.Uma nova classe de corvetas está para entrar em serviço de deverá operar lado a lado com as Kora entre 2012 e 2013.
A
propulsão usada nesta clsse de navio é composta por dois motores a diesel de
tipo não divulgado. Nenhuma das fontes pesquisadas, assim como o site do
fabricante, indica o modelo do motor. Porém informam que se trata de um motor
que produz 7100 Hp cada um e movem duas hélices. Este sistema empurra o Kora a
uma velocidade máxima de 25 nós (46,5 km/h). Certamente que não é uma boa
velocidade e por isso este navio não seria o mais indicado para uma rápida
interceptação naval, porém, este sistema e mostrou bastante econômico, dando
uma autonomia de 7408 km ao Kora.
Acima: É interessante ver como a India faz uso de sistemas ocidentais e orientais em seus navios de guerra. Com isso, os hindus, são capazes de absorver muito conhecimento sobre os principais fabricantes de armas e sistemas do mundo.
Os navios da classe Kora possuem a qualidade de
serem fortemente armados para combate de superfície, porém carecem de uma
melhor velocidade que poderia tornar este navio, ainda mais eficiente e útil na
patrulha do litoral da Índia. A possibilidade de operar um helicóptero amplia
bastante sua versatilidade, porém cabe observar que o navio não dispõe de um
hangar de manutenção, o que limita, relativamente, o uso do seu helicóptero
orgânico.
FICHA TÉCNICA
Tipo: Corveta lança mísseis
Data do comissionamento: Agosto de 1998
Velocidade: 25 nós (46,5 km/h)
Alcance: 7408 km
Deslocamento: 1350 toneladas (carregado)
Comprimento: 91,1 m
Boca:10,5 m
Propulsão: 2 motores a diesel que produzem 7100 Hp cada
Sensores: Radar 3D MR-352 Pozitiv-E (Cross Dome) com alcance
de 137 km; Radar de navegação Bel Rani; radar de controle de fogo Garpun-Bal
com 45 km de alcance, 2 radares MR-123 Bass Tilt, de controle de fogo párea o
sistema CIWS e para o canhão AK-176. Nos navios cujo canhão usado é o italiano
Oto Breda Super Rapid, o sistema de controle do fogo é o Linxs GFCS.
Armamento: Um canhão de 76 mm que pode ser o russo AK-176 ou o Oto Breda Super
Rapid do mesmo calibre, 2 sistemas CIWS AK-630 de 30 mm; 16 mísseis antinavio Kh 35
Uran, 2 Lançadores de mísseis anti-aéreos Strella M2 ou 9K38 Igla.
Aeronaves: Um helicóptero HAL Chetak
ou Dhruv
Tripulação: 134 homens.
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17 comentários:
Saudações Carlos!!!
Por falar na India, já perdi de vista a quantidade de indiano que ja encontrei na UFRN, em Natal e tambem, na Paraiba, em Campina Grande. Este último, ele, fisico nuclear e ela tambem doutora, salvo engano, relacionada a area.
Voltando ao tema. Incrível a Corveta. E o seu poder de fogo então, lhe dar uma temeridade necessária a qualquer adversário, mesmo que seja peso-pesado. Creio que esta Corveta, numa versão brasileira, era pra está patrulhando a nossa costa. A India, talvez, por não ter descendencia portuguesa, seja pratica, objetiva, decidida e compromissada com a Nação. Carlos,
como é importante o envolvimento e política séria. Carlos, seria interessante pra nós? E porque não projetamos as nossas corvetas com as devidas implmentações?
com quase 700 milhões de indianos passando fome, acho uma imbecilidade enorme eles comprarem corveta, rafales, sukhois... o brasil nao é perfeito mas sou muito mais o bolsa famila do que o FX (que estou acompanhando há quase 15 anos). Desabafo
Obrigado por mais uma excelente matéria!
Olá Guardião.
A corveta brasileira tem forte influencia da engenharia inglesa. A Barroso, por exemplo, é um navio até que moderno, mas com armamento leve demais. Penso, eu, que falta arrojo por parte dos militares brasileiros e de nossa industria nava para produzir um navio de patrulha ou corveta que somasse as caracteristicas que julgo ideais para combate litorâneo e ainda sim dar um poder dissuasório em caso de uma guerra de maior intensidade.
Abraços
Olá Rodrigo.
Você tem reazão quando criticao estado social indiano. Porém existe um motivo de eles serem tão armados. Eles estão em crise com o Paquistão, e com a China a decadas e vira e mexe, sai tiro na fronteira. Ambos os vizinhos problemáticos deles, são extremamente bem armados. Isso coloca uma forte pressão na classe politica para manterem uma força militar robusta e com muitos fornecedores, para caso algum fornecedor foi aliado o inimigo do momento e embargar peças de reposição.
Abraços.
Parabéns carlos! Ela seria uma bao corveta,mas você não acha que ela é alvo fácil para aviões e alem disso a ogiva do missilque ela us é muito fraco!
Olá Ultranacionalista. Este navio é sim um alvo fácil para aeronaves de combate. isso é inegável e incontestável. Mas seu armamento é fantástico para uma embarcação do seu porte. A ogiva do míssil Hk-35 não é pequena... na verdade ela pe bem adequada para causar sérios estragos em navios de tamanho médio.
Abraços
Saudações Carlos!!!
Depois da demonstração bélica da Venezuela, recentemente, dos armamentos russos, o Brasil deve ter pressa. Melhor dizendo, o Brasil tem pressa, quem não tem são, desculpe a palavra de baixão calão, os políticos brasileiros. A VERGONHA NACIONAL. Tomei conhecimento que a MB vai ser composta por tres frotas. E que estas, seriam sediadas no RJ- I FROTA, a II FROTA-BA ou PE, mas, o ideal seria o RN, por ser a esquina do continente, e a III-PA. Procede? E o projeto FX2, como anda? Parece que o Rafale é o escolhido. Depois que a India o escolheu, o Brasil se animou. Grande abraço Carlos.
Olá Guardião.
Pelo que soube, foi liberado, apenas 2 frotas.
Abraços
Saudações Carlos!!!
Grato pela resposta e, mais agradecido ainda se tu puderes me responder, por gentileza, quais os possiveis Estados que ira sediar as Frotas. Outra pergunta, se me permite, quanto ao efetivo da MB irá aumentar? E a previsão? Grato pela a atenção a minha impaciente alegria em ver o nosso Brasil dando o seu primeiro grande passo. Abração, Carlos.
Olá Guardião. Desconheço o local onde ficaria baseado a segunda frota mas arrisco a chutar que no nordeste.
Também desconheço quais os planos de aquisição de navios para suprir esta frota. Para lhe falar a verdade eu olho com uma certa incredulidade este assunto.
Abraços
Olá carlos,
Acompanho seu blog a anos, você já demonstrou em ocasiões anteriores que prefere as FREMM para a MB. Mas qual opçõa de escolta Anti-aérea, você acha melhor para a MB?
Olá Ivan. A FREMM tem uma versão otimizada para essa missão devido a sua modularidade. Ela não é a maios capaz do mundo, mas dentro de um orçamento limitado ela é bastante adequada.
Abraços
Saudações Carlos!!!
Estou tentando resolver o problema da conta google.
O Brasil ta pagando o preço por não investir em tecnologia militar.Lembrem-se das fragatas da classe niterói,já estão obsoletas.
Amigo ,poderia vazer uma matéria sobre o Porta Aviões São Paulo.Obrigado amigo e ótima mateira
Ola Gabajunior. Eu vou fazer sim. Pode esperar. Abraços
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